Da Redação
Brasília – Apesar do tarifaço imposto pelo presidente Donald Trump às exportações brasileiras, Goiás alcançou em 2025 um salto exponencial de 57,00% nas vendas externas para os Estados Unidos, com uma das maiores altas entre todos os estados brasileiros nos embarques para o mercado americano. Apesar dessa alta tão expressiva, a China repetiu no ano passado o forte desempenho dos últimos anos e importou de Goiás praticamente nove vezes mais que os americanos.
O desempenho nas exportações para os dois maiores parceiros foi fundamental para que a balança comercial do estado fechasse o ano passado com números bastante expressivos. Com uma alta de 8,9%, as exportações somaram US$ 13,4 bilhões, correspondentes a 3,9% do volume total embarcado pelo Brasil para o exterior, o que fez de Goiás o oitavo colocado no ranking nacional dos exportadores. Os dados são da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC),
Na outra ponta, as importações somaram US$ 5,4 bilhões, com uma retração de 4,4%, com uma participação de 1,9% no volume total importado pelo país. Com esses números, a corrente de comércio goiana (exportação+importação) totalizou US# 18,8 bilhões (alta de 4,7% comparativamente com o ano de 2024), com um superávit de US$ 8,8 bilhões.
Apesar do aumento expressivo nos embarques para o mercado americano, a China voltou a se destacar, com ampla margem de folga, como principal destino das exportações goianas no período. Com uma alta de 8,50%, as vendas para o gigante asiático somaram US$ 5,8 bilhões, responsáveis por 43,4% das vendas totais brasileiras ao exterior no ano passado.
A exemplo do que aconteceu em 2024, também no ano passado, os maiores parceiros do comercio exterior goiano seguiram ocupando lugar de destaque no ranking Top 10 dos países de destino das vendas externas do estado.
China lidera com ampla margem o Top 10 das exportações de Goiás
Estados Unidos: exportações de US$ 641 milhões (alta de 57,% e participação de 4,8%, inferiores em praticamente nove vezes o total embarcado para a China);
Irã: US$ 392 milhões (aumento de 5,90% e participação de 2,9%;
Vietnã: US$ 328 milhões (redução de 17,90% e participação de 2,4%);
Países Baixos (Holanda): US$ 321 milhões (11,00% e participação de 2,4%)
Espanha: US$ 311 milhões (queda de 19,80% e participação de 2,3%);
Índia: US$ 307 milhões (aumento de 7,00% e participação de 2,3%);
México: US$ 304 milhões (forte aumento de 148,30% e participação de 2,3%);
Indonésia: US$ 290 milhões (queda de 25,20% e participação de 2,2%);
Tailândia: US$ 276 milhões (aumento de 14,80% e participação de 2.1%).
Pauta concentrada em commodities
A pauta exportadora de Goiás reproduz com grande fidelidade o espectro das vendas globais brasileiras para o exterior. A exemplo do Brasil, a pauta exportadora goiana é amplamente dominadas pelos produtos primários, essencialmente commodities agrícolas, de baixo valor agregado e uma participação residual dos produtos manufaturados
Segundo especialistas da Agência Brasileira de Promoção das Exportações e Investimentos (ApexBrasil), Goiás, assim como todos os estados brasileiros, devem buscar uma maior diversificação dos produtos embarcados para o exterior para gerar receitas maiores, mais empregos qualificados e uma maior modernização de seus parques industriais.
Nesse contexto, a ApexBrasil considera fundamental a realização de esforços visando ampliar a internacionalização das empresas goianas. Para isso, a Agência trabalha em conjunto com os entes responsáveis pelo comércio exterior goiano visando facilitar o aceso ao Programa de Qualificação para Exportação, o PEIEX.
O programa é uma iniciativa da ApexBrasil, em parceria com o Sebrae e outras instituições, que oferece capacitação e acompanhamento técnico gratuito para que micro e pequenas empresas brasileiras possam iniciar ou expandir suas exportações de forma planejada, preparando-as para o mercado internacional com diagnóstico, consultorias e elaboração de planos de exportação, visando aumentar sua competitividade global.
