FGV/Ibre: China impulsiona superávit comercial brasileiro e exportações aos EUA desabam

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China amplia participação nas exportações brasileiras enquanto comércio com os Estados Unidos perde força e acende alerta sobre dependência externa.

Estudo da FGV/Ibre projeta superávit de até US$ 75 bilhões em 2026, mas aponta riscos ligados à guerra comercial entre EUA e China e às tensões no Oriente Médio.

Da Redação (*)

Brasília – O comércio exterior brasileiro vive um momento de contrastes. Enquanto as exportações para a China avançam em ritmo acelerado, as vendas aos Estados Unidos acumulam nove meses seguidos de queda, segundo o Indicador de Comércio Exterior (Icomex), divulgado nesta quinta-feira (15) pela FGV/Ibre.

Aposta no superávit
O estudo projeta superávit da balança comercial entre US$ 72 bilhões e US$ 75 bilhões em 2026, desde que o conflito no Oriente Médio não se prolongue e o presidente Donald Trump evite novas medidas que ampliem a instabilidade global.

Pressão americana sobre o Brasil
O relatório destaca que o governo brasileiro tenta negociar o fim de sobretaxas e de investigações comerciais abertas pelos Estados Unidos com base na Seção 301, envolvendo Pix, plataformas digitais, propriedade intelectual e etanol.

Além disso, Washington pressiona por concessões na área de minerais críticos, em meio ao avanço da disputa estratégica com a China.

China amplia protagonismo
O superávit brasileiro com os chineses chegou a US$ 11,6 bilhões entre janeiro e abril, o equivalente a 47% de todo o saldo comercial do país no período.

As exportações para a China cresceram 19,9% em volume, impulsionadas principalmente por soja e petróleo. Em abril, os chineses responderam por 34% das exportações brasileiras.

EUA perdem espaço
Na direção oposta, o déficit brasileiro com os Estados Unidos aumentou de US$ 1 bilhão para US$ 1,4 bilhão. O Icomex aponta redução tanto nas exportações quanto nas importações, sinalizando enfraquecimento das trocas comerciais entre os dois países.

Guerra e commodities no radar
A FGV alerta que a guerra envolvendo o Irã pode afetar exportações brasileiras de carnes, milho e compras de fertilizantes e combustíveis.

O petróleo segue como principal produto exportado pelo Brasil em 2026. Apenas em abril, o saldo comercial do setor alcançou US$ 4,1 bilhões.

Corrida pelos carros elétricos
Outro destaque foi o salto nas importações de veículos de passageiros, que cresceram mais de 100%. O movimento é atribuído à antecipação da entrada de carros elétricos antes da tarifa de importação subir para 35% em julho.

América do Sul ganha espaço
As exportações brasileiras também avançaram para países sul-americanos como Chile, Peru e Colômbia, com destaque para veículos, petróleo e carnes. Para a Venezuela, as vendas dispararam 34%, puxadas por arroz e milho.

(*) Com informações da FGV/Ibre

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