Burocracia na importação consome eficiência de grandes empresas, aponta NTT DATA

Compartilhe:

Movimentação portuária no País atinge marco histórico de 1,4 bilhão de toneladas, mas potencial de crescimento esbarra na baixa maturidade, aponta NTT DATA

Da Redação (*)

Brasília – O comércio exterior brasileiro vive um momento de forte expansão física. A movimentação portuária no país alcançou o recorde histórico de 1,4 bilhão de toneladas no fechamento do último ano, com alta de 6,1%, de acordo com dados da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ). No entanto, por trás dos números recordes de infraestrutura, existe um gargalo dentro das próprias organizações: a eficiência operacional na nacionalização de mercadorias. É o que aponta a NTT DATA, especializada em tecnologia e consultoria de negócios.

Enquanto os portos e terminais se modernizam para escoar e receber insumos e produtos rapidamente, a operação interna de importação de muitas grandes empresas ainda patina em rotinas analógicas. O crescimento físico do setor tem gerado um aumento exponencial na complexidade do fluxo de entrada de mercadorias no país. Para acompanhar esse ritmo, a maturidade tecnológica corporativa precisa dar um salto, sob o risco de anular os ganhos obtidos na ponta logística.

Peso do “trabalho invisível” no fluxo de importação

De acordo com mapeamentos de mercado e análises de operações conduzidas pela NTT DATA, a jornada de importação nas grandes companhias ainda apresenta sérias fragilidades estruturais. O cenário mais comum é caracterizado por uma forte dependência de planilhas, e-mails e controles paralelos para gerenciar processos de importação multimilionários.

Este ecossistema fragmentado gera um alto volume de atividades manuais de conferência, digitação e validação de dados aduaneiros, fiscais e de documentos essenciais de embarque. Entre eles estão a Commercial Invoice (fatura comercial internacional), o Packing List (romaneio de carga que detalha como as mercadorias estão distribuídas) e o Bill of Lading (conhecimento de embarque que funciona como o contrato de transporte marítimo).

Como consequência desse processo manual, as áreas de importação sofrem com baixa visibilidade da operação, dificuldade extrema de consolidação de informações em tempo real e, consequentemente, maior exposição a erros, retrabalhos, atrasos e custos evitáveis — como multas fiscais e taxas de demurrage (cobradas pelo atraso na devolução de contêineres aos armadores).

“O crescimento da infraestrutura portuária do Brasil é uma excelente notícia para a economia, mas ele escancara o quão grave é a falta de maturidade operacional nas mesas de importação das grandes companhias”, afirma Ricardo Costa, Head de Customer Success da NTT DATA.

“Podemos dizer que o verdadeiro gargalo da importação hoje está na mesa do analista que ainda digita e cruza dados manualmente para liberar uma carga aduaneira e valida informações em planilhas paralelas. No cenário dinâmico em que nos encontramos, com expansão de rotas e novos acordos internacionais, a agilidade na liberação documental tornou-se um fator de sobrevivência de mercado.”

Papel da hiperautomação e inteligência de dados na entrada de cargas

Em resposta a esse desafio, a NTT DATA se posiciona no mercado como uma parceira estratégica de negócios, indo além do papel de fornecedora de tecnologia. Ao integrar inteligência de processos, hiperautomação e análises de dados estruturados à rotina de importação, a empresa reforça que é possível transformar um cenário de vulnerabilidade em eficiência de ponta a ponta na cadeia de suprimentos.

Análises realizadas na base de clientes da empresa ilustram o impacto prático da transformação digital especificamente nas operações de importação:

Redução de mais de 70% no tempo operacional por processo de importação: o ciclo médio de processamento e nacionalização caiu de cerca de 45h45 para 10h49.

Ganho de produtividade: uma economia média superior a 35 horas por operação, liberando equipes de tarefas repetitivas de preenchimento e conferência de registros como a DI (Declaração de Importação) e a Duimp (Declaração Única de Importação, o novo documento eletrônico que unifica o processo de entrada de cargas no país). Com isso, os profissionais podem focar em análises de riscos, parametrizações aduaneiras e planejamento estratégico.

Eliminação do trabalho manual: redução de até 70% nas atividades manuais através do uso de automação especializada nas rotinas de validação de documentos de embarque.

Força de trabalho digital: operações de importação passam a ser suportadas por mais de 70 robôs especializados, que executam validações de documentos de comércio exterior, integrações de sistemas legados de ERP com portais governamentais e o monitoramento de processos em tempo real.

Ao conectar dados robustos de crescimento logístico portuário com soluções inteligentes de automação, a NTT DATA reforça que a previsibilidade e o controle operacional nas áreas de importação são os únicos caminhos para que as grandes corporações brasileiras consigam, de fato, garantir o abastecimento de suas cadeias produtivas e extrair o valor máximo do novo momento econômico do país.

(*) Com informações da NTT DATA

Tags: