Oscilações no preço do combustível impactam fretes, cadeias de suprimento e o custo final de produtos no Brasil
Da Redação
Brasília – O diesel é um dos principais insumos da logística global. Ele abastece o transporte rodoviário, marítimo e parte das operações portuárias, o que faz com que qualquer variação de preço tenha efeito direto sobre o custo de movimentação de mercadorias. Quando o combustível sobe, o impacto se espalha por toda a cadeia de suprimentos, atingindo desde o transporte interno até o frete internacional e o preço final dos produtos.
O aumento recente desse recurso no Brasil está ligado a uma combinação de fatores. Oscilações no preço do petróleo no mercado internacional, decisões de política energética, variações cambiais e ajustes internos na política de preços contribuem para pressionar o valor do combustível. Além disso, medidas pontuais para conter impactos no curto prazo podem gerar distorções temporárias, afetando a previsibilidade do mercado e a formação de preços.
Na prática, esse movimento já gera reflexos no cenário atual. Empresas que dependem de transporte intensivo passam a operar com margens mais pressionadas, enquanto operadores logísticos ajustam valores de frete e revisam contratos. O efeito é cumulativo e atinge diferentes setores, especialmente aqueles que dependem de cadeias globais de suprimento, como a indústria e o comércio exterior.
Diesel: de 30% a 40% do custo do transporte
Dados recentes do setor logístico brasileiro mostram que o diesel é um dos principais componentes de custo do transporte. Estudos indicam que o combustível pode representar entre 30% e 40% dos custos operacionais do transporte rodoviário no país, e pequenas variações já impactam diretamente o valor do frete. Em alguns casos, cada aumento de R$ 0,10 no litro pode elevar o custo do transporte em até 1,5%, efeito que se espalha rapidamente por toda a cadeia de suprimentos e pressiona o preço final de produtos no mercado.
Márcio Buteri, proprietário da GX5 Import, formado em Administração em Comércio Exterior e com mais de 27 anos de experiência em operações internacionais, explica que o diesel funciona como um indicador sensível da dinâmica logística. Segundo ele, mudanças no custo do combustível alteram rapidamente o equilíbrio financeiro das operações de importação e exigem ajustes constantes por parte das empresas.
Na prática, a elevação do diesel influencia diferentes etapas da importação. O transporte terrestre nos países de origem se torna mais caro, operações portuárias passam a ter custos maiores e o frete internacional sofre reajustes. Além disso, seguros logísticos e contratos de transporte tendem a incorporar essas variações, ampliando o custo total da operação.
Para o empresário, o principal desafio está na previsibilidade. “O diesel é um dos primeiros custos a reagir a mudanças no mercado. Quando ele sobe, toda a logística é impactada em sequência. Isso exige das empresas uma leitura constante do cenário internacional para evitar surpresas no custo final”, afirma.
Outro ponto relevante é a forma como muitas empresas estruturam suas decisões de importação. A análise costuma se concentrar no preço da mercadoria no exterior, enquanto variáveis logísticas recebem menos atenção. “O valor do produto é apenas uma parte da operação. O frete, o seguro e as condições de transporte podem mudar rapidamente. Quando isso não é considerado, a margem da empresa fica exposta”, explica.
Reflexos sobre prazos
O aumento do diesel também afeta os prazos. Com custos mais altos, transportadoras e operadores logísticos podem precisar reorganizar rotas, priorizar determinadas cargas ou ajustar cronogramas, o que reduz a previsibilidade das entregas. Esse efeito tende a ser mais percebido em cadeias que dependem de múltiplos modais ou longas distâncias.
Empresas que trabalham com importação já incorporam esse tipo de variável em seus planejamentos. A necessidade de acompanhar custos logísticos em tempo real e estruturar operações com maior controle tornou-se parte da rotina. A gestão mais próxima de fornecedores, contratos e rotas passa a ser decisiva para manter a competitividade.
Com os custos cada vez mais voláteis, a logística deixa de ser apenas uma etapa operacional e assume papel estratégico. O comportamento do diesel, nesse contexto, funciona como um dos principais indicadores para decisões de importação, influenciando diretamente preços, prazos e a sustentabilidade financeira das operações.







