Congresso da Abag buscará saídas para reduzir efeitos do caos logístico sobre o agronegócio

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São Paulo – Dentro da fazenda, o produtor agrícola brasileiro é um dos mais eficientes e produtivos do mundo. Prova disso é que a produção média brasileira por hectares era de 1.500 quilos de grãos, em 1992, e na safra 2011/12, saltopara 3.250 quilos por hectare, um aumento de 116%. O agricultor brasileiro começa a perder vantagem acumulada da porteira pra dentro da fazenda na hora de escoar sua safra, pois se depara com uma estrutura de transporte arcaica, insuficiente, deteriorada ou, em muitos casos, inexistente. Com isso, o custo, por exemplo, de um container de grãos colocado no porto brasileiro alcança a marca de US$ 1.790, contra US$ 690 de outros países concorrentes do Brasil.

Para debater o problema e apontar saídas para a falta de infraestrutura, a Abag – Associação Brasileira do Agronegócio promoverá, no dia 5 de agosto, em São Paulo, o 12º Congresso Brasileiro do Agronegócio sobre o tema Logística e Infraestrutura – O Caminho da Competitividade do Agronegócio. “A falta de infraestrutura adequada é o principal Calcanhar de Aquiles do agronegócio brasileiro”, diz Luiz Carlos Corrêa Carvalho, presidente da Abag.

“Precisamos encontrar políticas que nos possibilite virar esse jogo para termos melhores condições de competir com produtores dos Estados Unidos, Argentina e de outros países com os quais disputamos o comércio internacional de commodities agrícolas”, completa Carvalho.

Na avaliação do presidente da Abag, as deficiências devem se agravar ainda mais em função das perspectivas de aumento da produção e também da maior necessidade de alimentos e de energia projetada pela OCDE – Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico. Segundo a organização, o mundo necessitará de um aumento da ordem de 20% na produção de alimentos até 2020 para atender a demanda da população. E a maior parte dessa elevação na produção – 40% – deverá ser conseguida, segundo a OCDE, pela agricultura brasileira.

Armazenagem

Quando tal demanda for atendida não faltarão somente estradas, ferrovias, estruturas para hidrovias e portos que faltarão. A atual estrutura de armazenamento do agronegócio brasileiro também é bastante deficitária. Um levantamento do Ministério da Agricultura apontou que a capacidade estática de estocagem nas fazendas brasileiras hoje é de 15%. Na Argentina, esse índice está entre 35% e 45%; na Austrália, em 35%, nos Estados Unidos entre 55% e 60% e no oeste do Canadá em impressionantes 85%. Segundo cálculos do governo, estima-se ser necessário um investimento da ordem de R$ 16 bilhões apenas para reduzir o déficit de armazéns.

Ao montar a estrutura do Congresso, a direção da Abag tomou o cuidado de mesclar palestrantes das diversas áreas envolvidas com o problema, envolvendo o setor produtivo, analistas e também representantes dos gestores estatais. Assim, o evento será aberto por uma palestra do presidente da Empresa de Planejamento e Logística – EPL, Bernardo Figueiredo, atualmente a principal autoridade do governo Federal no encaminhamento dos projetos ligados à infraestrutura.

Além de Figueiredo, participarão também economistas, analistas de investimentos, consultores da área agrícola, além das principais lideranças do agronegócio brasileiro. Deverão participar dos debates os economistas Yoshiaki Nakano, da Fundação Getúlio Vargas e Alexandre Schwartsman, da Schwartsman & Associados; os ex-ministros da Agricultura Roberto Rodrigues e Alysson Paolinelli, além de Paulo Herrmann, vice-presidente para a América Latina da John Deere, Afonso Mamede, presidente da Sobratema – Associação Brasileira de Tecnologia para Construção e Mineração, entre outros.

Paralelamente aos debates, haverá também espaço para diversas homenagens. Serão entregues: o prêmio Norman Borlaug para Alfredo Scheid Lopes. Trata-se de um dos maiores especialistas em fertilidade e manejo de solos tropicais. Lopes é professor da Universidade Federal de Lavras (UFLA) e autor de 16 trabalhos científicas publicados no Brasil e no exterior, 56 trabalhos publicados em congressos, além de sete livros. Será homenageado também, com o prêmio Ney Bittencourt de Araújo, o agrônomo Cristiano Walter Simon, consultor da Andef – Associação Nacional de Defesa Vegeta e também da Câmara Temática de Insumos Agropecuários do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), além de membro do Conselho Superior do Agronegócio da Fiesp – Federação das Indústrias do Estado de São Paulo. Haverá ainda uma homenagem aos 40 anos da Embrapa.

Informações e Inscrições: www.abag.com.br/cba 

Fonte: Assessoria de Imprensa da ABAG

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