| Da Redação (*)
Brasília – O avanço das importações combinado com a queda recorrente das exportações de calçados fizeram com que a indústria calçadista registrasse a primeira inversão da sua balança comercial desde o início da série histórica – iniciada em 1997. Dados elaborados pela Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), com base nas estatísticas disponibilizadas pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), apontam que, em julho, as importações somaram US$ 66 milhões e 4 milhões de pares, estabilidade em receita e queda de 4,1% em volume na relação com o mesmo mês de 2025. Já as exportações de julho somaram US$ 62,38 milhões e 6,28 milhões de pares, quedas de 18,6% e 12,5%, respectivamente, ante o mesmo intervalo do ano passado. Com os resultados, o setor teve um déficit de US$ 3,6 milhões no saldo comercial do mês de julho. No acumulado de janeiro até julho, as importações somaram US$ 373 milhões e 29,9 milhões de pares, incrementos de 10,4% e 12,8%, respectivamente, ante o mesmo período do ano passado. Já as exportações do mesmo intervalo somaram US$ 470,6 milhões e 55,3 milhões de pares, quedas tanto em receita (-18%) quanto em volume (-7,6%) em relação ao mesmo ínterim de 2025. O presidente-executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira, alerta que o incremento das importações, em especial de calçados asiáticos, tem pressionado a indústria calçadista brasileira. No primeiro semestre, a produção nacional caiu 5,6% em relação ao intervalo correspondente ao ano passado. “As exportações já vinham apresentando retração nos nossos dois principais mercados – Estados Unidos e Argentina – e, agora, passam a enfrentar uma pressão adicional com o tarifaço americano. Ao mesmo tempo, as importações seguem crescendo mesmo em um ambiente de consumo doméstico desaquecido, ampliando sua presença no mercado brasileiro em detrimento da indústria nacional e da geração e manutenção de empregos no setor”, comenta, ressaltando que a Abicalçados solicitou, ao Governo Federal, medidas de salvaguardas e outros instrumentos de defesa comercial, além de ações de controle e monitoramento das importações. Origem dos calçados importados Destinos das exportações O segundo destino internacional do calçado brasileiro segue sendo a Argentina. Entre janeiro e julho, as exportações para os argentinos somaram US$ 48,8 milhões e 3,26 milhões de pares, quedas de 58,4% e 57,7%, respectivamente, ante o mesmo intervalo de 2025. No terceiro lugar do ranking aparece o Paraguai, para onde foram embarcados, no período, US$ 25,83 milhões, equivalente a 4,7 milhões de pares. Em receita, houve um incremento de 10,4%, enquanto em volume foi registrada queda de 7,1% em relação ao mesmo intervalo do ano passado. Rio Grande do Sul lidera ranking dos estados exportadores Na sequência, aparecem os estados do Ceará (US$ 84,75 milhões e 15,72 milhões de pares, quedas de 28% e 19,4%, respectivamente, ante o mesmo intervalo de 2025) e São Paulo (US$ 48,75 milhões e 3,46 milhões de pares, reveses de 18,5% e 15,9%). |
(*) Com informações da Abicalçados







