Tarifas estão redesenhando as regras do comércio global, aponta relatório da Infios

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Nova pesquisa mostra que tarifas estão se tornando uma variável de execução em tempo real, levando líderes a experimentar novas rotas, mudar modais de transporte e transformar a conformidade em vantagem competitiva

Da Redação (*)

Brasíoia – A Infios, líder global em execução inteligente de cadeias de suprimentos, publicou hoje um novo relatório de pesquisa proprietária, “The Rise of the Tariff-Optimized Supply Chain: Inside the New Rules of Global Trade”, que demonstra como a política tarifária dos EUA em 2025 provocou uma ruptura estrutural no comércio global e mudou permanentemente a forma como as empresas executam suas cadeias de suprimentos.

Com base em análise ano a ano¹ de mais de um milhão de registros de importação americanos, o relatório conclui que as tarifas deixaram de ser uma linha de custo previsível. Elas são uma variável de execução ativa, gerenciada pelas empresas por meio de classificação, seleção de modal, roteamento, armazenagem e sequenciamento financeiro.

“Na Infios, um dos nossos princípios norteadores é o Thinking Ahead — ajudar os clientes a antecipar mudanças em vez de reagir a elas após o fato”, afirmou Ed Auriemma, CEO da Infios. “Esta pesquisa evidencia como os padrões do comércio global estão evoluindo e onde as empresas estão ajustando rotas, modais de transporte e estratégias de execução em resposta a esse cenário. As organizações que identificarem essas mudanças cedo e responderem com agilidade estarão mais bem posicionadas para garantir uma execução sem interrupções.”

O relatório identifica duas fases distintas de resposta. No período de choque inicial, os importadores experimentaram o chamado “panic routing” — mudanças emergenciais de modal e surtos temporários de uso do United States-Mexico-Canada Agreement (USMCA). A faixa de alíquotas acima de 50%, praticamente inexistente antes de 2025, disparou antes de se estabilizar em um patamar menor, porém ainda elevado.

Com a urgência sobrepondo-se à disciplina de custos, as participações do frete aéreo e do frete rodoviário aumentaram, tornando a velocidade a prioridade central. Com o tempo, os comportamentos que se consolidaram resultaram em um redesenho estrutural e deliberado da execução do comércio global.

“O que estamos observando não é apenas uma mudança nas fontes de fornecimento ou no mix de fornecedores. É uma transformação fundamental na forma como o comércio é executado”, disse Don Mabry, SVP, Global Trade Solutions da Infios. “As tarifas introduziram um nível de volatilidade que as empresas não conseguem mais gerenciar com ajustes periódicos ou processos manuais. As organizações capazes de perceber mudanças cedo, avaliar opções rapidamente e reconfigurar seus caminhos de execução vão superar aquelas que operam em sistemas rígidos e de caminho único, projetados para um mundo mais estável. As organizações que tratam a execução comercial como uma disciplina dinâmica — e não como uma função de retaguarda — são as que estão conquistando vantagem competitiva duradoura.”

Entre os principais achados, destacam-se:

  • As alíquotas efetivas chegaram a ser de 20% a 80% mais altas em algumas categorias devido ao acúmulo de tarifas (tariff stacking).
  • O frete aéreo aumentou aproximadamente 12 pontos percentuais e permaneceu elevado, enquanto o frete marítimo caiu cerca de 10 a 12 pontos sem recuperação, sinalizando que a escolha do modal passou a funcionar como seguro contra riscos de política comercial, não apenas como otimização de custos.
  • O frete rodoviário cresceu aproximadamente 8 pontos, refletindo o movimento sustentado de nearshoring e a demanda por cadeias de suprimentos mais estáveis e de menor distância.
  • O uso de armazéns alfandegados (bonded warehouses) saltou de aproximadamente 10% para 16–18% dos registros e continuou crescendo, sinalizando que o diferimento de tributos aduaneiros se tornou prática corrente.
  • A complexidade de classificação na Harmonized Tariff Schedule (HTS) praticamente dobrou, passando de cerca de 6 para 11,6 sequências por registro — levando muitas organizações para além do que os fluxos manuais de conformidade conseguem suportar.
  • O valor dos embarques cresceu aproximadamente 78%, enquanto o número de registros caiu cerca de 7%, indicando consolidação e um “frete mais inteligente”, não um recuo no comércio.

Cadeia de suprimentos em movimento

Nem toda a redistribuição de fontes de fornecimento ocorreu da mesma forma. Bens de consumo e manufatura leve diversificaram-se em relação à China; produtos químicos de especialidade e componentes industriais permaneceram dependentes de suas origens habituais, independentemente da exposição tarifária. Ao mesmo tempo, corredores comerciais inteiramente novos surgiram, enquanto outros entraram em colapso sob a pressão das políticas adotadas.

Os dados revelam um cenário de cadeia de suprimentos em movimento: novos corredores se abrindo, rotas inviáveis sendo abandonadas e sinais incipientes de relocalização industrial — fazendo da inteligência de rotas um ativo estratégico, e não um detalhe logístico secundário.

A análise da Infios conclui que esta não é uma história de fornecimento, mas de execução. Em um ambiente de política comercial volátil, a flexibilidade supera a eficiência, e a precisão na execução é determinante. As empresas que prosperam serão aquelas capazes de perceber mudanças cedo, avaliar opções rapidamente e reconfigurar caminhos de execução antes que as condições as forcem a agir.

O relatório apresenta uma definição consistente para este novo modelo operacional: a tariff-optimized supply chain — cadeia de suprimentos otimizada para tarifas —, que trata as alíquotas como uma variável de execução ativa, gerenciada por meio de classificação, seleção de modal, roteamento, armazenagem e sequenciamento financeiro, em vez de tratá-las como um custo fixo a ser absorvido. Em um ambiente onde a volatilidade é estrutural, essas capacidades serão o que diferenciará os líderes no comércio global.

Para ler o relatório, acesse www.infios.com

¹Períodos de maio a dezembro e de julho a dezembro de 2024 e 2025 foram comparados entre si.

(*) Com informações da Infios

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