Da Redação
Brasília – “Se me perguntarem onde que acho que está o maior potencial de crescimento do comércio exterior do Brasil, eu responderei sem medo de errar: Índia”. A frase do presidente da ApexBrasil, Jorge Viana, define com precisão a expectativa que o governo brasileiro deposita na viagem que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fará àquele país de 19 a 21 de fevereiro e o alto grau de interesse do governo brasileiro em intensificar as relações comerciais, políticas e de cooperação com os indianos e trabalhar para que ainda neste ano a corrente de comércio bilateral (exportação+importação) suba dos atuais US$ 15 bilhões para US$ 20 bilhões.
A missão também faz parte da estratégia que vem sendo implementada pelo governo brasileiro com o objetivo de estreitar as relações comerciais do Brasil com outros países e blocos econômicos e, com isso, reduzir os efeitos do tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, às exportações brasileiras. No caso específico da Índia, para este ano, se vislumbram grandes possibilidades de aumento das exportações de petróleo, minério de ferro e aviões. Entre especialistas em comércio exterior, a Índia é considerada “a nova China para o Brasil”, tamanhas e tantas são as oportunidades de parcerias e negócios entre os dois países.
É visando esses objetivos que a ApexBrasil vem cuidando com esmero da organização de uma missão que deverá levar mais de 200 empresários brasileiros a Nova Delhi para acompanhar o presidente Lula e prospectar novos negócios. Entre as empresas estarão a Petrobrás, a Vale e a Weg, que já têm a Índia em seus portfólios de negócios e vislumbram perspectivas bastante animadoras para o incremento das exportações para o mercado indiano.
Segundo Jorge Viana, “o presidente Lula está apostando muito nessa viagem”. Ele lembrou que no ano passado, o Brasil exportou US$ 6,9 bilhões para a Índia, com as vendas concentradas principalmente em petróleo (30%; açúcar e melaço (15%); gordura e óleos vegetais (14%) e minério de ferro (6%). “Queremos diversificar a nossa pauta exportadora e, além disso, o presidente Lula quer muito a participação da Embrapa e da pequena agricultura para ajudar os indianos a melhorarem a produtividade dos milhões de pequenos produtores rurais daquele país”.
Na quinta-feira passada (22), Viana já contabilizava quase 200 empresários inscritos para integrar a comitiva presidencial e, segundo ele, “o número final vai passar disso, pois o interesse do setor privado na missão é muito grande. Os executivos dessas empresas vão custear suas passagens e hospedagem e uma parte da agenda será com representantes das maiores empresas indianas que têm investimentos no Brasil e que anunciaram novos recursos a serem destinados ao Brasil para os próximos quatro ou cinco anos”. O presidente também anunciou que a ApexBrasil inaugurará seu escritório na capital indiana, o 20º. A integrar a rede no exterior.
Petróleo, o carro-chefe das exportações e Vale vislumbra alta nas vendas
Em 2025, o petróleo liderou a pauta das exportações brasileiras para a Índia, com vendas totais de US$ 1,9 bilhão (alta de 59,80% comparativamente com 2024, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Secex/MDIC) e há espaços para que neste ano as vendas sejam ainda mais expressivas.
A estratégia da petrolífera brasileira visa consolidar sua posição como fornecedora estratégica para os indianos, ocupando parte do vácuo criado com a redução das importações indianas de petróleo russo e com isso facilitar futuras negociações comerciais com o governo dos Estados Unidos. Com isso, a Indian Oil Corporation (IOC), principal refinaria do país, adquiriu recentemente 7 milhões de barris de Abu Dhabi, Angola e 2 milhões de barris da Petrobras, para carregamento em março.
Essas compras deverão reduzir ainda mais as importações de petróleo russo pela Índia, que em dezembro atingiram o nível mais baixo em dois anos. Essa redução ocorreu após a imposição, por países ocidentais liderados pelos Estados Unidos e pela União Europeia, de sanções comerciais rigorosas contra a Rússia, que afetaram suas capacidades de exportação.
O CEO da Vale, Gustavo Pimenta, deverá chefiar a comitiva que representará a companhia na missão empresarial à Índia. Ano passado, o minério de ferro foi o quarto principal item na pauta exportadora para a Índia e apesar da forte alta de 123,3% nas exportações, comparativamente com 2023, as vendas geraram pouco mais de US$ 442 milhões e a cúpula da empresa apostam num aumento expressivo dos embarques já a partir deste ano. A commodity mineral responde por apenas 6,4% das vendas totais para os indianos, com grande margem de aumento neste e nos próximos anos.
Líder mundial no fornecimento de minérios de ferro para um modelo produtivo mais limpo, a mineradora brasileira quer globalizar seu plano de descarbonização e aposta na Índia como mercado importante para a expansão de seu plano de apoio ao chamado “aço verde”
Nesse contexto, a visita do presidente Lula procurará ampliar e diversificar a pauta exportadora para a Índia, na qual hoje apenas cinco produtos respondem por 70,6% dos embarques totais: petróleo (28,3%); açúcares e melaços (15,7%); gorduras e óleos vegetais (14,1%); minérios de ferro (6,4%); e algodão em bruto (6,1%). A ideia é aumentar a participação de produtos manufaturados na pauta exportadora brasileira, fortemente concentradas em produtos básicos, de baixo valor agregado.
Embraer busca parceria em segurança e aviação comercial
A menos de um mês da viagem do presidente Lula a Nova Delhi, a Embraer deverá anunciar nos próximos dias avanços importantes no fortalecimento de uma parceria destinada a montar aeronaves comerciais da empresa brasileira na Índia.
Ano passado, a Embraer abriu um escritório em Nova Déli e prevê que o país do Sul da Ásia precisará de pelo menos 500 aeronaves com capacidade entre 80 e 146 assentos nos próximos 20 anos. Nesse contexto, a parceria com o conglomerado indiano é vista como impulsionadora de futuros negócios naquele país, envolvendo os segmentos comercial e de defesa. Está no radar da Embraer a potencial instalação na Índia de linhas de montagem final não apenas de jatos comerciais quanto do cargueiro multifunções C-390.







