Setor de máquinas agrícolas prevê para 2010 crescimento de 21%

Compartilhe:

Os fabricantes de máquinas agrícolas apostam em um segundo semestre promissor para as vendas do setor. Segundo Claudio Bier, presidente do Sindicato das Indústrias de Máquinas e Implementos Agrícolas no Rio Grande do Sul (Simers), as linhas de crédito têm sido o principal estímulo para os agricultores brasileiros na hora de investir em máquinas para melhorar o rendimento na lavoura.

“O recorde de vendas na Expointer [uma das maiores feiras de exposição no Rio Grande do Sul, realizada do dia 28 de agosto a 5 de setembro] este ano já sinaliza um segundo semestre positivo”, afirma.

No entanto, segundo o presidente, com o possível encerramento do Programa de Sustentação do Investimento (PSI), previsto para dezembro de 2010, a comercialização de tratores em 2011 pode perder força. “O produtor foi às compras para aproveitar o programa enquanto não termina”, diz.

O PSI, ainda de acordo com Bier, era para se encerrar em dezembro de 2009, mas como apresentou resultados positivos foi prorrogado por mais um ano. “O Simers se movimenta agora no sentido de torná-lo perene”, diz.

Outra oferta de crédito que tem impulsionado as vendas de máquinas agrícolas é o Programa Mais Alimento, cujo teto de financiamento passou de R$ 100 mil em 2009, para R$ 130 mil em 2010. “Agora o produtor também pode adquirir colheitadeiras de pequeno porte dentro do Mais Alimento”, diz Bier explicando que, como os modelos custam mais de R$ 130 mil, os agricultores podem comprar de maneira coletiva, com um desconto médio de 18% em cima do preço de mercado. “Os interessados podem se associar em quatro ou cinco e abrir a linha de financiamento”, afirma.

O hortifrutigranjeiro Hélio Dalpiaz, do município rio-grandense de Maquiné adquiriu recentemente um trator Agrale dentro do Programa Mais Alimento. “Apesar da burocracia, foi rápido. Fiquei satisfeito em poder investir em minha lavoura”, diz.

Estatística da Associação Nacional dos fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) mostra que em agosto, as vendas internas de máquinas agrícolas cresceram 1,6% ante julho e 29,4% se comparado a agosto de 2009. Já entre os primeiros oito meses de 2009 e de 2010, o avanço foi de 45,7%. Os dados de produção, que incluem as exportações, foram ainda maiores: 8.565 unidades de tratores, cultivadores, colheitadeiras e retroescavadeiras foram fabricadas no mês e 60.921, no ano, com crescimento de 53,5% em relação a igual período no ano passado.

De janeiro a julho, a indústria de máquinas agrícolas produziu 52,35 mil unidades, 54% a mais que em igual período de 2009.

A expectativa do setor é que sejam produzidas 89 mil máquinas até o fim do ano, 34% mais que no ano passado.

A Anfavea espera fechar 2010 com aumento de 21% nas vendas internas, chegando a 67 mil unidades de máquinas agrícolas. A diretoria da Anfavea concorda com Bier quanto ao aumento na comercialização alavancada pelas linhas de crédito.

Segundo a Anfavea, boa parte da expansão de vendas de máquinas está ligada aos programas Mais Alimentos (Federal) e dos Estados de São Paulo e Paraná.

As exportações no período somaram uma receita de US$ 8,03 bilhões, 63,7% a mais se comparado ao mesmo período de 2009, quando o montante foi de US$ 4,91 bilhões. A Anfavea estima que 2010 deve totalizar uma receita de exportação de US$ 12,4 bilhões, valor 49% superior ao obtido em 2009, cujo valor não passou de US$ 8,3 bilhões.

No entanto, dados da Anfavea apontam ainda que o desempenho deste ano ficará abaixo do melhor resultado, obtido em 2008, de US$ 14 bilhões.

Expointer

De acordo com o presidente da Simers, as vendas de máquinas agrícolas na Expointer acumularam contratos de financiamento junto aos bancos na ordem de R$ 827 milhões. “Em 2009, as vendas na feira, também estimuladas pelas linhas de crédito do governo federal, foram de R$ 795 milhões”, diz Biers. Da edição de 2000 da Expointer até esta última realizada em 2010 a comercialização de máquinas agrícolas avançou 6.261,54%.

Fonte: DCI

Tags: