Gustavo Reis, analista de Acesso a Mercados do Sebrae. Crédito: Maicon Felipe

MPMEs brasileiras: crédito difícil, burocracia, modelo exportador concentrado são obstáculos na busca pela internacionalização

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Da Redação

Brasília – Em países como a China, Itália,  Espanha, Portugal e Estados Unidos a participação das Micros, Pequenas e Médias Empresas (MPMEs) nas exportações oscilam entre até 55-60%, Enquanto isso, no Brasil, essas empresas respondem por apenas 0,8% do valor total exportado pelo país, apesar de representarem a imensa maioria dos negócios brasileiros. Essa baixa participação nas vendas externas é justificada, entre outros motivos pelo fato de que as MPMEs enfrentam desafios importantes, como custos logísticos elevados, necessidade de adequação a normas e certificações internacionais e dificuldades de acesso ao crédito voltado para a exportação.

Nesse cenário, afirma Gustavo Reis, analista de Acesso a Mercados do Sebrae, “o grande desafio dos próximos anos não é apenas aumentar o número de MPMEs exportadoras, mas também elevar sua participação no valor exportado, agregando mais tecnologia, inovação, diferenciação e valor aos produtos brasileiros”.

Para o especialista, “nos próximos anos, será fundamental ampliar instrumentos financeiros específicos para exportação de pequenos negócios, com processos mais simples, maior capilaridade e custos compatíveis com a realidade das micro e pequenas empresas”.

De acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), as MPMEs respondem por apenas 0,8% das exportações brasileiras, enquanto em países como a China a participação dessas empresas no valor exportado oscila entre 55% e 60¨, com um crescente protagonismo das MPMEs no total embarcado para o exterior, impulsionadas pelo comércio eletrônico e uma forte integração com as cadeias globais. No caso da Itália, essa participação se situa entre 50% e 55%, graças a um modelo baseado em distritos industriais e empresas familiares.

Panorama idêntico se registra na Espanha, onde esse grupo de empresas contribui entre 45% e 50% do valor exportado com uma forte presença nas vendas externas de manufaturas, alimentos, modas e bens industriais. Em Portugal, as MPMEs respondem por até 50% do valor exportado envolvendo produtos como têxteis, calçados, móveis, vinhos e alimentos.

Gustavo Reis credita essa baixa participação das MPMEs à forte concentração das exportações brasileiras em commodities agrícolas, minerais e produtos industriais de grande escala, setores tradicionalmente liderados por grandes empresas, embora as micro e pequenas empresas representem a imensa maioria dos negócios brasileiros.

Importância das parcerias no processo de internacionalização

Na busca de transformar essa realidade, afirma Gustavo Reis, o Sebrae atua por meio de uma ampla rede de parcerias nacionais e internacionais voltadas ao fortalecimento da competitividade e da internacionalização dos pequenos negócios.

Essas iniciativas incluem cooperação técnica com organismos multilaterais, entidades de promoção de comércio exterior, instituições de apoio empresarial e ambientes de inovação em diversos países. O objetivo é compartilhar boas práticas, gerar conhecimento, promover capacitações e facilitar conexões comerciais para empresas brasileiras.

Além das parcerias internacionais, o Sebrae trabalha de forma integrada com o governo federal , por meio da PNCE – Política Nacional da Cultura Exportadora, Ministério do Desenvolvimento e Indústria e Comércio (MDIC), Ministério das Relações Exteriores (MRE), Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) e Apex Brasil, câmaras de comércio, federações empresariais e entidades setoriais, ampliando as oportunidades de inserção das pequenas empresas em mercados estratégicos como Estados Unidos, União Europeia, China e América Latina.

Ampliar a participação dos pequenos negócios brasileiros no comércio eletrônico internacional faz parte do esforço implementado pelo Sebrae visando contribuir para uma maior internacionalização dessas empresas. Segundo Gustavo Reis, “nos últimos anos, ganharam relevância iniciativas ligadas a esse segmento, permitindo que micro e pequenas empresas alcancem consumidores e compradores em diversos países por meio de plataformas digitais e marketplaces globais. O foco do Sebrae é reduzir as barreiras de entrada e criar condições para que mais empresas possam competir internacionalmente de forma sustentável”.

A importância do acesso ao crédito pelas MPMEs

Ao contrário do que acontece nos países em que os pequenos negócios são elemento fundamental no ambiente exportador e nos quais o crédito farto e desburocratizado é elemento essencial do processo, no Brasil, o acesso ao crédito continua sendo um dos maiores desafios para as pequenas e micro e pequenas empresas.

Na percepção do analista do Sebrae, “O acesso ao crédito continua sendo um dos maiores desafios para as micro e pequenas empresas brasileiras. Exportar pode exigir investimentos em adaptação de produtos, certificações, embalagens, promoção comercial, participação em feiras, adequação regulatória e capital de giro. Muitas empresas possuem potencial exportador, mas encontram dificuldades para financiar essa etapa de crescimento. O Sebrae atua em diversas frentes para reduzir esse obstáculo. Uma delas é a orientação financeira e a preparação empresarial, ajudando os empreendedores a estruturarem melhor seus projetos e aumentarem sua capacidade de acessar recursos financeiros”.

De acordo com Gustavo Reis, “também trabalhamos na articulação com instituições financeiras, fundos garantidores, agentes de crédito e programas públicos que possam apoiar investimentos necessários à internacionalização. Um dos exemplos é o Fundo de Aval às Micro e Pequenas Empresas (Fampe), do Sebrae, que funciona como um aval complementar às garantias pessoais do empreendedor de pequeno porte, permitindo que consigam crédito mais facilmente junto a instituições financeiras parceiras. Outro aspecto importante é a redução de riscos. Quanto mais preparada está a empresa, maior sua capacidade de acessar financiamentos e transformar oportunidades internacionais em negócios efetivos. Por isso, crédito e capacitação precisam caminhar juntos”.

Além das parcerias internacionais, o Sebrae trabalha de forma integrada com o governo federal , por meio da PNCE – Política Nacional da Cultura Exportadora, Ministério do Desenvolvimento e Indústria e Comércio (MDIC), Ministério das Relações Exteriores (MRE), Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) e Apex Brasil, câmaras de comércio, federações empresariais e entidades setoriais, ampliando as oportunidades de inserção das pequenas empresas em mercados estratégicos como Estados Unidos, União Europeia, China e América Latina.

PEIEX, parceria ApexBrasil e Sebrae

Outro elemento relevante nesse esforço destinado a aumentar a participação dos pequenos negócios nas exportações brasileiras são as iniciativas contidas no Programa de Qualificação para Exportação (PEIEX), uma iniciativa da Apex Brasil e que, em alguns estados, é executado pelo Sebrae e consolidou-se como uma das principais portas de entrada para empresas que desejam iniciar sua jornada internacional.

Gustavo Reis afirma que “a maior contribuição do programa é conscientizar e preparar os empreendimentos para exportar de forma estruturada. Muitas empresas possuem produtos ou serviços com potencial internacional, mas precisam desenvolver processos, planejamento, gestão comercial, adequação de produtos e conhecimento dos mercados externos antes de realizar suas primeiras operações. Ao longo de sua trajetória, o programa contribuiu para a formação de empresas em todas as regiões do país, fortalecendo a cultura exportadora e ampliando a base de negócios preparados para atuar no mercado internacional”.

Ao concluir, o analista do Sebrae ressalta que “mais do que medir apenas a primeira exportação realizada, é importante observar a construção de capacidades permanentes dentro das empresas. O processo de internacionalização é uma jornada que exige preparação, maturação e continuidade”.

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