Foto Reprodução

Pirataria marítima registra 137 casos em 2025 e acende alerta no comércio global, diz ICC

Compartilhe:

Ataques contra navios e mudanças de rota ampliam custos logísticos em um setor que movimenta mais de 80% do comércio mundial 

Da Redação (*)

Brasília – A pirataria moderna deixou de ser um problema restrito à segurança naval e passou a afetar diretamente a logística internacional, os custos de transporte e a previsibilidade das cadeias de suprimentos. O International Maritime Bureau, da International Chamber of Commerce (ICC), registrou 137 incidentes contra navios em 2025. Do total de ocorrências, 121 embarcações foram abordadas, quatro foram sequestradas e dez foram alvo de tentativas de ataque.

Os dados dimensionam o problema, já que foram reportados 116 casos em 2024 e 120 em 2023, indicando aumento progressivo. Os ataques em alto-mar geram prejuízos milionários, elevam custos de seguro e frete e obrigam empresas a rever rotas para proteger cargas, navios e tripulações.

A pirataria contemporânea envolve grupos organizados, com uso de embarcações rápidas, armamentos e tecnologia de rastreamento, de acordo com o portal especializado Modal Connection. Além do roubo de mercadorias, combustíveis e cargas de alto valor, há casos em que o próprio navio e a tripulação passam a ser usados como instrumentos de extorsão.

Embora a maior parte dos casos de 2025 tenha sido classificada como de baixo nível, a violência contra tripulantes é um ponto de atenção. De acordo com o ICC, 46 tripulantes foram mantidos reféns, 25 foram sequestrados, dez foram ameaçados, quatro ficaram feridos e três foram agredidos. O relatório também indica aumento no uso de armas de fogo, registradas em 42 incidentes no ano passado.

As áreas de risco também explicam por que o tema preocupa operadores logísticos, seguradoras e empresas de comércio exterior, com impacto direto nos custos. Os Estreitos de Singapura concentraram o maior número de ocorrências, com 80 incidentes, representando 58% dos casos do ano passado, segundo o ICC.

Transporte marítimo responde por 80% do comércio mundial

A Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) aponta que o transporte marítimo movimenta mais de 80% do comércio mundial de mercadorias. Os redirecionamentos de longa distância provocados por tensões geopolíticas mantiveram os navios por mais tempo em operação, com crescimento de quase 6% em toneladas-milha em 2024. Os fretes também ficaram mais voláteis, de acordo com a UNCTAD, especialmente após a crise do Mar Vermelho em 2024.

Com isso, a proteção de carga deixou de ser apenas uma etapa operacional e passou a fazer parte da estratégia de competitividade da logística internacional, já que existe grande dependência do modal marítimo.

No Brasil, isso deve ser visto com atenção. Dados da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ) mostram que o setor aquaviário movimentou 1,4 bilhão de toneladas de cargas em 2025, crescimento de 6,1% sobre o ano anterior. A navegação de longo curso, diretamente ligada ao comércio internacional, respondeu por 1,01 bilhão de toneladas no período.

(*) Com informações da ICC

Tags: