Para Marcelo Vitali, diretor da How2Go, empresas brasileiras com exportações de maior valor agregado são as mais expostas ao aumento de barreiras comerciais e precisam reduzir a dependência de poucos mercados
Da Redação
Brasília – O aumento de tarifas comerciais por parte de diferentes países voltou a colocar em evidência os desafios do Brasil para ampliar sua inserção no comércio internacional. Na avaliação de Marcelo Vitali, diretor da How2Go, além dos impactos imediatos sobre as exportações, o cenário reforça a necessidade de acelerar a diversificação de mercados e avançar em novos acordos comerciais para reduzir a dependência de poucos parceiros.
Segundo o executivo, embora tarifas sejam tradicionalmente justificadas pela proteção de setores estratégicos, pela redução de déficits comerciais ou pelo combate a práticas consideradas desleais, seus efeitos costumam se espalhar por toda a cadeia produtiva, afetando a competitividade das empresas e elevando custos.
No caso das tarifas impostas pelos Estados Unidos, Vitali destaca que o maior impacto recai sobre a indústria de maior valor agregado.
“Estamos falando de máquinas, equipamentos e outros bens industriais que fazem parte de cadeias específicas de produção. Diferentemente de muitas commodities, esses produtos não encontram novos compradores com facilidade nem podem ser redirecionados rapidamente para outros mercados. Por isso, a indústria de transformação tende a ser a mais afetada”, afirma.
Diversificação de parceiros comerciais
Para o diretor da How2Go, o atual cenário evidencia uma fragilidade histórica do comércio exterior brasileiro. “O Brasil ainda é uma economia relativamente fechada quando comparado a outros países com perfil semelhante. Nos últimos anos, houve avanços importantes, como o acordo entre Mercosul e União Europeia e as negociações com Canadá e Japão, mas ainda estamos atrasados na diversificação de parceiros comerciais. Ampliar o acesso a novos mercados é fundamental para reduzir a exposição a decisões tomadas por um único comprador.”
Vitali ressalta que o aumento das barreiras comerciais também pode comprometer o crescimento do comércio internacional ao reduzir a previsibilidade para empresas e investidores. Nesse contexto, diversificar mercados deixa de ser apenas uma estratégia de expansão e passa a ser uma medida de mitigação de riscos.
Ao analisar especificamente as tarifas adotadas pelos Estados Unidos, o executivo avalia que a decisão vai além da lógica econômica tradicional.
“O argumento técnico perde força porque, historicamente, os Estados Unidos mantêm superávit na relação comercial com o Brasil, ao contrário do que ocorre com diversos outros países. Isso enfraquece a justificativa econômica para a adoção das tarifas e reforça a percepção de que a medida está inserida em um contexto político mais amplo”, conclui







