ESG deixa de ser apenas compromisso e ganha espaço na estratégia de negócios entre Brasil e UE

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Em evento em São Paulo, ApexBrasil e União Europeia destacam confiança, sustentabilidade e integração comercial como caminhos para ampliar investimentos e oportunidades para empresas brasileiras

Da Redação (*)

São Paulo — Em um cenário marcado por instabilidade no comércio internacional, o Brasil e a União Europeia apostam em uma combinação que pode abrir novas portas para empresas dos dois lados do Atlântico: confiança, sustentabilidade e integração econômica. A agenda esteve no centro do debate do Conexão Eurocâmaras ESG 2026, realizado na última quinta-feira (10), na Unibes Cultural, em São Paulo.

Promovido pela Câmara de Comércio França-Brasil (CCIFB-SP), o encontro reuniu representantes dos setores público e privado, especialistas e empresas para discutir os efeitos da agenda ESG sobre os negócios e, sobretudo, as oportunidades que podem surgir com o avanço do Acordo Mercosul-União Europeia.

Ao apresentar a visão brasileira sobre competitividade, comércio e sustentabilidade, o presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), Laudemir Müller, colocou a confiança no centro da relação entre os dois blocos.

“Vivemos numa era em que essas duas palavras (instabilidade e fragmentação) estão em alta. E nós, o Brasil e a Europa, estamos fazendo exatamente o contrário: estamos nos unindo e estamos estáveis. Estabilidade, parceria e confiança são grandes ativos. Ninguém faz acordo ou comércio com quem não confia”, afirmou.

Comércio brasileiro mostra força em meio às turbulências

Müller também chamou atenção para o desempenho recente da balança comercial brasileira, mesmo diante das dificuldades provocadas pelo tarifaço dos Estados Unidos e por um ambiente de maior tensão no comércio global.

Em agosto, o Brasil registrou superávit de US$ 7,4 bilhões, alta de 23,8% em relação ao mesmo mês do ano anterior e o terceiro maior saldo da série histórica para agosto. As exportações cresceram 12,2%, alcançando US$ 33,2 bilhões, enquanto a corrente de comércio chegou ao recorde de US$ 58,9 bilhões.

No acumulado do ano, o superávit atingiu US$ 55,3 bilhões, crescimento de 28,2%.

Para o presidente da ApexBrasil, os números refletem a capacidade de reação e diversificação das empresas brasileiras diante de um cenário internacional mais complexo.

“Esses números mostram a força da economia brasileira e a capacidade de diversificação das empresas brasileiras diante dos desafios”, afirmou.

Na avaliação de Müller, o Acordo Mercosul-União Europeia acrescenta uma nova dimensão a esse movimento. “Tenho certeza de que o acordo está tracionando o comércio e deu uma nova dinâmica à economia”, disse.

ESG também pode virar oportunidade de negócio

A discussão sobre sustentabilidade apareceu no evento não apenas como uma questão ambiental, mas como parte da própria estratégia econômica das empresas.

Müller citou um exemplo da economia amazônica para mostrar como os conceitos de sustentabilidade, inclusão social e geração de renda podem se encontrar na prática.

“Há uma figura que melhor represente ESG do que uma cooperativa de extrativistas da Amazônia exportando castanha do Brasil? Este é um exemplo muito concreto”, exemplificou.

A declaração resume uma das ideias centrais do encontro: incorporar critérios ambientais, sociais e de governança aos negócios pode significar também criar produtos, acessar mercados e estabelecer novas conexões comerciais.

Ao reforçar a proximidade com o mercado europeu, Müller foi direto: “O Brasil confia na Europa”.

União Europeia vê Brasil como parceiro de longo prazo

A mesma disposição para aprofundar a relação comercial foi manifestada pelo embaixador da União Europeia, Francisco André. Para ele, o acordo cria um ambiente favorável para que empresas avancem na construção de negócios e parcerias.

“O Brasil é um parceiro viável de longo prazo dos países da União Europeia”, afirmou o embaixador, acrescentando que o acordo criou “o clima necessário para que os agentes econômicos e comerciais possam avançar”.

André também destacou a posição estratégica do Brasil e a necessidade de aproximar desenvolvimento econômico e sustentabilidade.

“O Brasil é um país estratégico”, disse.

Segundo o embaixador, a agenda econômica e a agenda ESG já não podem ser tratadas separadamente. “A agenda econômica está inseparável da agenda de ESG”, afirmou.

A parceria com a ApexBrasil também foi destacada pelo representante europeu como instrumento para ampliar o conhecimento sobre oportunidades comerciais, aproximar empresas e facilitar a criação de novos negócios.

Natureza, cadeias produtivas e descarbonização

O debate não ficou restrito ao acordo comercial. Ao longo do Conexão Eurocâmaras ESG 2026, os participantes discutiram diferentes caminhos para aproximar as economias brasileira e europeia a partir de uma agenda de inovação e sustentabilidade.

No período da tarde, a programação foi organizada em quatro frentes: soluções baseadas na natureza, cadeias éticas e transparentes, descarbonização e eletromobilidade.

A perspectiva apresentada durante o encontro é de que o aprofundamento do diálogo entre Brasil e Europa possa favorecer a diversificação dos negócios, estimular investimentos e ampliar a presença de empresas brasileiras no mercado europeu.

Mais do que uma discussão sobre regras ambientais, o debate mostrou que ESG, comércio exterior e competitividade estão cada vez mais conectados — e que a relação entre Mercosul e União Europeia pode se tornar um dos espaços para transformar essa conexão em novas oportunidades empresariais.

(*) Com informações da ApexBrasil.

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