André Barros - CEO da eComex - Foto Divulgação

Eleições devem elevar incertezas e impactar decisões no comércio exterior, avalia eComex

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Comex deve ser tratado como “missão crítica” para evitar paradas na indústria em cenário de cautela no segundo semestre

Da Redação (*)

Brasília – O ciclo eleitoral brasileiro deve aumentar a percepção de risco e influenciar diretamente o comércio exterior, especialmente na segunda metade do ano. A avaliação é de André Barros, CEO da eComex, que aponta maior atenção por parte de empresas e investidores diante de possíveis mudanças nas políticas econômicas, fiscais e cambiais.

Segundo o executivo, o contexto eleitoral leva empresas a adotar uma postura mais conservadora, com reflexos diretos no comércio exterior. “Esses períodos sempre trazem um aumento de sensibilidade e prudência no mercado, principalmente diante da possibilidade de mudanças nas políticas econômicas”, afirma.

Na prática, destaca o executivo, “esse movimento já começa a ser percebido antes mesmo da definição do resultado das eleições. A partir do segundo semestre, companhias passam a rever planos, projetar cenários e, em muitos casos, adiar investimentos e decisões estratégicas até que haja maior clareza sobre o ambiente político e econômico, embora os efeitos mais concretos tendam a se intensificar em época de transição de governo”.

Na percepção de André Barros, “esse comportamento também se reflete no relacionamento com parceiros internacionais e investidores estrangeiros, que tendem a adotar uma postura mais cautelosa diante das incertezas. Ao mesmo tempo, o comércio exterior, inserido na cadeia produtiva, passa a influenciar diretamente decisões industriais e de abastecimento, ampliando seu impacto sobre a operação das empresas”.

“Esse movimento está ligado à expectativa de mudanças em agendas como política fiscal, cambial, industrial e internacional, além de possíveis revisões de acordos e troca de equipes econômicas. Entre os principais efeitos está a volatilidade cambial, que impacta de formas distintas importadores e exportadores, elevando custos de mercadorias no primeiro caso e dificultando a previsibilidade e a estratégia de precificação no segundo”, afirma o especialista.

Importância da gestão rigorosa de riscos e informações

Diante desse cenário, Barros destaca que a preparação das empresas passa por uma gestão mais rigorosa de riscos e informações. O uso de tecnologia e automação em tempo real torna-se essencial para liberar o profissional da sobrecarga operacional, permitindo que ele respire e tome decisões inteligentes.

“O profissional precisa assumir um papel de accountability (responsabilidade extrema e protagonismo), dado que o comércio exterior é uma operação missão crítica para a grande indústria”, afirma. Nesse contexto, a área de comércio exterior ganha relevância estratégica dentro das empresas, por seu impacto direto no abastecimento e na competitividade dos negócios.

Além disso, Barros observa que projetos estruturais, como o Portal Único Siscomex, atravessam diferentes governos e mantêm continuidade técnica ao longo do tempo, reforçando seu caráter estratégico para o país.

Apesar do ambiente desafiador, o cenário também pode abrir oportunidades. O Brasil mantém relevância global em segmentos como agronegócio, mineração e energia limpa, e empresas mais preparadas tendem a se reposicionar com maior agilidade. “O Brasil está acostumado a essa ‘montanha-russa’ da política”, afirma. “Empresas que dominam dados e tecnologia conseguem crescer mesmo em momentos de incerteza”, conclui.

(*) Com informações da eComex

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