A mercadoria chegou. Mas o lucro ficou no porto.

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Como o desconhecimento logístico transforma boas exportações em operações no prejuízo


 

A carga saiu perfeita do armazém.

Produto certo, embalagem correta, documentação em ordem. O importador nos Estados Unidos estava ansioso para receber. O preço tinha sido negociado com boa margem. Era para ser uma operação modelo.

Chegou no porto de Santos. O contêiner foi carregado. O navio partiu.

Trinta e oito dias depois, o importador avisou que a mercadoria havia chegado com avaria. Parte do produto estava úmida a embalagem não tinha resistido à condensação no interior do contêiner durante a travessia. O importador recusou 30% da carga.

Não havia seguro contratado.

Não havia cláusula de prazo de reclamação no contrato.

E o pior: havia uma conta de demurrage acumulada no porto de destino porque o importador demorou para fazer o desembaraço e ninguém tinha avisado que esse custo existia.

O lucro da operação não apenas sumiu. Virou prejuízo.

O frete é só o começo. A logística internacional é um ecossistema inteiro.

Quando a maioria das pessoas pensa em logística de exportação, pensa em frete. Quanto custa colocar a mercadoria no navio e fazê-la chegar ao outro lado do mundo.

Mas o frete é apenas uma linha numa lista muito maior de custos, decisões e riscos que definem se uma exportação é lucrativa ou não.

THC — a taxa de movimentação do contêiner no terminal portuário. BAF — a variação do combustível embutida na conta do armador. PSS — a sobretaxa de alta temporada que aparece na fatura sem aviso. Demurrage — o custo por dia quando o contêiner fica parado além do prazo gratuito no porto de destino. Detention — o custo quando o contêiner sai do porto mas fica no armazém do importador além do prazo.

Cada um desses itens pode transformar uma margem saudável em operação no zero — ou abaixo.

A escolha do modal certo muda tudo

Não existe modal superior. Existe o modal certo para cada tipo de carga.

O modal marítimo é o mais barato por tonelada e o mais usado — mais de 90% das exportações brasileiras em volume passam por ele. Mas um contêiner de 40 pés demora em média 22 dias para chegar à Europa e 35 para a Ásia. Para produtos perecíveis ou com prazo urgente, isso inviabiliza a operação.

O modal aéreo custa em média quatro a seis vezes mais por quilo, mas entrega em qualquer lugar do mundo em até 96 horas. Para cosméticos de alto valor, eletrônicos, flores e medicamentos, o custo do aéreo some dentro da margem do produto — e a velocidade é o diferencial competitivo.

O modal rodoviário domina as exportações para o Mercosul. Argentina, Uruguai, Paraguai, Chile — são mercados que o caminhão atende com flexibilidade de rota e entrega porta a porta.

A decisão do modal precisa considerar o custo total da operação, não apenas o frete base.

O porto certo para o seu estado

Outro erro frequente: usar Santos por ser o maior porto do Brasil, mesmo quando existe uma opção mais próxima e mais barata.

Um exportador de Santa Catarina que usa Itajaí em vez de Santos pode economizar dias de trânsito interno e centenas de reais por contêiner em frete rodoviário. Um exportador do Nordeste que usa Suape em vez de fazer cabotagem até Santos tem rotas diretas para a Europa que eliminam dias do prazo total de entrega.

A escolha do porto de embarque é uma decisão logística e financeira — e precisa ser feita com base em dados, não em hábito.

 

Logística bem feita é invisível

O importador que recebe no prazo, sem avaria, com a documentação correta, não liga para agradecer. Ele simplesmente volta a comprar.

É quando algo falha que a logística aparece e quando ela aparece dessa forma, o custo é sempre maior do que teria sido o investimento em fazer certo desde o início.

A embalagem adequada para o modal marítimo. O seguro ICC A que cobre praticamente tudo por menos de 1% do valor da carga. O agente de cargas certo que conhece a rota e os prazos. O despachante que garante canal verde no despacho. A equipe logística montada antes de embarcar, não durante.

Esses são os elementos que separam uma exportação que funciona de uma que surpreende.

 

 


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