Foto: ©RicardoMatsukawa

Riscos do avanço chinês e a importância de uma indústria forte são temas de painéis do Congresso Aço Brasil 2026

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Congresso Aço Brasil 2026: executivos e especialistas debatem excedente de produção na China e seu impacto no Brasil

Da Redação (*)

Brasília – No seu primeiro dia, o Congresso Aço Brasil 2026, realizado no Transamérica Expo Center, na capital paulista, destacou o avanço das exportações chinesas para o mercado global, em um contexto de sobreoferta de produção do país asiático. Executivos e especialistas enfatizaram a importância de o Brasil assegurar crescimento sustentado de sua economia, com uma indústria do aço mais competitiva, de forma a manter investimentos e empregos.

Expansão da China no mercado global

De acordo com os palestrantes que abriram os debates da tarde do primeiro dia da 36º edição do evento, nos últimos anos, a China vem ocupando espaços cada vez maiores no mercado global por conta do volume de sua produção. Segundo os especialistas, como Estados Unidos e diversos países europeus passaram a adotar medidas de defesa comercial contra as importações chinesas, boa parte dos excedentes vem sendo absorvida pelo Brasil.

No painel “China – A Grande Ameaça”, o ex-embaixador do México na China, Jorge Guajardo, também sócio do DGA Group, mostrou como a China, após a queda de seus índices demográficos, passou a apostar fortemente em exportações para continuar crescendo sua economia. “Em 2020, a China exportou 1 milhão de carros, e este ano, a previsão é de 12 milhões de automóveis. As peças produzidas na China têm custos menores, o que dificulta a competição de fabricantes de outros países”.

Na avaliação do ex-embaixador, esse movimento pode levar à desindustrialização de outros mercados: “O país produz suficientemente para todas as necessidades do mundo e está expandindo sua atuação para a indústria petroquímica. Alerto que a China vai desindustrializar o mundo inteiro, e esse processo se dá numa agilidade gigantesca. Caso não façamos algo agora, não haverá o que fazer depois. A saída está em um cenário de livre comércio, no qual diferentes países tenham espaço para produzir e participar do mercado global”, alerta.

Industria do aço como motor de crescimento

Especialistas destacaram que a indústria brasileira do aço defende o crescimento de forma sustentada, com o fortalecimento de uma indústria competitiva e integrada. Pontuaram que em um cenário internacional marcado por barreiras comerciais e, ao mesmo tempo, disputa crescente por mercados, é preciso estratégias para manter empregos, desenvolver cadeias produtivas e contribuir para o crescimento econômico.

Para discutir exatamente esse ponto, o terceiro painel do dia, “Crescimento Econômico: Indústria Forte, PIB Forte”, mediado pela jornalista Juliana Rosa, trouxe como debatedores Igor Calvet, Presidente Executivo da ANFAVEA; José Ricardo Roriz Coelho, Presidente da ABIPLAST e Everton Negresiolo, Conselheiro do Instituto Aço Brasil, CEO ArcelorMittal Aços Longos LATAM e Vice-Presidente da ArcelorMittal Brasil.

O Presidente da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast), José Ricardo Roriz Coelho ressaltou o papel da indústria como motor do crescimento do país: “A indústria brasileira deve voltar a ocupar papel central como alavanca do seu desenvolvimento econômico. É imprescindível termos o crescimento do PIB em 3%, ter segurança jurídica, segurança fiscal, comércio justo, produtividade e tecnologia. Precisamos voltar a ser um país que valha pena investir. Investimento vai trazer produtividade, aumentar renda e gerar empregos. “

Igor Calvet, Presidente Executivo da ANFAVEA, abordou o impacto do avanço do crescimento chinês na indústria automotiva: “Um estudo nosso identificou, no caso do veículo elétrico leve vindo da China, um gap de competitividade de aproximadamente 34 pontos percentuais em escala e custo de produção dentro da fábrica, sem considerar logística e juros. Hoje o país asiático tem capacidade instalada para produzir 500 milhões de veículos, consome internamente 20 milhões e tem excedente para exportar. Se não equacionar nosso mercado, teremos desindustrialização”.

“Nesse ano, o nosso mercado crescerá em torno de 12%, mas a produção nacional de veículos tem crescido 5%. A captura não tem sido pela indústria fabricando no Brasil, mas sim fora, num nível que há tempos não acontece. Isso impacta toda a cadeia produtiva, inclusive no aspecto da mão de obra. Não podemos ficar parados olhando o que está acontecendo”, alerta Igor, acrescentando que o setor automotivo tem R$ 200 bilhões de investimento anunciados.

Everton Negresiolo, Conselheiro do Instituto Aço Brasil, CEO da ArcelorMittal Aços Longos LATAM e Vice-Presidente da ArcelorMittal Brasil, pontuou a importância da indústria do aço: “O aço é o termômetro para o crescimento do país. É sinônimo de investimento na indústria. O aço está em tudo o que um país constrói. Está na infraestrutura, construção, energia, transportes, máquinas e diversas outras cadeias industriais. Mas, aqui, um terço da capacidade produtiva do país está ociosa. Isso significa 11 mil empregos diretos a menos na indústria do aço”.

O conselheiro também fez um apelo para a defesa comercial: “Precisamos ser competitivos como país. Custos tributários e logísticos ampliam essa diferença e precisam fazer parte da discussão sobre competitividade. O Brasil é e continua sendo um país de oportunidades, habitação, tecnologia, energia e tudo isso passa necessariamente pela indústria. Estamos aqui investindo e prontos para crescer junto com o país. Essa agenda é de toda a cadeia. É uma agenda sobre a indústria e o futuro dela no nosso país”.

(*) Com informações do Instituto Aço Brasil

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