Guilherme Pereira (*)
A revolução tecnológica que vivemos hoje vai muito além de máquinas, algoritmos e sistemas inteligentes — ela é, acima de tudo, sobre pessoas e sobre a capacidade de adaptação necessária para acompanhar e protagonizar essa nova era. Segundo a pesquisa mais recente da McKinsey, até 2030, milhões de trabalhadores em todo o mundo precisarão mudar de ocupação ou desenvolver novas competências para permanecerem relevantes no mercado. Trata-se de uma mudança estrutural, que não apenas redefine funções e carreiras, mas que deve se intensificar de forma decisiva nos próximos cinco anos.
Mais do que um alerta sobre o impacto da automação, esses dados reforçam a urgência de se adotar estratégias estruturadas de upskilling e reskilling. Ambas têm se consolidado como pilares de sustentação para empresas de tecnologia que desejam se manter competitivas em um cenário em que inteligência artificial, computação em nuvem, automação de processos e análise de dados redefinem constantemente as funções e exigências do mercado.
O upskilling foca no aperfeiçoamento das competências existentes, ajudando profissionais a dominar novas ferramentas e linguagens tecnológicas que potencializam sua produtividade. É o caso, por exemplo, de desenvolvedores que aprendem novas stacks de programação, analistas de dados que passam a utilizar plataformas de machine learning ou profissionais de marketing que se aprofundam em automação e análise preditiva. Esse processo permite que as equipes evoluam junto com a tecnologia, sem perder sua base de especialização.
Já o reskilling está ligado à requalificação profissional, isto é, preparar colaboradores para novas funções dentro da própria empresa, muitas vezes em áreas completamente diferentes. Em um setor de tecnologia em constante mutação, essa estratégia se tornou crucial. Funções tradicionais estão sendo redesenhadas ou substituídas por novas posições, como engenheiros de IA, especialistas em cibersegurança, arquitetos de nuvem ou analistas de dados éticos. Requalificar profissionais internos reduz o tempo e o custo de contratação externa e, ao mesmo tempo, fortalece a cultura de aprendizado e retenção de talentos.
Empresas que compreendem essa lógica e tratam o desenvolvimento de competências como parte de sua estratégia central tendem a se destacar. Quando o upskilling é conduzido de forma contínua e planejada, ele amplia a produtividade e fortalece a autonomia dos times. O reskilling torna-se decisivo para mitigar a escassez de talentos especializados, sendo esse um desafio crescente no ecossistema tecnológico global.
Essa visão também redefine o papel das lideranças. Mais do que conduzir projetos pontuais de treinamento, líderes precisam consolidar o aprendizado como prática cotidiana, incorporando o desenvolvimento de competências ao próprio fluxo de trabalho. Afinal, as transformações mais duradouras não acontecem de fora para dentro, mas de dentro para fora, a partir das pessoas, de suas atitudes e exemplos.
Líderes que compreendem essa dinâmica tendem a criar times mais engajados, colaborativos e inovadores. Colaboradores que enxergam o aprendizado como parte da jornada profissional constroem um ambiente mais ágil e preparado para a mudança constante. E essa mentalidade, mais do que qualquer tecnologia, é o que diferencia as organizações que evoluem daquelas que apenas reagem.
O impacto das tecnologias emergentes dependerá menos do avanço das máquinas e mais da capacidade humana de acompanhá-las. Upskilling e Reskilling são, portanto, estratégias seguras para garantir que a inovação tecnológica caminhe lado a lado com o desenvolvimento humano — e para que a próxima onda tecnológica seja impulsionada não apenas por códigos, mas por pessoas preparadas para reinventá-los.
(*) Guilherme Pereira é diretor de Inovação da Alura + FIAP Para Empresas, solução de educação corporativa que apoia organizações de todos os tamanhos e segmentos na transformação de carreiras e negócios.







