Presidente da Agência, Laudemir Müller se encontra com mais de cem empresários da delegação da primeira Missão Brasil-Itália após a assinatura do acordo entre Mercosul e União Europeia.
Da Redação (*)
Brasília – As relações comerciais entre Brasil e Itália alcançam novo patamar com o acordo entre Mercosul e União Europeia. Na quarta-feira (09), o presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), Laudemir Müller, se encontrou com mais de cem empresários da delegação da primeira Missão Brasil-Itália após a assinatura do acordo, na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), em São Paulo. De acordo com Müller, os dois países têm um potencial gigante pela frente e uma complementaridade enorme em diversos setores.
“Temos a responsabilidade de intensificar a promoção comercial e transformar o Acordo Mercosul–União Europeia em mais negócios, mais investimentos e mais oportunidades para as empresas brasileiras. Vivemos um momento de incerteza e fragmentação no cenário internacional, e o acordo é justamente a antítese disso. Ele traz previsibilidade, aproxima mercados e reforça a confiança entre parceiros comerciais”, destacou.
A agenda Brasil-Itália aponta para uma etapa que vai além da expansão imediata das exportações. O vice-premiê e ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, disse na abertura da missão empresarial e institucional “Costruire Futuro. Crescimento comum UE-Mercosul”, que veio ao Brasil para estreitar os vínculos comerciais entre os dois países.
Itália busca diversificar parceiros e exportações
“Os movimentos comerciais entre Itália e Brasil estão em alta e a aproximação faz parte da estratégia italiana de diversificar a pauta de exportações para além dos Estados Unidos e da Europa”, afirmou. Segundo Tajani, o Brasil é peça essencial nesse processo e defendeu um esforço conjunto na desburocratização do comércio exterior, tanto em termos tarifários quanto regulatórios.
O presidente da FIESP, Paulo Skaf, que recebeu a delegação na sede da entidade, lembrou que as relações Brasil e Itália têm grandes perspectivas de negócios pela frente. “O acordo não é apenas um instrumento de redução tarifária, ele marca uma nova base institucional e comercial para decisões empresariais de curto, médio e longo prazos”. A tendência é ampliar a integração e a cooperação e a transferência de conhecimento.
O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços do Brasil, Márcio Elias Rosa, disse que a agenda comercial com a Itália deve contribuir mutuamente para o desenvolvimento da Nova Indústria Brasil. “Bioeconomia, fármaco e transição digital são setores de interesse comum. A busca pela diversificação de mercados é um desafio das nossas nações. Não podemos ser reféns de mercados tradicionais. Juntos, Mercosul e União Europeia movimentam um mercado de US$ 22 trilhões de dólares e 720 milhões de pessoas. Não precisamos de mais”, concluiu.
O presidente da Agência para a Promoção no Exterior e a Internacionalização das Empresas Italianas (ICE/ITA), Matteo Zoppas, explicou que a agência atua para conectar empresas italianas, pequenas, médias ou grandes, a novos clientes no Brasil, criando condições para que os acordos se concretizem. De acordo com Zoppas, a escolha dos setores prioritários da missão foi estratégica.
“Há oportunidades para empresas de setores como transição energética, agroalimentar, tecnologias digitais, maquinário e farmácia e saúde”, afirmou. Ele defendeu um trabalho conjunto entre ApexBrasil e ICE/ITA. “Queremos transformar essas convergências em projetos empresariais. O objetivo é aproximar quem produz, quem investe e quem busca novas tecnologias e mercados”, frisou.
Complementaridade institucional
O presidente da ApexBrasil, reforçou que a complementaridade entre as duas instituições abre espaço para uma atuação mais coordenada, especialmente em áreas com interesses convergentes. “É fundamental trabalharmos de forma cada vez mais integrada entre ApexBrasil e a ICE/ITA. A ApexBrasil está aqui para apoiar as empresas, ampliar as oportunidades e fortalecer uma parceria de longo prazo que é estratégica para os nossos dois países”, afirmou.
Já o presidente da Câmara de Comércio Italiana de São Paulo, Grazziano Messana, avaliou que o acordo é um facilitador para as negociações, mas alertou que muitas empresas de ambos os países ainda têm dúvidas sobre os termos do pacto. “Um dos papéis desta missão é justamente esclarecer esses pontos e apontar caminhos viáveis para negócios concretos”, explicou.
A programação da Missão segue com reuniões, palestras e debates em Brasília (DF), Salvador (BA) e Fortaleza (CE) concentrados em cinco setores: transição energética e infraestrutura sustentável, tecnologias digitais, máquinas e engenharia de plantas, farmacêutica e médica e agroalimentar.
(*) Com informações da ApexBrasil







