Emissão soberana de Panda Bonds na China pode abrir “avenida de possibilidades” para empresas brasileiras, projeta CEBC

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Tesouro Nacional pretende fazer lançamento ainda em 2026; mercado chinês tem juros baixos, cresce 30% ao ano e dá acesso a uma das maiores poupanças do mundo

Da Redação (*)

Brasília – O Brasil pretende realizar, ainda neste ano, a primeira emissão de títulos soberanos na China denominados em moeda local, os Panda Bonds. Se for bem-sucedida, a operação deverá ser repetida anualmente, o que pode abrir caminho para empresas brasileiras captarem em renminbi, diversificando e ampliando suas fontes de financiamento. As informações foram dadas pelo Subsecretário da Dívida Pública do Tesouro Nacional, Francisco Segundo, no webinar “Panda Bonds: A Nova Fronteira da Cooperação Financeira entre Brasil e China”, realizado pelo Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), nesta quarta-feira (05).

Alexandre Lowenkron, Presidente Executivo do BOCOM BBM, ressaltou que o mercado de Panda Bonds cresce 30% ao ano e deve continuar a ter forte expansão no futuro, em razão de uma questão estrutural da economia chinesa: a enorme taxa de poupança doméstica que busca oportunidades de investimentos. “As condições de emissões estão muito favoráveis”, observou Lowenkron, em referência aos baixos juros praticados atualmente na China em comparação com outros países. “O governo chinês, por exemplo, tem realizado captações próximas de 1,5% ao ano em renminbi. Emissões recentes da Suzano e de emissores com classificações de risco semelhantes apresentaram custos aproximadamente 100 pontos-base acima desse patamar, resultando em taxas próximas de 2,5% ou 3% ao ano, dependendo das condições do mercado.”

No dia 25 de junho, o Tesouro Nacional comunicou aos reguladores chineses a intenção de lançar 5 bilhões de renminbi (US$ 740 milhões) em Panda Bonds. Normalmente, as emissões soberanas estabelecem referências de custos e riscos que servem de parâmetros para as empresas, que costumam seguir os passos do Tesouro.

Pioneirismo da Suzano

No caso dos Panda Bonds, houve inversão dessa ordem. Quem desbravou o mercado foi a Suzano, que em 2024 se tornou a primeira empresa não-financeira das Américas a emitir títulos em renminbi na China. “Ser pioneiro envolveu alguns desafios, principalmente porque não havia uma referência acadêmica ou prática que pudéssemos seguir”, observou Emilio Chen Yeh, CFO da Suzano Ásia. Segundo ele, a empresa já captou 2,6 bilhões de renminbi (US$ 385 milhões) em três parcelas.

“Quando o governo acessa um mercado, permanece ativo e desenvolve uma curva soberana, o interesse pelas emissões de empresas brasileiras também cresce. Mesmo que a Suzano tenha chegado antes, uma emissão soberana pode abrir uma avenida de possibilidades para outras companhias interessadas em acessar o mercado chinês”, afirmou Segundo, do Tesouro.

Chen Yeh, da Suzano, afirmou que mudanças regulatórias recentes podem tornar os títulos em moeda chinesa ainda mais atrativos para empresas que buscam diversificar suas fontes de financiamento. Entre as mais relevantes, aplicada apenas a companhias estrangeiras, está a permissão de remessa dos recursos para o exterior sem necessidade de autorização específica. O executivo acrescentou que há uma gradual extensão dos prazos dos títulos, que já alcançam sete anos, comparados aos três da primeira emissão da Suzano.

Segundo Lowenkron, não há nenhum obstáculo para a contratação de hedge cambial nas emissões de Panda Bonds. Para ele, as empresas com potencial para acessar esse mercado têm grande porte, classificação de risco adequada e alguma conexão com a China. No caso do Brasil, ele mencionou Petrobras, Vale, JBS, WEG, Embraer e a própria Suzano.

Presidente do CEBC destaca novo patamar da relação

Transmitido ao vivo pelo YouTube, o encontro foi aberto pelo Embaixador Luiz Augusto de Castro Neves, Presidente do CEBC, e teve moderação de Fabiana D’Atri, Diretora de Economia do CEBC e Superintendente de Economia da Bradesco Asset.

Na avaliação de Castro Neves, a cooperação financeira alcançou novo patamar na relação bilateral. “A cooperação financeira deixa de ser apenas um instrumento de apoio ao comércio e aos investimentos para se tornar, ela própria, um eixo estratégico da relação bilateral. Mais do que operações isoladas, os Panda Bonds podem funcionar como uma porta de entrada para uma relação financeira mais ampla, sofisticada e permanente”, afirmou.

O evento reforçou o papel do CEBC como plataforma de diálogo entre empresas, instituições financeiras e formuladores de políticas públicas, aproximando o setor privado brasileiro das oportunidades abertas pela evolução do mercado financeiro chinês.

Assista ao webinar na íntegra: https://youtube.com/live/MPTjHXsxNk8

(*) Com informações do CEBC

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