EUA e Irã: tensão no Estreito de Hormuz mantém petróleo, dólar e Bolsa em alerta; entenda os efeitos no bolso do brasileiro

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Após o anúncio de cessar-fogo, mercados seguem atentos aos efeitos do conflito sobre energia, câmbio e inflação; especialista explica como atravessar o cenário sem agir no impulso

Da Redação

Brasília – O cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã foi estendido, mas a tensão no Estreito de Hormuz, principal rota global do petróleo, mantém os mercados em alerta, com reflexos sobre petróleo, dólar e Bolsa. O cenário já começa a impactar o bolso do brasileiro, com pressão sobre combustíveis, câmbio e inflação.

Segundo Fellipe Rabelo, especialista em investimentos e sócio cofundador da V2R Investimentos, o principal efeito desse tipo de tensão sobre os mercados é a volatilidade. “Quando há uma incerteza global, o mercado reage antes mesmo de os efeitos aparecerem. Petróleo, dólar e Bolsa funcionam como um termômetro do medo”, afirma.

O peso do Estreito de Hormuz ajuda a explicar essa reação. De acordo com a U.S. Energy Information Administration (EIA), a rota respondeu por cerca de 20,9 milhões de barris por dia no primeiro semestre de 2025, o equivalente a aproximadamente 20% do consumo global de líquidos de petróleo. Na projeção mais recente da agência, divulgada nesta semana, a possibilidade de interrupções relacionadas ao conflito sustenta um prêmio de risco sobre os preços do petróleo e mantém projeções mais altas para o Brent nos próximos meses.

O mercado brasileiro também reagiu a esse ambiente de incerteza. Segundo a B3, o Ibovespa renovou recorde de fechamento, acima dos 195 mil pontos, enquanto o dólar comercial caiu para R$ 5,06. O movimento refletiu, ao mesmo tempo, a reação inicial ao cessar-fogo e a cautela dos investidores diante da instabilidade no cenário externo.

Por que petróleo, dólar e Bolsa reagem primeiro

Na leitura de Fellipe, petróleo, dólar e Bolsa costumam responder antes porque concentram a percepção inicial de risco. O petróleo reage quando há ameaça sobre a oferta global. O dólar tende a ganhar força em momentos de busca por proteção. Já a Bolsa costuma refletir o aumento da aversão ao risco, com impacto sobre expectativas de crescimento e lucro.

No Short-Term Energy Outlook mais recente, a agência destacou que o fechamento de Ormuz e as paralisações associadas ao conflito são fatores centrais para sua nova projeção do petróleo. O Brent fechou março em média a US$ 103 e pode atingir US$ 115 no segundo trimestre, caso as disrupções persistam.

Como isso chega ao bolso do brasileiro

Para Fellipe, os efeitos chegam ao dia a dia do brasileiro por três canais principais:

  • Combustível, câmbio e inflação. O petróleo mais caro pressiona gasolina e diesel;
  • O dólar encarece importados, eletrônicos, alimentos e insumos industriais;
  •     A inflação em cadeia pode afetar transporte, alimentação e juros.

Para ele, isso significa que mesmo quem não investe diretamente no exterior pode sentir os efeitos de uma escalada geopolítica no custo de vida.

Os erros mais comuns do investidor em momentos de guerra

Na avaliação do especialista, o erro mais comum é agir no emocional. Entre os movimentos que ele considera mais prejudiciais estão vender tudo no pânico, correr atrás do ativo que já disparou e tentar prever o curto prazo como se fosse possível antecipar o desfecho da crise.

Segundo Fellipe, o que faz mais sentido em momentos assim é voltar ao básico: diversificação, disciplina, liquidez e visão de longo prazo.

Rabelo avalia que a carteira que tende a atravessar melhor esse tipo de turbulência é a que combina proteção e crescimento. Isso inclui exposição ao dólar e a ativos internacionais como proteção cambial, renda fixa de alta qualidade, ações globais bem selecionadas para o longo prazo e alguma exposição a commodities como ouro, petróleo e prata, que costumam funcionar como proteção em momentos de crise.

A orientação, segundo ele, é manter a liquidez, evitar movimentos bruscos e não deixar a emoção conduzir a tomada de decisão.

 

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