Da Redação
Brasília – Até a quarta semana de setembro (dados contabilizados até o último dia 26), a balança comercial brasileira acumulou um superávit de US$ 61,77 bilhões, resultado de US$ 281,34 bilhões (crescimento de 11,5% comparativamente com igual período de 2025) e importações no total de US$ 219,57 bilhões (alta de 6,0% sobre igual período do ano passado. Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (28) pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
Os números registrados no acumulado do ano indicam que dificilmente ao final deste ano será cumprida a projeção feita pelo MDIC indicando um saldo positivo de US$ 90 bilhões, crescimento de 32,3% em relação a 2026. O resultado decorre de uma previsão de US$ 394,4 bilhões em exportações e US$ 304,4 bilhões em importações.
A três meses do final do ano, tudo indica que acabarão prevalecendo as estimativas mais realistas, que projetam um saldo comercial em torno de US$ 72 bilhões a US$ 78 bilhões, conforme projetam instituições como o BC, o Icomex da FGV/Ibre e consultorias privadas especializadas.
Entre o otimismo exagerado da AEB e o realismo do BC, FGV e Consultorias
Da mesma forma, são ainda mais reduzidas as chances de se chegar à projeção realizada pela Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), em sua revisão do superávit comercial divulgada no dia 28 de julho. Naquela oportunidade, a AEB revisou para cima as projeções da balança comercial de 2026 e estima que o País feche o ano com superávit de US$ 94,067 bilhões — alta de 38% ante os US$ 68,166 bilhões apurados em 2025.
As exportações devem alcançar US$ 385,275 bilhões (crescimento de 10,6%), enquanto as importações estão projetadas em US$ 291,208 bilhões (elevação de 4%), configurando uma corrente de comércio de US$ 676,483 bilhões, avanço de 7,6% sobre o ano anterior.
O levantamento, com dados fornecidos pela Funcex e elaborado pela AEB, segundo a Associação, refletia, naquele momento, o desempenho acima do esperado registrado no primeiro semestre. O documento aponta que as incertezas do cenário internacional estão provocando recuperação de preços e, em escala menor, de volumes, o que projeta elevação das exportações, crescimento reduzido das importações e, como consequência, expansão expressiva do saldo comercial.
O quadro revisado pela entidade mostra que o desempenho de 2026 ocorre em um cenário global marcado por elevado grau de imprevisibilidade. O documento lista uma série de fatores que impactam diretamente o comércio exterior brasileiro, com destaque para o tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
“Sabemos que o presidente Trump adotou as tarifas sem critérios técnicos e sem dispor de previsibilidade — foi mais uma decisão por impulso. O conflito entre Ucrânia e Rússia, o confronto entre Estados Unidos e Irã, os bloqueios do Estreito de Ormuz, a agressividade comercial da China e possíveis reflexos climáticos de El Niño são outros agravantes,” avalia o presidente-executivo da AEB, José Augusto de Castro.
Mais realistas e, consequentemente, passíveis de se concretizarem, são as estimativas feita pelo Banco Central (BC), através do boletim Focus, divulgado semanalmente com os principais indicadores macroeconômicos brasileiros, que aposta num saldo positivo de US$ 78 bilhões neste ano.
O Indicador de Comércio Exterior (Icomex) da FGV/Ibre, projeta um saldo comercial entre US$ 72 e US$ 75 bilhões para 2026, enquanto consultorias especializadas do setor privado trabalham com a possibilidade de a balança comercial brasileira fechar o ano de 2026 com um salto positivo da ordem de US$ 76 bilhões.






