Com escalada no Oriente Médio e risco à oferta global de energia, Raíssa Florence, economista e sócia da Oz Câmbio, alerta para o impacto direto sobre Ibovespa, dólar e expectativas de inflação no Brasil
Da Redação
Brasília – A escalada das tensões no Oriente Médio, com ameaças à navegação no Estreito de Hormuz, rota estratégica por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial, levou o barril a superar os US$ 100 nos últimos dias e reacendeu a aversão global ao risco. Bolsas internacionais operaram sob pressão, o dólar voltou a se fortalecer e investidores passaram a monitorar possíveis impactos logísticos na cadeia global de energia.
Para Raíssa Florence, economista e sócia da Oz Câmbio, o mercado entrou em uma nova fase de sensibilidade extrema ao noticiário geopolítico. “O petróleo acima de US$ 100 não é apenas um movimento de preço, é uma reprecificação de risco inflacionário global. Isso muda a dinâmica de juros e fortalece o dólar no curto prazo”, afirma.
No Brasil, segundo a economista, o efeito é misto. De um lado, Petrobras e empresas ligadas a óleo e gás tendem a sustentar parte do Ibovespa, já que o barril mais alto melhora perspectivas de receita e geração de caixa. De outro, setores intensivos em energia, como aviação, transporte, logística e varejo, devem sofrer com pressão de custos e compressão de margens.
“Além disso, petróleo mais caro contamina expectativas de inflação aqui dentro e pode reduzir o espaço para cortes mais agressivos na próxima reunião do Copom. Com o dólar pressionado pela aversão ao risco, o real tende a permanecer volátil, beneficiando exportadoras, mas ampliando incertezas no curto prazo. A trajetória do barril e a duração do conflito serão determinantes para definir o tom do mercado nesta semana”, conclui a economista Raissa Florence.







