Da Redação
Brasília – A expansão do conflito iniciado com os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã terá efeitos sobre o comércio exterior brasileiro e a dimensão desses eventos vai depender da duração e intensidade do conflito. De imediato, a guerra já se reflete nos preços dos fretes marítimos e aéreos e pode se agravar caso o Irã concretize a ameaça de fechar o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% de todo o petróleo e gás natural consumidos no planeta.
Segundo o especialista em comércio exterior, Jackson Campos, “o desvio de navios para o Cabo da Boa Esperança e a suspensão de rotas estratégicas como o Estreito de Ormuz e o Canal de Suez têm impacto direto e quase imediato no custo do frete internacional. Quando os armadores deixam de utilizar as rotas mais curtas e passam a contornar a África, o tempo de trânsito aumenta significativamente, o consumo de combustível sobe e isso é repassado ao valor final do frete. Além disso, começam a ser aplicadas sobretaxas de risco de guerra e adicionais emergenciais, o que eleva ainda mais os custos logísticos em escala global”.
Em relação ao transporte aéreo, Campos destaca que “a suspensão de voos e o fechamento de espaços aéreos no Oriente Médio geram um efeito em cadeia. Há acúmulo de cargas, redução de oferta de espaço e aumento das tarifas, não apenas para a região afetada, mas também em outras rotas internacionais, já que a malha aérea é interligada. Esse tipo de interrupção costuma levar semanas para ser totalmente normalizado”.
Na percepção do especialista, para o Brasil, o reflexo serão fretes mais caros tanto na exportação quanto na importação. Segundo ele, “o exportador perde competitividade porque o custo logístico encarece o produto final. O importador, por sua vez, enfrenta aumento de preços e maior risco de atrasos no recebimento de insumos, componentes e mercadorias acabadas. Setores que trabalham com estoques reduzidos podem sentir dificuldade de abastecimento ou necessidade de repassar custos ao consumidor. Mesmo distante geograficamente do conflito, o comércio exterior brasileiro passa a operar com prazos mais longos, maior volatilidade e pressão sobre margens”.






