Exportações devem somar US$ 385 bi e importações, US$ 291 bi, com corrente de comércio de US$ 676 bi
Da Redação (*)
Exportações devem somar US$ 385 bi e importações, US$ 291 bi, com corrente de comércio de US$ 676 bi
Da Redação (*)
Brasília – A Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) revisou para cima as projeções da balança comercial de 2026 e estima que o País feche o ano com superávit de US$ 94,067 bilhões — alta de 38% ante os US$ 68,166 bilhões apurados em 2025. As exportações devem alcançar US$ 385,275 bilhões (crescimento de 10,6%), enquanto as importações estão projetadas em US$ 291,208 bilhões (elevação de 4%), configurando uma corrente de comércio de US$ 676,483 bilhões, avanço de 7,6% sobre o ano anterior.
O levantamento, com dados fornecidos pela Funcex e elaborado pela AEB, reflete o desempenho acima do esperado registrado no primeiro semestre. O documento aponta que as incertezas do cenário internacional estão provocando recuperação de preços e, em escala menor, de volumes, o que projeta elevação das exportações, crescimento reduzido das importações e, como consequência, expansão expressiva do saldo comercial.
O quadro revisado pela entidade mostra que o desempenho de 2026 ocorre em um cenário global marcado por elevado grau de imprevisibilidade. O documento lista uma série de fatores que impactam diretamente o comércio exterior brasileiro, com destaque para o tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
“Sabemos que o presidente Trump adotou as tarifas sem critérios técnicos e sem dispor de previsibilidade — foi mais uma decisão por impulso. O conflito entre Ucrânia e Rússia, o confronto entre Estados Unidos e Irã, os bloqueios do Estreito de Ormuz, a agressividade comercial da China e possíveis reflexos climáticos de El Niño são outros agravantes,” avalia o presidente-executivo da AEB, José Augusto de Castro.
Por setores, a indústria extrativa lidera o crescimento das exportações, com US$ 100,568 bilhões projetados — expansão de 25,2% sobre 2025, impulsionada sobretudo pelo petróleo bruto, cujas vendas devem somar US$ 64,653 bilhões. A agropecuária deve alcançar US$ 84,334 bilhões (+6,7%), com destaque para a soja em grão, projetada em US$ 54,502 bilhões. A indústria de transformação deve somar US$ 198,391 bilhões (+5,3%), puxada por carnes, óleos combustíveis e celulose.
Exportações de soja e petróleo superam US$ 50 bilhões pela primeira vez
Do lado das importações, a indústria de transformação responde pela maior fatia, com US$ 269,531 bilhões projetados (+1,8%), enquanto a agropecuária deve recuar 9,2%, para US$ 5,522 bilhões, e a indústria extrativa deve crescer 4,2%, atingindo US$ 14,253 bilhões.
Entre as particularidades destacadas pela AEB, duas chamam atenção. Pela primeira vez na história do comércio exterior brasileiro, dois produtos — soja em grão e petróleo bruto — poderão ultrapassar US$ 50 bilhões cada um em exportações em 2026, disputando entre si a posição de maior produto exportador do País que, pelo segundo ano consecutivo, deve permanecer com o petróleo. As exportações de soja em grão deverão atingir ainda novo recorde de volume, com 126 milhões de toneladas embarcadas, aumento de 14% ante o recorde anterior de 108 milhões registrado em 2025
Juntas, soja, petróleo e minério de ferro são projetadas em US$ 141,204 bilhões, correspondendo a 36,6% das exportações totais do Brasil — participação superior aos 33,6% apurados em 2025. A AEB observa que todos os 15 maiores produtos em valor exportados pelo País são commodities, com os automóveis fora da lista devido a problemas na Argentina, à agressividade comercial chinesa e aos custos elevados do Brasil.
Déficit recorde nos manufaturados
Entre muitos pontos de atenção, o presidente-executivo da entidade destaca o déficit recorde da balança comercial de produtos manufaturados, projetado em US$ 143 bilhões este ano.
“Trata-se de uma escalada que passou de US$ 108 bilhões em 2023 para US$ 131 bilhões em 2024 e US$ 134 bilhões em 2025. A manutenção desse resultado negativo gera exportação de emprego e importação de desemprego. São mais de 4 milhões de postos de trabalho que escapam do Brasil. É um cenário devastador para nossa economia,” sentencia Castro.
A projeção cambial para 2026 aponta oscilação entre R$ 4,30 e R$ 5,30, com taxa mediana de R$ 5,00. No ranking mundial, o Brasil deverá permanecer na 26ª posição em exportação e na 25ª em importação. “Essas colocações são incompatíveis com o porte da economia brasileira,” lamenta o executivo da AEB.
Apesar do superávit total projetado em US$ 94 bilhões, a AEB destaca que apenas as exportações líquidas de soja e petróleo são estimadas em US$ 107 bilhões — valor que, por si só, supera o saldo de toda a balança comercial, evidenciando a concentração da pauta exportadora em commodities.
A entidade sustenta que o futuro do comércio exterior brasileiro depende da aprovação de reformas estruturais e de iniciativas para a redução do Custo Brasil, que tem se tornado ainda mais robusto.
“Sem esses avanços, o Brasil continuará sendo um grande exportador de commodities e grande importador de produtos manufaturados. A Reforma Tributária já superou seu primeiro obstáculo no Congresso Nacional, mas há outros desafios que precisam ser ultrapassados para que novos horizontes se abram para o comércio exterior e a economia como um todo,” pontua Castro.
(*) Com informações da AEB







