Brasil é o terceiro principal destino mundial dos investimentos estrangeiros, segundo levantamento da OCDE

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País registrou ingresso de US$ 77 bilhões em capital produtivo e ficou atrás apenas de Estados Unidos e China; missões internacionais impulsionaram R$ 250 bilhões em anúncios de investimentos

Da Redação (*)

Brasília – O Brasil consolidou posição de destaque no cenário macroeconômico global ao se tornar o terceiro maior destino de Investimento Estrangeiro Direto (IED) do mundo em 2025. De acordo com dados preliminares de fluxo comparado divulgados pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o país atraiu o montante expressivo de US$ 77 bilhões em capital produtivo ao longo do último ano.

O resultado representa avanço histórico para o mercado nacional, que tradicionalmente oscila entre a quinta e a sexta colocação no ranking mundial de recepção de investimentos. Na nova listagem, o Brasil foi superado apenas pelas duas maiores potências econômicas do planeta: os Estados Unidos e a China.

Para garantir a precisão analítica do fluxo de economia real, o levantamento da OCDE desconsidera os dados de jurisdições financeiras que funcionam majoritariamente como trânsito de capital, como Hong Kong e Singapura. Sob esse critério, o desempenho brasileiro superou economias maduras da Europa, como a Alemanha e o Reino Unido.

Missões internacionais alavancam R$ 250 bilhões em investimentos

Esse posicionamento de destaque é reflexo direto de uma estratégia assertiva e coordenada de diplomacia presidencial e promoção comercial. Nos últimos três anos, a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Atração de Investimentos (ApexBrasil), em parceria com o Ministério das Relações Exteriores (MRE) e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), liderou uma sólida agenda de reaproximação com os mercados globais.

Ao todo, foram realizadas 22 missões empresariais de alto nível acompanhando o presidente Lula e outras cinco missões com o vice-presidente Geraldo Alckmin. Esses encontros estratégicos contaram com a participação ativa de ministros de Estado e mobilizaram mais de 10 mil empresários, tanto brasileiros quanto investidores estrangeiros.

Essas comitivas atuaram como plataformas cruciais para a abertura de novos mercados e consolidação de parcerias de longo prazo, resultando no anúncio histórico de R$ 250 bilhões em novos investimentos planejados para o Brasil durante as agendas.

Liderança entre os países em desenvolvimento

O reposicionamento do Brasil ganha relevância ainda maior quando comparado a mercados emergentes de perfil semelhante. Economistas apontam que a real base de comparação para o teto de investimentos produtivos na América Latina deve ser feita com parceiros regionais e concorrentes diretos, como o México e a Colômbia.

Neste recorte, o país mais próximo do Brasil em 2025 foi o México, que ocupou a sétima posição global. O distanciamento nominal e a vantagem na posição relativa demonstram a forte atratividade e a confiança que o ambiente de negócios brasileiro reconquistou perante o investidor internacional.

Retomada global e o papel dos investimentos chineses

O relatório da OCDE também revelou uma reativação expressiva na circulação de capital internacional, com os fluxos globais registrando uma expansão de 15% em 2025 na comparação com o ano anterior. Entre os principais emissores (exportadores) de capital para o mundo, destacaram-se os Estados Unidos, o Japão e a própria China.

A dupla dinâmica da China — que atua simultaneamente como um dos maiores receptores e um dos principais emissores de investimentos do planeta — reflete-se diretamente na balança brasileira. O aporte de capital chinês tem sido um dos grandes motores para a neoindustrialização e infraestrutura nacional, com aportes maciços direcionados à transição energética. Exemplos claros dessa movimentação estão na expansão do mercado de veículos elétricos e na consolidação de grandes projetos nos setores de energia eólica e solar em solo brasileiro, setores que têm sido amplamente promovidos pelas rodadas de negócios da ApexBrasil.

Os dados de fluxo global comparado são compilados e divulgados periodicamente por organizações internacionais como a OCDE e a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), complementando as publicações do Banco Central do Brasil, que se restringem aos indicadores internos e não realizam o ranqueamento entre as nações.

(*) Com informações a ApexBrasil

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