Da Redação (*)
Brasília – No dia 07 de abril, a Amcham reúne lideranças empresariais, especialistas e representantes do setor público para discutir os impactos das sobretaxas, das eleições americanas e dos rearranjos globais sobre comércio, investimentos e estratégia.
Entre os nomes confirmados estão Tatiana Prazeres, secretária de Comércio Exterior do MDIC, Luis Renato Rua, secretário de Comércio e Relações Internacionais do Mapa, Ana Elena Sancho Calvino, diretora do Global Trade Alert, e Cila Schulman, CEO do Ideia Instituto de Pesquisa. Uma discussão essencial para quem atua ou acompanha oportunidades no eixo BR-US.
De acordo com a Amcham, o comércio entre Brasil e Estados Unidos vive um momento de desafios, com a política comercial americana fazendo uso intensivo de instrumentos tarifários e investigações. Dados do Monitor do Comércio Brasil–EUA mostram que, em fevereiro de 2026, as exportações brasileiras somaram US$ 2,5 bilhões, com queda de 20,3% na comparação anual e sete meses seguidos de retração. No acumulado do bimestre, as vendas recuaram 23,2%, para US$ 4,9 bilhões.
A queda mais acentuada das exportações ampliou o déficit brasileiro, que chegou a US$ 900 milhões no início de 2026 — alta de 142,3% em relação ao ano anterior. Ainda assim, a relação bilateral segue sólida: os Estados Unidos mantêm cerca de US$ 250 bilhões em investimentos no Brasil, sustentando um fluxo relevante de comércio e integração produtiva, e continuam sendo o 2º maior destino das exportações brasileiras.
Virada tarifária nos EUA
O principal fator de pressão foi o aumento de tarifas ao longo de 2025, que chegaram a 40%–50% para diversos produtos brasileiros. Esse cenário mudou no fim de fevereiro de 2026, quando a Suprema Corte dos EUA considerou inadequado o instrumento legal utilizado, e o Executivo dos EUA revogou essas sobretaxas. Após a decisão, Trump adotou novas sobretaxas globais de 10% utilizando outro instrumento legal – a Seção 122.
A decisão reduziu significativamente o custo de acesso ao mercado americano e abre espaço para recuperação das exportações, ao menos temporariamente. Por outro lado, a política comercial dos EUA mantém incertezas e riscos de novas medidas e aumento das sobretaxas, na medida em que o país tem anunciado novas investigações sob a Seção 301, nas quais o Presidente detém autoridade para sua aplicação.
Contexto empresarial
Nesse contexto, a agenda empresarial passa a demandar uma atuação mais sofisticada, combinando advocacy, inteligência comercial e revisão de estratégias empresariais. A relação Brasil–EUA continua estratégica — mas cada vez mais dependente de agilidade, leitura regulatória e capacidade de adaptação.
(*) Com informações da Amcham Brasil







