O que separa empresas operacionais de empresas estratégicas

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Renato Figueiredo (*)

Durante anos atuando com empresas dos mais diversos segmentos e portes, aprendi uma lição importante: quase nenhuma organização compra uma solução de Comércio Exterior porque precisa emitir uma DUIMP, uma DI ou a DUE. Na prática, isso é apenas a consequência de uma obrigação operacional.

Se o único objetivo fosse cumprir exigências da Receita Federal, garantir compliance ou transmitir informações para os órgãos governamentais, existem inúmeras alternativas no mercado capazes de atender a essa necessidade.

A questão que deveria estar na mesa dos executivos é outra: O Comércio Exterior está apenas processando operações ou está gerando valor para o negócio?

Existe uma grande diferença entre os dois cenários.

Em muitas empresas, a área de Comex continua ocupada apagando incêndios, acompanhando processos manualmente, respondendo cobranças internas, conciliando informações em planilhas e tentando garantir que nada saia errado. Nesse modelo, a equipe é vista como um centro de custo necessário e para nadar dar errado mais pessoas, mais dependência de terceiros, menos tecnologia e inovação.

Já nas organizações mais maduras, a realidade é diferente. O Comércio Exterior participa das decisões estratégicas, identifica oportunidades de redução de custos, antecipa riscos, melhora a previsibilidade da cadeia logística, contribui para decisões tributárias, reduz despesas operacionais e fornece informações relevantes para a alta gestão.

Nessas empresas, o Comex deixa de ser apenas um executor e passa a ser protagonista.

O erro mais comum na escolha de uma solução

Quando chega o momento de selecionar uma plataforma para a área, muitas empresas ainda iniciam o processo pela pergunta errada: “Qual é a solução mais barata?”

O preço é importante. Sempre será. Mas ele deveria ser um dos últimos fatores a serem considerados.

Uma decisão baseada exclusivamente em preço pode gerar custos muito superiores no futuro através de processos manuais, baixa produtividade, integrações limitadas, falta de especialização, dificuldades de evolução da plataforma ou dependência excessiva de serviços externos.

Em projetos estratégicos, normalmente o barato não sai barato. Sai caro. Muito caro.

Uma falha operacional, um controle inadequado, uma informação inconsistente ou uma decisão incorreta baseada em dados incompletos pode gerar impactos financeiros, fiscais, logísticos e reputacionais significativos.

A decisão precisa ser da área de negócios, mas nunca isolada

Outro aprendizado recorrente é que a escolha de uma plataforma de Comércio Exterior não pode ser uma decisão exclusiva da área de Comex.

A liderança da iniciativa deve partir do negócio, porque é o negócio que conhece as dores operacionais, os gargalos e as oportunidades de ganho. Mas a decisão final precisa ser colegiada.

Uma plataforma de Comércio Exterior moderna impacta diversas áreas da organização. Por isso, precisam participar da discussão: Comércio Exterior, Compras, Fiscal, Financeiro, Tecnologia da Informação, Controladoria, Logística, Prestadores de serviço parceiros, Despachantes aduaneiros e Operadores logísticos.

Quando todas essas áreas participam da análise, a empresa reduz riscos e aumenta significativamente as chances de sucesso do projeto.

Não estamos falando da compra de um software. Estamos falando de uma iniciativa de transformação operacional.

Especialização importa

Nos últimos anos, a tecnologia evoluiu de forma impressionante. Mas existe uma diferença importante entre empresas que possuem uma funcionalidade para Comércio Exterior e empresas que nasceram para resolver os desafios do Comércio Exterior.

Especialização importa. Conhecimento regulatório importa. Experiência acumulada importa. Capacidade de inovação importa.

Parceiros que convivem diariamente com importadores, exportadores, operadores logísticos, despachantes e legislações complexas desenvolvem uma visão muito mais profunda dos desafios que realmente impactam o negócio.

Essa experiência se traduz em melhores processos, mais automação, maior segurança e decisões mais assertivas.

O valor está na automação e na inteligência

O futuro do Comércio Exterior não está na emissão de documentos. Está na eliminação de atividades que não agregam valor.

A verdadeira transformação acontece quando as pessoas deixam de gastar tempo digitando, conciliando informações e conferindo dados repetidamente para se dedicar à análise, planejamento e tomada de decisão.

Automação reduz custos. Automação reduz erros. Automação aumenta produtividade. Mas, principalmente, automação libera talentos.

E isso tem um impacto muito maior do que qualquer redução de licença de software.

Relacionamento também é tecnologia

Pouco se fala sobre isso durante um processo de seleção. Mas deveria ser um dos critérios mais importantes.

A escolha de uma plataforma não é uma compra pontual. É uma parceria de longo prazo.

Por isso, transparência, ética, capacidade de escuta e compromisso genuíno com o sucesso do cliente fazem toda a diferença.

Os melhores projetos que acompanhei ao longo da minha carreira foram construídos sobre relações de confiança. Quando fornecedor e cliente trabalham com objetivos comuns, os resultados aparecem naturalmente.

Mais do que software, uma visão para o futuro

É justamente essa visão que encontro na eComex. Não pela tecnologia em si. Nem pelos módulos ou funcionalidades. Mas pela convicção de que o Comércio Exterior pode ocupar um papel muito mais relevante dentro das organizações.

Ao longo de sua trajetória, a eComex construiu uma especialização profunda em processos de Comércio Exterior, investindo continuamente em automação, integração, inteligência de dados e evolução operacional.

Mas talvez seu principal diferencial esteja em algo mais simples: A crença genuína de que os profissionais de Comércio Exterior não devem dedicar seu tempo a tarefas repetitivas e burocráticas.

Devem dedicar seu tempo a tomar decisões melhores. A identificar oportunidades. A proteger margens. A contribuir com a estratégia da empresa. Em outras palavras, a serem protagonistas.

Porque, no fim do dia, o objetivo nunca deveria ser apenas emitir uma DUIMP corretamente.

O objetivo deveria ser transformar o Comércio Exterior em uma vantagem competitiva para o negócio.

E essa é uma discussão muito maior do que software. É uma discussão sobre futuro.

(*) Renato Figueiredo, Diretor Comercial da eComex

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