Enquanto a internacionalização das empresas goianas segue em ritmo aquém do ideal, e na medida em que o governo federal não consegue promover uma redução expressiva do chamado “Custo Brasil”, que onera e tira competitividade das empresas brasileiras no comércio internacional, Goiás se limitou em 2025 a embarcar para o exterior, salvo raras exceções, principalmente produtos básicos. Os principais produtos exportados foram os seguintes:
- soja: US$ 5,2 bilhões (alta de 12,80% e participação de 38,5% nas exportações totais brasileiras);
- carne bovina: US$ 2,1 bilhões (alta de 25,50% e participação de 15,8%);
- milho não moído: US$ 992 milhões (alta e 21,10% e participação de 7,4%);
- farelos de soja: US$ 894 milhões (queda de 18,00% e participação de 6,7%);
- ferro-gusa, spiegel, ferro esponja: US$ 837 milhões (alta de 2,70% e participação de 6,2%);
- açúcares e melaços: US$ 649 milhões (queda de 18,90% e participação de 4,80%);
- carnes de aves: US$ 518 milhões (alta de 8,40% e participação de 3,9%);
- minérios de ferro e seus concentrados: US$ 504 milhões (alta de 0,80% e participação de 3,80%);
- ouro, não monetizado: US$ 355 milhões (alta de 7,90% e participação de 2,6%);
- gorduras e óleos vegetais: US$ 215 milhões (alta de 32,20% e participação de 1,6%).
China também lidera ranking das importações
Principal mercado para os produtos brasileiros em todo o planeta e também para o estado de Goiás, a China é também, de longe, o país que mais abastece o mercado goiano nos mais diversos setores.
A relação dos maiores exportadores para o estado, segundo dados da Secex/MDIC é a seguinte:
- China: US$ 1,44 bilhão (alta de 4,80% nas importações e participação de 25,2%);
- Alemanha: US$ 658 milhões (retração de 0,30% e participação de 12,3%);
- Estados Unidos: US$ 495 milhões (retração de 23,70% e participação de 9,2%);
- Irlanda: US$ 461 milhões (queda de 4,90% e participação de 8,6%);
- Japão: US$ 335 milhões (alta de 29,10% e participação de 6,3%);
- Tailândia: US$ 327 milhões (alta de 38,50% e participação de 6,1%);
- Índia: US$ 267 milhões (queda de 28,20% e participação de 5,00%);
- Suiça: US$ 226 milhões (queda de 28,20% e participação de 4,20%);
- Rússia: US$ 167 milhões (retração de 27,40% e participação de 3,10%);
- Itália: US$ 136 milhões (aumento de 22,90% e participação de 2,5%).
Importações concentradas em bens industrializados
Grande exportador de commodities agrícolas e minerais, Goiás é, a exemplo do Brasil como um todo, forte importador de produtos manufaturados, principalmente originários da China. Os principais produtos importados pelo estado em 2025, segundo dados da Secex/MDIC foram os seguintes:
- medicamentos e produtos farmacêuticos, exceto veterinários: US$ 1,5 bilhão (queda de 1,00% e participação de 27,1 nas importações totais do estado);
- outros medicamentos, incluindo veterinários: US$ 584 milhões (alta de 14,00% e participação de 10,90%);
- partes e acessórios de veículos automotivos: US$ 576 milhões (alta de 11,40% e participação de 10,70%);
- adubos e fertilizantes químicos: US$ 462 milhões (retração de 36,20% e participação de 8,60%);
- motores de pistão: US$ 211 milhões (alta de 14,50% e participação de 3,9%);
- veículos automóveis de passageiros: US$ 169 milhões (queda de 7,20% e participação de 3,2%);
- máquinas agrícolas: US$ 128 milhões (queda de 23,20% e participação de 2,4%);
- instrumentos e aparelhos de medição, verificação, análise e controle: US$ 119 milhões (alta de 36,80% e participação de 2,2%);
- inseticidas, rodenticidas, fungicidas,herbicidas, etc: US$ 105 milhões (queda de 10,90% e participação de 2,0%);
- Compostos organo-inorgânicos, compostos heterocíclicos: US$ 80 milhões (alta de 3,6% e participação de 1,5%).







