SIAL Canadá confirma avanço brasileiro no mercado norte-americano e amplia protagonismo da CCBC nas conexões comerciais entre os dois países
Da Redação (*)
Brasília – Em meio à reorganização do comércio internacional, a SIAL Canadá 2026 evidenciou o avanço das empresas brasileiras no mercado norte-americano e consolidou um novo momento nas relações comerciais entre Brasil e Canadá. A combinação entre guerra comercial, mudanças nas rotas logísticas globais e a necessidade canadense de reduzir a dependência dos Estados Unidos tem levado o país a buscar novos fornecedores — cenário que vem abrindo espaço para produtos brasileiros.
A participação brasileira na edição de 2026 foi organizada pela Câmara de Comércio Brasil-Canadá (CCBC), em parceria com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Invest Paraná, Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB). Em três dias de evento, a delegação brasileira realizou 215 reuniões de negócios e projetou US$ 4,6 milhões em negociações para os próximos meses. Mais do que os números, o evento revelou uma mudança no perfil das negociações e no interesse dos compradores canadenses.
Segundo a gerente executiva de Desenvolvimento de Negócios e Inteligência de Mercado da Câmara de Comércio Brasil-Canadá, Beatriz Calegare, o Canadá vive um momento de diversificação comercial, e o Brasil passou a ser visto como parceiro estratégico nesse processo. “O canadense entendeu que não pode ter dependência dos Estados Unidos e que precisa se diversificar”, afirmou. “O Brasil ganha espaço com isso”, emendou.
Empresas brasileiras aumentam participação e representatividade
A avaliação é de que as empresas brasileiras chegaram mais preparadas para discutir exigências regulatórias, logística, distribuição e adaptação de produtos ao mercado canadense. O cenário também tem favorecido pequenos e médios exportadores, especialmente dos setores de alimentos, bebidas e produtos ligados à biodiversidade.
O crescimento da presença brasileira na SIAL reforça essa transformação. Em 2022, o pavilhão nacional tinha 18 metros quadrados e reunia cerca de cinco empresas. Em 2026, o espaço chegou a 100 metros quadrados, concentrando mais de 50 companhias. Entre os destaques estiveram marcas como Natural One e Forno de Minas, além de cooperativas e produtores de cafés, frutas, castanhas e alimentos processados.
A executiva da CCBC também avalia que o atual cenário internacional impulsionou novamente as discussões em torno do acordo entre Mercosul e Canadá, tema que voltou a ganhar força nas negociações comerciais deste ano.
“O acordo ficou parado por muito tempo. Agora existe uma expectativa real de avanço, e isso impacta diretamente o ambiente de negócios.”
Além do agronegócio, setores industriais brasileiros também ampliaram presença nas agendas promovidas pela CCBC paralelamente ao evento. Máquinas, equipamentos, metalmecânico, química e farmacêutica estiveram entre os segmentos participantes das rodadas de negócios e encontros institucionais realizados durante a feira.
CCBC na missão da FIEMG
O fortalecimento das relações entre Brasil e Canadá também passou pela Missão Canadá 2026, organizada pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG), em parceria com Confederação Nacional da Indústria (CNI) e Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex Brasil).
A CCBC atuou como parceira estratégica da missão, apoiando a organização das agendas, a conexão com empresas canadenses e a realização das rodadas de negócios em Toronto e Montreal.
A iniciativa reuniu empresários de setores como alimentos e bebidas, automotivo, metalmecânico, máquinas e equipamentos, química, farmacêutica e mobiliário. Ao longo da programação, foram promovidas reuniões B2B, fóruns empresariais e visitas técnicas, reforçando o papel da CCBC como facilitadora da aproximação entre empresas brasileiras e o mercado canadense.
(*) Com informações da CCBC







