O que inovação tem a ver com ESG? Veja iniciativas adotadas por 3 grandes empresas

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Juntas, as três letras, que significam meio ambiente, social e governança, impulsionam a inovação nas empresas. Conheça iniciativas adotadas na Suzano, Natura, 3M e Siemens

Brasília – As empresas têm adotado, cada vez mais, práticas que as direcionem a um futuro sustentável. Ao investir em ações que contribuem com o meio ambiente, o social e a governança, elas aprimoram negócios e ganham credibilidade junto a investidores e consumidores. A preocupação com esses impactos também torna as empresas mais inovadoras. Afinal, reduzir emissões de carbono, ampliar a diversidade entre colaboradores e aprimorar a transparência de ações significa pensar em formas de melhorar e resolver problemas do dia a dia. E isso é fazer inovação.

Pesquisa realizada em 2021 pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) em parceria com o Instituto FSB mostrou que 81% das empresas entrevistadas consideravam ESG um tema importante e 55% esperavam aumentar investimentos em ações sustentáveis nos anos seguintes. No entanto, também apontou que 72% dos executivos ainda estavam pouco ou nada familiarizados com a sigla, cujas letras, traduzidas do inglês, significam ambiental, social e governança.

Para a diretora de Inovação da CNI, Gianna Sagazio, investir em ESG dá às empresas a oportunidade de tornar seus negócios mais sustentáveis e inovadores. “Vivemos um contexto desafiador como sociedade, cujos impactos atingem profundamente o Brasil e o planeta. As empresas que adotam um conjunto de parâmetros e valores éticos de ESG desenvolvem uma relação mais saudável com a sociedade e se preparam para os urgentes desafios do planeta”.

Suzano: iniciativas sociais e bioeconomia

As empresas que incorporam o ESG a seus negócios não só adotam os pilares nas decisões diárias, como estabelecem metas a curto, médio e longo prazos. É o caso da Suzano, produtora de papel e celulose. Desde 2020, as iniciativas sociais da empresa tiraram 29.633 pessoas da pobreza nas áreas em que a Suzano mantém operações. A meta é chegar a 200 mil pessoas até 2030.

No mesmo sentido, por meio do programa “Cadeia de Valor Suzano” no “Projeto Cerrado”, com a inclusão do componente social na contratação de colaboradores e prestadores de serviço, a Suzano contribuiu para a retirada de mais de 4 mil pessoas da linha da pobreza na região, em 2022.

Marcela Porto, diretora de Comunicação e Sustentabilidade da Suzano, acredita que a agenda ambiental impacta diretamente as pautas sociais e ambas são urgentes e transformadoras. Outra meta da empresa é ter 30% de mulheres em cargos de liderança até 2025. Desde 2021, a presença feminina nesses postos aumentou 4,9 pontos percentuais e chegou a 24,3% por meio de um programa de aceleração de carreira.

Segundo a diretora, a empresa vive a agenda de sustentabilidade no dia a dia e acredita na capacidade de inovar e de otimizar recursos disponíveis

“A combinação de proteção a áreas nativas aliada à expansão de áreas plantadas de eucalipto e à oferta de produtos de origem renovável contribui para ajudarmos a remover gases de efeito estufa da atmosfera e descarbonizar a economia global a partir da substituição de produtos de origem fóssil”, diz. 

A empresa também tem iniciativas em bioeconomia, com projetos de circularidade no processo industrial. Além disso, atua na reciclagem e biodegradação de materiais como premissas para o desenvolvimento de novos produtos. Outras iniciativas são encontradas na produção de fios têxteis de celulose microfibrilada, matéria-prima para uma fibra 100% renovável, além do desenvolvimento de bio-óleo a partir da biomassa de eucalipto.

“O mesmo olhar ESG guia nossos estudos sobre novas aplicações para a celulose no mercado de embalagens, em substituição ao plástico, no planejamento logístico para abastecer nossas fábricas e escoar nossos produtos, na forma como nos relacionamos com as comunidades vizinhas às nossas operações ou no papel que desejamos ter na construção da bioeconomia global”, explica Marcela.

