Beatriz Ambrosio (*)
À medida que o marketing digital avança para um cenário cada vez mais automatizado, uma prática ganha força e deve se consolidar como tendência em 2026: o Founder-Led Marketing. Nos últimos anos, esse movimento tem se destacado especialmente entre startups e negócios digitais, ao propor que o fundador ou CEO assuma um papel estratégico na comunicação da empresa. Na prática, trata-se de tornar a liderança o principal porta-voz da marca, compartilhando ideias, valores, aprendizados e visões de mercado de forma direta e pessoal com o público.
Essa abordagem surge como resposta à saturação do marketing tradicional e à crescente demanda por mensagens mais autênticas em um ambiente dominado por conteúdos genéricos, produzidos em larga escala. Na era digital, marcada pela automação e pela expansão da inteligência artificial, cresce a demanda por conexões reais: as pessoas querem ver quem está por trás das empresas e entender as histórias que deram origem às marcas.
O porta-voz passa a ser a expressão mais legítima dos valores, missão e visão da empresa. Para setores que dependem fortemente de confiança, como fintechs, healthtechs, empresas de SaaS e plataformas B2B, essa atuação contribui diretamente para fortalecer a credibilidade e aproximar a marca do seu público.
Quando líderes assumem protagonismo na comunicação e utilizam suas próprias trajetórias para gerar conteúdo, acabam tornando suas marcas mais humanas. Essa escolha traz benefícios claros: campanhas mais acessíveis, mais eficientes e, sobretudo, mais coerentes com as expectativas do público atual. Ao substituir discursos impessoais por relatos genuínos, esse modelo de comunicação entrega uma profundidade que campanhas tradicionais dificilmente alcançam. Além disso, a presença constante do CEO nos canais digitais amplia a visibilidade da empresa e, ao mesmo tempo, fortalece a reputação pessoal do executivo, criando uma relação direta entre liderança e marca.
Segundo a Dipity Digital, publicações de CEOs no LinkedIn podem gerar até cinco vezes mais engajamento e até sete vezes mais conversão de leads do que posts de perfis institucionais. Isso ocorre porque os algoritmos das redes sociais tendem a priorizar interações humanas e narrativas pessoais, em detrimento da comunicação corporativa tradicional. Num mercado em que a criação de conteúdo por IA se tornou fácil e, por isso, menos valiosa, o relato pessoal de um fundador se transforma em um ativo único e impossível de replicar. Experiências reais, desafios enfrentados e aprendizados da jornada empreendedora geram identificação e engajamento por refletirem vivências autênticas.
Consumidores buscam relações mais humanas com as marcas, e a voz de quem construiu o negócio desde o início tem um papel central nesse processo. De acordo com um relatório da Sprout Social, 70% dos consumidores afirmam se sentir mais próximos de uma empresa quando o porta-voz é ativo nas redes sociais. O dado reforça que essa exposição não está ligada a vaidade, mas à construção de relações mais transparentes e confiáveis. Em vez de depender exclusivamente de campanhas publicitárias de alto custo, fundadores podem usar seus próprios canais para produzir conteúdos que dialoguem de forma direta e relevante com seu público-alvo.
Além de ser mais acessível e eficiente, esse modelo também se traduz em resultados consistentes. Histórias reais conseguem se destacar e criar vínculos mais profundos com o público, e já se reflete em cases conhecidos, como Brian Chesky, da Airbnb, Melanie Perkins, do Canva, e Daniel Ek, do Spotify, que transformaram suas trajetórias pessoais em narrativas capazes de atrair investidores e engajar milhões de usuários. Mais do que promover produtos, esses líderes comunicam propósito e visão.
No Brasil, o avanço da inteligência artificial no marketing tende a intensificar ainda mais essa tendência. Com a facilidade de produzir conteúdo genérico, empresas que apostarem em uma comunicação mais próxima e personalizada terão vantagem competitiva. Para startups e negócios digitais, dar protagonismo ao seu CEO na comunicação representa uma evolução natural da forma de se posicionar no mercado. Em 2026, essa prática deve se consolidar como um diferencial estratégico, e organizações que ignorarem esse movimento podem perder relevância em um cenário onde pessoas se conectam com pessoas.
Portanto, o Founder-Led Marketing se consolida como uma evolução necessária para empresas que desejam se destacar nos próximos anos. Ao assumir um papel ativo na comunicação, fundadores fortalecem a relação emocional com seus públicos e contribuem para uma nova lógica de marketing: mais próxima, mais eficiente e mais humana. A tendência é clara, marcas que valorizam a presença executiva e narrativas reais estarão melhor preparadas para prosperar em um mercado cada vez mais atento à autenticidade e à transparência.
(*) Beatriz Ambrosio é CEO e fundadora da Mention, a primeira e maior plataforma SaaS de Relações Públicas do Brasil. Com uma carreira focada em Relações Públicas e tecnologia, além de um mestrado e doutorado em Comunicação Corporativa, ela tem como objetivo transformar o mercado de RP, tornando-o acessível, mensurável e eficaz. Beatriz busca ampliar as fronteiras da comunicação corporativa, mostrando que é possível alcançar alto impacto e baixo custo, especialmente para startups, PME e profissionais autônomos que sabem que investir em reputação é essencial para o crescimento.







