Da Redação (*)
Brasília – O comércio entre Brasil e Estados Unidos segue em desaceleração em 2026, com retração tanto das exportações brasileiras quanto das importações originárias dos EUA, segundo dados do Monitor do Comércio Brasil-EUA da Amcham Brasil.
As exportações brasileiras para os Estados Unidos somaram US$ 10,9 bilhões entre janeiro e abril de 2026, uma queda de 16,7% em relação ao mesmo período do ano passado. O resultado representa o menor valor exportado para o mercado americano desde 2023. No acumulado do quadrimestre, os Estados Unidos responderam por 9,4% de tudo o que o Brasil exportou para o mundo no período.
Na comparação com os principais parceiros comerciais do Brasil, os Estados Unidos registraram um dos piores desempenhos entre os principais destinos das exportações brasileiras em 2026. Enquanto as exportações brasileiras para o mundo cresceram 9,2% no acumulado do ano, as vendas para os EUA recuaram 16,7%.
Fortes quedas nas exportações e importações
As importações brasileiras de produtos americanos também registraram retração no período. As compras originárias dos EUA recuaram 13% no acumulado do primeiro quadrimestre e 18,1% apenas em abril, influenciadas principalmente pela redução nas importações de motores e máquinas, aeronaves e partes e óleos combustíveis.
“A contração das trocas bilaterais em abril, com queda simultânea das exportações e importações, reforça a importância de aproveitar a janela de diálogo acordada entre os dois presidentes na semana passada para avançar rapidamente em negociações que evitem novas tarifas e permitam retomar o crescimento do comércio bilateral”, afirma Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil.
Apenas em abril, as exportações brasileiras aos EUA caíram 11,5%, alcançando US$ 3,1 bilhões — o nono mês consecutivo de queda nas vendas externas brasileiras para o mercado americano. Entre os principais fatores que pressionaram o desempenho estão a forte redução nas exportações de petróleo bruto (-45,6%) e café não torrado (-46,1%) no mês.
O levantamento da Amcham mostra ainda que os bens sem sobretaxas lideraram as perdas em abril, com queda de 25,2%, enquanto os produtos sujeitos à sobretaxa de 10% recuaram 7,6%. Já os itens impactados pela Seção 232 apresentaram crescimento de 22,5% no mês, puxados principalmente pelos embarques de aço e alumínio (+44,3%).
No acumulado do ano, tanto produtos sobretaxados quanto bens isentos apresentaram retração. Os produtos sujeitos à sobretaxa de 10% tiveram a maior queda entre os grupos analisados, com recuo de 23,7%. Com exportações em queda mais intensa do que as importações no acumulado de janeiro a abril, o déficit brasileiro na balança comercial com os Estados Unidos aumentou 35% no quadrimestre, alcançando US$ 1,3 bilhão. Em abril, no entanto, as importações recuaram em ritmo mais forte do que as exportações.
(*) Com informações da Amcham Brasil