Natura: biodiversidade e 73% de mulheres no time de cientistas

Com papel fundamental na estratégia de inovação da Natura, a Amazônia é a principal plataforma de pesquisa da empresa. “Já desenvolvemos 42 bioingredientes e, junto com as comunidades da nossa cadeia, contribuímos para conservar mais de 2 milhões de hectares de Floresta Amazônica”, conta Angela Pinhati, diretora de Sustentabilidade da Natura & Co América Latina.

Angela explica que a Natura une o desenvolvimento de produtos a partir da prospecção de ingredientes da biodiversidade, o acesso ao conhecimento tradicional das comunidades e ciência avançada para criar fórmulas naturais com tecnologia e ativos potentes para os cuidados de beleza. “Nossas práticas de ESG englobam, por exemplo, tecnologia, empoderamento das consultoras da Natura, circularidade e soluções regenerativas, e neutralidade de emissões de carbono rumo a um cenário de emissões líquidas zero”.

Foi ainda em 1983 que a Natura passou a alinhar os negócios sob os princípios de ESG, o que fez da empresa pioneira na adoção de refis. Segundo Angela, a ação utilizada pela Natura há 40 anos evitou a geração de 6,1 mil toneladas de emissões de gases de efeito estufa e de 2,3 mil toneladas de resíduos no último ano.

Além disso, Ângela destaca que os consumidores estão cada vez mais atentos ao impacto das escolhas sobre o mundo.

“Atualmente, 95% do portfólio da Natura é vegano e nosso índice de naturalidade das fórmulas é de 94%. Nossos cosméticos são desenvolvidos sem a utilização de testes em animais e buscamos materiais renováveis para as embalagens, como o plástico verde”, explica. 

Recentemente, a Natura atualizou o programa “Compromisso com a Vida 2030” com metas focadas na América Latina. Entre as metas nos cenários ambiental, social e de governança estão contribuir com a conservação e regeneração de 3 milhões de hectares de floresta amazônica, chegar a 55 bioingredientes da sociobiodiversidade amazônica e aumentar em quatro vezes as compras de insumos da sociobioeconomia amazônica, na comparação com 2020. A inovação sustentável promovida pela Natura também conta com um time de 260 pesquisadores e cientistas, sendo 73% mulheres.

Quando o assunto é circularidade, 81% de todo o material de embalagens da Natura já é reutilizável, reciclável e compostável, mas a meta é chegar a 100% até 2030. Além disso, ações de inclusão da empresa preveem a meta de alcançar 25% de pessoas negras em posições gerenciais até 2025 e 30% até 2030.

3M: Amamentação na empresa e redução do plástico até 2025

Empresa de ciência, inovação e tecnologia, a 3M está empenhada em fortalecer iniciativas sociais em ESG também para as colaboradoras mães. Em agosto, a 3M inaugurou na fábrica de Itapetininga, em São Paulo, mais uma sala de amamentação para apoiar o aleitamento. Espaços assim já existiam nas fábricas de Sumaré e Ribeirão Preto (SP), e em Manaus (AM). Até agora, 167 trabalhadoras já foram beneficiadas.

“As metas e métricas ambientais, sociais e de governança da 3M refletem um compromisso ainda maior com o pensamento holístico sobre como nosso pessoal, produtos e operações podem contribuir para um futuro melhor. Nossa grande missão é melhorar a vida das pessoas”, destaca o líder de Sustentabilidade da 3M no Brasil, Marcelo Gandur.

Na esfera ambiental, Gandur explica que, diante do crescimento do comércio eletrônico e dos serviços de entrega em domicílio, por exemplo, a 3M buscou tornar as embalagens recicláveis. Uma das metas da empresa é reduzir o uso de plástico em 57 mil toneladas até 2025. Em 2022, a empresa lançou embalagem plástica 100% produzida com material reciclado e apoia um projeto que beneficia mais de 300 coletores de plástico em comunidades costeiras.

