Exportações para países árabes crescem 5,75% de janeiro a agosto e somam mais de US$ 13 bilhões

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Brasil ganha mercado no norte da África e no Levante; Golfo tem alta em agosto e perdas no acumulado chegam perto de zero

Da Redação (*)

Brasília – As exportações brasileiras para os 22 países árabes avançaram 5,75% de janeiro a agosto, para US$ 13,38 bilhões, segundo a Câmara de Comércio Árabe-Brasileira. A entidade creditou o resultado ao bom desempenho das vendas no norte da África e no Levante, região que vai da Palestina ao Iraque, onde a demanda segue alta.

De acordo com a Câmara Árabe-Brasileira, no norte africano, as receitas avançaram 13,75%, para US$ 5,674 bilhões, puxadas pela demanda por alimentos dos maiores mercados. No maior deles, o Egito, a alta foi de 34,70%, para US$ 2,518 bilhões. Na Argélia, o segundo mais relevante, o avanço foi de 6,61%, para US$ 1,634 bilhão.

Nos países do Levante, a alta geral foi de 7,14%, para US$ 1,704 bilhão, com destaque para as receitas geradas na Jordânia, que cresceram 55,23%, para US$ 489,76 milhões. A alta é explicada pelo fato de a Jordânia ter portos no Mar Vermelho, provavelmente, ter sido usada para triangular produtos por terra destinados ao Iraque, cujo acesso por mar é restringido pelo conflito militar em curso no Estreito de Ormuz.

As vendas para os países do Golfo cresceram 16,83% só em agosto, movimento que fez o resultado acumulado atingir US$ 6,001 bilhões, praticamente a receita do mesmo período de 2025. Nos Emirados Árabes Unidos, o maior mercado para produtos brasileiros entre os árabes e no Golfo, as vendas subiram 6,77%, para US$ 2,358 bilhões. Na Arábia Saudita, o segundo no ranking, o avanço foi de 14,80%, para US$ 2,150 bilhões.

“De forma geral, os números mostram que o comércio do Brasil com os países árabes segue resiliente e encontrando novas formas de driblar limitações”, analisa o secretário-geral da Câmara Árabe-Brasileira, Mohamad Orra Mourad. “Nota-se claramente um movimento de reacomodação. Os exportadores brasileiros parecem ter conseguido, inclusive, novos espaços no mundo árabe para seus produtos, e a região segue muito relevante para o setor exportador”.

Agronegócio lidera pauta exportadora

As vendas dos produtos do agronegócio, que compõem 75% da pauta exportadora do Brasil para os árabes, avançaram 6,81% no período, para US$ 9,897 bilhões, com altas registradas no norte africano, no Levante e até no Golfo. Nesta última região, as vendas avançaram 2,19%, para US$ 3,852 bilhões, com os maiores crescimentos registrados no Iêmen e em Omã.

No Iêmen, só na pauta do agro, a alta foi de 52,08%, para US$ 270,56 milhões. Em Omã, foi de 53,73%, para US$ 292,85 milhões. A alta é devida ao uso desses países para contornar Ormuz no que as empresas marítimas chamaram de “fluxo mar-terra-mar”, no qual cargas são descarregadas em portos do Golfo de Omã e do Mar Arábico e transbordadas por rodovia até outro porto no Golfo.

A pauta do setor foi liderada por carnes, açúcar, cereais e soja. Neste grupo, o destaque foram as vendas de frango, com alta em agosto, capaz de reduzir a queda que vinha sendo observada no primeiro semestre, quase na casa dos dois dígitos, para 4,55%. De janeiro a agosto, as receitas do produto somaram US$ 2,169 bilhões, com o maior mercado, a Arábia Saudita, avançando 10,22% nas vendas, para US$ 697,83 milhões.

A carne bovina segue em alta no mundo árabe, demonstrando resiliência. No período, as vendas saltaram 20,23% e somam US$ 1,177 bilhão, com avanço nos três maiores mercados. O maior avanço foi na Arábia Saudita, com alta de 56,66%, para US$ 296,79 milhões. Depois vem o Egito, com avanço de 28,64%, para US$ 254,68 milhões, e os Emirados Árabes Unidos, com crescimento de 5,40%, para US$ 127,35 milhões.

“Seguimos com a perspectiva de poder encerrar o ano com ligeira alta nas receitas de exportação sobre 2025, num patamar muito próximo do melhor resultado de todos os tempos, que foi alcançado em 2024, quando as exportações brasileiras para os árabes somaram quase US$ 24 bilhões”, afirma Mourad.

(*) Com informações da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira

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