Da Redação
Brasília – No primeiro trimestre deste ano, as exportações de automóveis da China para o Brasil cresceram ao ritmo alucinante de 582,00%, totalizaram US$ 771 milhões e responderam por 68,5% das exportações totais chinesas para o Brasil. Pela primeira vez na história do comércio sino-brasileiro, os veículos automotivos lideraram a pauta exportadora chinesa para o país.
Os números são da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério da Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e constituem motivo de grave preocupação para a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), que acompanha com apreensão a crescente presença dos veículos chineses nas ruas e rodovias de todo o país.
Os dados elaborados pelo Comex Vis são mesmo preocupantes. Em igual período do ano passado, a China respondia por 44,3% das importações brasileiras de veículos e neste primeiro trimestre esse percentual cresceu mais de 24%. A China desbancou com ampla margem a Argentina, que durante muitos anos foi o principal exportador de veículos para o Brasil. Neste ano, as vendas argentinas totalizaram apenas US$ 106 milhões, com uma queda de 21,90% e uma parcela de 9,4% nas importações totais de veículos pelo Brasil. Em quanto as vendas argentinas seguiram trajetória de queda, os embarques chineses se multiplicaram quase seis vezes, mais precisamente 58200% em apenas três meses.
Somados, os quatro principais exportadores de veículos para o Brasil (Argentina, México, Alemanha e Estados Unidos) tiveram uma participação de apenas 24,6%, pouco mais de um terço dos embarques realizados pela poderosa indústria automobilística chinesa.
Recorde de exportações chinesas deve ser batido
Mantida essa tendência altista, em 2026, a China deverá suplantar os números já bastante expressivos nas vendas de veículos de passageiros para o Brasil. No ano passado, as importações brasileiras totalizaram US$ 7,4 bilhões, correspondentes a 9,4% das importações totais do país. Desse total, US$ 3,3 bilhões (ou 44,3%) foram exportados pelas produtoras chinesas, que registraram uma alta de 41,40% em todo o ano passado.
Enquanto as vendas chinesas explodiam, as exportações argentinas tiveram uma queda de 27,09%, somaram US$ 1,7 bilhão e responderam por uma fatia de 23,4% do volume global importado pelo Brasil.
Apesar desses números, o avanço consistente e incontornável da sólida e azeitada indústria automobilística chinesa no mercado brasileiro ainda não resultou em perdas significativas para a montadoras brasileiras em sua vizinhança. Pelo menos por enquanto. Até quando não se sabe.
Sem a forte concorrência chinesa, as fabricantes nacionais seguem ocupando lugar de destaque entre os principais fornecedores de automóveis para o mercado sul-americano, o principal para a indústria brasileira em todo o mundo. As vendas para a Colômbia no trimestre encerrado em março somaram US$ 576 milhões (alta de 20,50%) e participação de 10,1% nas exportações brasileiras. Outro parceiro importante, o México, importou US$ 563 milhões, (queda de 21,20% e participação de 9,6%). Já o Uruguai realizou importações no total de US$ 126 milhões no período (queda de 4,4% e participação de 4,0% nos embarques brasileiros). Finalizando o ranking dos cinco principais importadores dos carros nacionais, o Chile comprou US$ 185 milhões, com uma alta de 35,90% sobre o mesmo período de 2025 e participação de 3,1% nas vendas brasileiras.







