De hoje (8) a 12 de setembro, entidade leva 20 representantes do setor produtivo a Nova Déli para discutir cooperação, tecnologia e atuação de empresárias no comércio global
Da Redação (*)
Brasília – Para ampliar a inserção internacional do setor produtivo brasileiro e debater regras de comércio, investimentos e cooperação entre economias emergentes, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) promove, a partir de hoje (8) a 12 de setembro, uma missão empresarial estratégica ao BRICS em Nova Déli, na Índia. A comitiva brasileira reúne 20 representantes de 10 setores da indústria nacional, engajados em uma ampla agenda de negócios, inovação e governança. A iniciativa é realizada em parceria com a Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur).
Além da participação no Fórum Empresarial do BRICS 2026, a CNI coordena a representação empresarial brasileira no Conselho Empresarial do BRICS (Cebrics) e na Aliança Empresarial de Mulheres do BRICS (WBA, na sigla em inglês) e de grupos de engajamento oficiais que conectam o setor privado dos países-membros e contribuem para a construção da agenda econômica do bloco. A missão também conta com a IEL Experience, uma imersão voltada a executivos e líderes empresariais no ecossistema de negócios indiano.
As agendas na Índia ocorrem em um momento de reorganização das cadeias produtivas globais em que os países se mobilizam para fortalecer a integração econômica. Em agosto, autoridades governamentais e líderes do setor privado dos países se reuniram na India-Brazil High-Level Business Reception, na CNI, para tratar de desafios e de oportunidades relacionadas ao setor.
Protagonismo feminino nas relações globais
Sob a coordenação da CNI no capítulo brasileiro, a WBA tem como principal objetivo aumentar a participação de lideranças femininas em mercados globais e em ecossistemas de inovação. A aliança é formada pelos países membros do BRICS: Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irã.
Na missão a Nova Déli, a delegação brasileira participará de encontros para ampliar as conexões com empresárias dos demais países do BRICS e fortalecer uma agenda internacional voltada à liderança feminina. A atuação do grupo se estende ao longo do ano com iniciativas como o Concurso de Startups e o BRICS WBA Summit, que criam oportunidades para conectar empreendedoras, projetos e mercados.
“Os países do BRICS são hoje o grande motor do crescimento global, e a participação ativa das mulheres é fundamental para acelerar e sustentar esse dinamismo. Vamos a Nova Déli abrir caminhos concretos para que os empreendimentos liderados por brasileiras acessem novos mercados, fechem parcerias internacionais e ampliem sua competitividade”, afirma a presidente do capítulo brasileiro da WBA, Mônica Monteiro.
A executiva será acompanhada por grandes lideranças femininas como a CEO do Serpa Group, Tania Reis; a CFO da Sistac, Viviane Saraiva; a vice-presidente de Sustentabilidade e Reputação da Natura, Ana Costa; e a vice-presidente executiva de sustentabilidade da Syngenta, Grazielle Parenti.
Segundo a diretora de Governança Interna e Externa da CNI, Danusa Lima, essa mobilização reflete o compromisso estratégico de posicionar a indústria brasileira como protagonista nos principais vetores de crescimento global. “Ao integrarmos ativamente a liderança feminina a essa engrenagem de comércio e cooperação, não estamos somente promovendo a diversidade, mas fortalecendo a tomada de decisão e a capacidade competitiva de todo o nosso setor produtivo nacional”, reforça a diretora.
Negócios bilaterais e parcerias estratégicas
O ponto alto da articulação empresarial do bloco ocorre no dia 11 de setembro, no Fórum Empresarial do BRICS, que reúne autoridades governamentais, líderes corporativos e organizações internacionais para discutir propostas concretas de facilitação comercial e atração de investimentos. A delegação brasileira participará de debates com foco em temas como redução de barreiras comerciais e fortalecimento de cadeias de suprimento, comércio de serviços e economia digital e tecnologias para o agronegócio e sustentabilidade.
O evento também contará com rodadas de negócios B2B e sessões exclusivas de networking internacional, conectando as indústrias nacionais a potenciais parceiros dos países membros ou que se articulam diretamente com o BRICS.
“O Brasil participa dessa missão com uma delegação robusta, que reúne Embraer, Vale, WEG e Banco do Brasil, refletindo o compromisso do setor privado com um Conselho Empresarial do BRICS orientado a resultados. Trazemos a Nova Déli a mensagem de transformar recomendações em projetos concretos, que gerem comércio, investimentos e integração de cadeias produtivas”, afirma o presidente da Embraer, Francisco Gomes Neto.
Imersão no ecossistema industrial indiano
Paralelamente às agendas institucionais do bloco, a missão empresarial brasileira é acompanhada pela IEL Experience Índia, uma imersão intensiva focada em executivos e líderes que buscam compreender a transformação industrial e os novos modelos de competitividade de uma das economias mais dinâmicas do mundo.
Os participantes da imersão visitarão centros de excelência indianos para conhecer práticas modernas e debater temas cruciais para o futuro do setor produtivo, como automação, excelência operacional, cadeias de valor, inovação aplicada, formação de talentos em engenharia e desenvolvimento de fornecedores.
Relação comercial Brasil-Índia ganhou força na última década
As relações econômicas entre Brasil e Índia registraram forte crescimento nos últimos 10 anos. Entre 2016 e 2025, a corrente de comércio bilateral quase triplicou, alcançando o recorde histórico de US$ 15,2 bilhões, com destaque para a participação da indústria de transformação. Os dados são da análise Indústria no Mundo sobre a relação bilateral, divulgada em agosto pela CNI.
Apesar da corrente expressiva, o crescimento ainda é desequilibrado para o lado brasileiro, que mantém um déficit comercial com a Índia desde 2019. Enquanto as exportações do Brasil para a Índia cresceram 117,2% no período (atingindo US$ 6,9 bilhões em 2025), as importações do mercado indiano dispararam 236%, somando US$ 8,3 bilhões.
De acordo com o levantamento da CNI, o Acordo Mercosul-Índia é considerado limitado e insuficiente e precisa ser atualizado para surtir efeitos positivos no comércio bilateral. Em 2025, 84,6% das exportações brasileiras para a Índia e 60,6% das importações vindas do parceiro asiático ocorreram fora do escopo do acordo comercial.
(*) Com informações da CNI