“Quando a 3M estabelece metas, elas são fundamentadas na ciência. Exigimos que desenvolvamos a ‘matemática por trás do caminho’, garantindo que os planos para alcançar nossos objetivos sejam baseados em tecnologias atuais ou emergentes”, afirma.

Segundo Gandur, as empresas têm adotado um modelo em que as metas financeiras e de sustentabilidade estão relacionadas. “Investidores e acionistas estão analisando cada vez mais de perto as estratégias de ESG e os históricos das empresas, bem como seu risco climático relativo. O que eles estão descobrindo é que as empresas com forte desempenho ESG estão superando aquelas que não o fazem”, diz.

Entre as atuais metas da 3M em ESG estão mudar as operações globais para 100% de fontes renováveis até 2050 e manter ou alcançar 100% de equidade nos salários da empresa globalmente.

Em governança corporativa, Gandur ressalta que os princípios orientam a empresa a fazer negócios diariamente. “Eles fornecem uma estrutura que define as funções, direitos e responsabilidades de diferentes grupos dentro da organização, o papel do Conselho na supervisão de riscos, o envolvimento com políticas públicas e o compromisso da 3M com a sustentabilidade”, finaliza.

Siemens: menos 150 milhões de toneladas de CO2 e equidade de gênero

A inovação está no DNA da Siemens. Ainda no século XIX, o alemão Werner von Siemens, um dos fundadores da empresa, inventou o telégrafo de ponteiro, uma inovação de produto com melhorias em relação ao telégrafo original, que exigia conhecimento em código morse.

“Com convicção de que inovações como esta tinham potencial de transformar a vida na sociedade, Siemens almejava a sustentabilidade da empresa. Já naquele período, ele introduziu conceitos como a participação dos funcionários nos lucros da companhia, fortalecendo no trabalho o princípio de pertencimento e estimulando o impulso de trabalhar por propósitos”, conta José Borges Frias Jr, head de Inovação Corporativa.

Borges conta que a empresa foi a primeira a obter, no Brasil, a certificação ISO 9000, em 1989, norma relacionada à gestão de qualidade. “Ao dar transparência de seus processos de qualidade, a Siemens inovou e, em certa medida, influenciou seu campo de atuação na indústria, contribuindo para a governança de diversos negócios”, diz.

Ele também explica que priorizar princípios de ESG na empresa impulsiona a inovação e vice-versa. O DEX-Digital Experience Center, localizado na sede da Siemens, em São Paulo, funciona como um ambiente em que soluções digitais inovadoras contribuem para a disseminação de tecnologias, como gêmeos digitais, big data, internet das coisas e também viabilizam projetos de descarbonização, por exemplo.

Um dos focos da Siemens é proteger o meio ambiente a partir da descarbonização de processos industriais. Em 2022, a empresa reduziu as emissões em 67% em comparação com o ano de 2019, como parte da meta de neutralidade até 2030. “Também definimos a meta de atingirmos Net Zero na cadeia de suprimentos até 2050, com redução de 20% até 2030”, diz Borges Frias Jr. Net Zero ou net zero carbon emissions significa reduzir as emissões de gases de efeito estufa na atmosfera.

Segundo Borges, uma das contribuições da empresa está em desenvolver produtos e soluções que ajudem os clientes na descarbonização de operações. No ano passado, evitou-se a emissão de cerca de 150 milhões de toneladas de CO2.

“À medida que a Siemens tem como estratégia contribuir para a sociedade atingir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, todos os resultados da empresa são, de alguma forma, impactados pelas práticas ESG da companhia, como o comprometimento com a descarbonização da economia global”, explica.

Os países-membros da Organização das Nações Unidas adotaram os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) ou Objetivos Globais em 2015. Entre os ODS estão a erradicação da pobreza, fome zero, saúde e bem-estar, educação de qualidade, igualdade de gênero, e indústria, inovação e infraestrutura.

No âmbito social, a equidade de gênero está entre as prioridades da Siemens. “Temos como compromisso atingir 30% de mulheres na alta direção até 2025”, diz o head de Inovação Corporativa.

(*) Com informações da CNI

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