Tarifas pressionam setores, mas não comprometem a balança comercial brasileira, afirmam analistas da Mapfre

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Da Redação (*)

Brasília – A nova rodada de tarifas anunciada pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros adiciona incerteza ao cenário externo, mas não muda, neste momento, a leitura ainda favorável para a balança comercial. A medida prevê uma tarifa adicional de 25% sobre parte da pauta exportadora do Brasil, com entrada em vigor em 22 de julho. A lista final, no entanto, preservou produtos importantes, como carne bovina, café, energia, aeronaves e partes aeronáuticas, o que reduz o impacto direto sobre o saldo comercial agregado.

O efeito mais provável deve ficar concentrado em setores específicos. Produtos como móveis, etanol, máquinas, calçados e açúcar tendem a enfrentar maior perda de competitividade no mercado americano, especialmente nos casos em que há menor capacidade de repasse de preços ou de redirecionamento das vendas para outros destinos.

EUA perdem liderança para a China no comércio exterior brasileiro

De acordo com os especialistas da Mapfre Investimentos, essa leitura fica mais clara quando observamos a mudança estrutural da pauta comercial do país. Na última década, os Estados Unidos perderam participação relativa no comércio exterior brasileiro, enquanto a China ganhou peso de forma consistente, tanto como destino das exportações quanto como origem das importações. Essa mudança reduz a sensibilidade da balança comercial brasileira a choques concentrados no mercado americano, embora não elimine os efeitos sobre os segmentos diretamente afetados pelas tarifas.

Do ponto de vista da balança comercial, o Brasil parte de uma posição confortável. Em junho, o superávit foi de US$ 9,8 bilhões e, no acumulado do primeiro semestre de 2026, o saldo já supera US$ 42 bilhões. A Secex revisou recentemente sua projeção de superávit para este ano de US$ 72,1 bilhões para US$ 90 bilhões, refletindo uma pauta ainda sustentada pelas commodities, preços favoráveis em itens relevantes e maior diversificação dos destinos de exportação.

Na percepção dos especialistas, daqui para frente, o principal risco não está em uma deterioração imediata do saldo comercial, mas em uma eventual escalada das tensões. Novas tarifas, retaliações ou uma piora nas negociações poderiam afetar confiança, o câmbio e as decisões de investimento. Com a configuração atual das medidas, o impacto tende a seguir concentrado em setores específicos. O setor externo brasileiro está mais diversificado e menos dependente do mercado americano, o que ajuda a amortecer o choque tarifário.

(*) Com informações da Mapfre Investimentos

 

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