Da Redação (*)
Brasília – Dados elaborados pela Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), com base nos números da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Secex/MDIC), apontam que 2025 encerrou com as importações em elevação e as exportações estáveis. No mês de dezembro, as importações, em receita, somaram US$ 56,98 milhões e 3,58 milhões de pares, incrementos tanto em dólares (+33,6%) quanto em volume (+12%) em relação ao mesmo mês de 2024. No acumulado, as importações somaram US$ 585 milhões e 43,2 milhões de pares, incrementos tanto em receita (+22,5%) quanto em volume (+20,6%) ante 2024.
Respondendo pela maior parte dos calçados importados pelo Brasil, Vietnã, China e Indonésia aumentaram seus embarques para o País ao longo de 2025. No ano, foram importados do Vietnã o equivalente a US$ 287 milhões e 14,43 milhões de pares, altas tanto em receita (+28,2%) quanto em volume (+21,4%) em relação a 2024. Da China, vieram US$ 46,53 milhões e 10,4 milhões de pares, incrementos de 15,7% e de 6%, respectivamente, ante 2024. Já da Indonésia, as importações alcançaram US$ 142,35 milhões e 9 milhões de pares, elevações tanto em receita (+29%) quanto em volume (+32,8%) em relação a 2024.
Impacto do tarifaço nas exportações
No ano passado, as exportações de calçados geraram US$ 958,2 milhões por 103,94 milhões de pares embarcados ao exterior, queda de 1,8% em receita e aumento de 6,7% em volume no comparativo com 2024. No recorte do mês de dezembro, as exportações registraram US$ 72,9 milhões e 9,74 milhões de pares, incrementos de 0,8% em receita e de 24,4% em volume em relação ao último mês de 2024.
O impacto do tarifaço dos Estados Unidos, que aplica, desde agosto de 2025, sobretaxa de 50% ao calçado brasileiro importado pelo país, foi determinante para a baixa performance das exportações. “O resultado só não foi pior, porque embarques para outros países, como Espanha, Paraguai, e Equador aumentaram após o tarifaço”, destaca o presidente-executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira. No entanto, continua o dirigente, “os produtos exportados pelo Brasil para esses países possuem um valor médio menor, o que acabou impactando na rentabilidade dos exportadores”. Em relação a 2024, o preço médio do calçado embarcado pelo Brasil caiu 8%, para US$ 9,20 por par (média de 2025).
Destinos
Principal destino do calçado brasileiro no exterior, os Estados Unidos importaram, em 2025, o equivalente a US$ 211,9 milhões pelo embarque de 10,2 milhões de pares, quedas tanto em receita (-2%) quanto em volume (-1%) em relação a 2024. No recorte de dezembro, as exportações para os Estados Unidos foram de US$ 13,47 milhões e 761 mil pares, quedas tanto em receita (-20,1%) quanto em volume (-23,2%) em relação a dezembro de 2024.
As exportações para o segundo principal destino do calçado brasileiro no exterior também caíram, em receita, em dezembro. Em todo o ano passado, as exportações para a Argentina somaram US$ 179,66 milhões e 13,68 milhões de pares, queda de 11% em receita e incremento de 8,6% em volume no comparativo com os resultados de 2024. Já no recorte de dezembro, as exportações para a Argentina atingiram US$ 4,46 milhões e 394,3 mil pares, quedas tanto em receita (-47,7%) quanto em volume (-31,3%) em relação ao mesmo mês de 2024.
Na terceira colocação do ranking apareceu o Paraguai que, no ano passado, importou o equivalente a US$ 48 milhões pela importação de 9,47 milhões de pares verde-amarelos, incrementos de 12,6% e de 13,6%, respectivamente, ante 2024. No recorte de dezembro, as exportações para o país vizinho registraram US$ 3,76 milhões e 527,28 mil pares, incremento de 75,2% em receita e queda de 2,5% em volume na relação com o mesmo mês de 2024.
Estados exportadores
Em 2025, o Rio Grande do Sul foi o principal exportador do setor calçadista em receitas geradas. No ano, as fábricas gaúchas geraram US$ 457,7 milhões com o embarque de 31,96 milhões de pares, quedas de 5,7% em receita e de 1% em volume ante 2024.
Na sequência, entre os exportadores, apareceram o Ceará (US$ 189,43 milhões e 32,6 milhões de pares, queda de 4,9% em receita e incremento de 8% em volume ante 2024) e São Paulo (US$ 100,98 milhões e 6,7 milhões de pares, incrementos de 10,6% e de 14,7%, respectivamente, ante 2024).
(*) Com informações da Abicalçados









