| Mudanças tarifárias anunciadas no fim de fevereiro ainda não estão refletidas nas estatísticas do comércio bilateral e devem ser percebidas a partir de março.
Da Redação (*) Brasília – As exportações brasileiras para os Estados Unidos totalizaram US$ 2,5 bilhões em fevereiro de 2026, registrando queda de 20,3% em relação ao mesmo mês de 2025, segundo a mais recente edição do Monitor do Comércio Brasil–EUA, elaborada pela Amcham Brasil. Com esse resultado, as exportações brasileiras para o mercado americano acumulam sete meses consecutivos de retração, movimento iniciado em agosto de 2025, quando houve a aplicação pelos Estados Unidos de sobretaxas de importação — entre 40% e 50% — para um amplo conjunto de produtos. Embora a queda tenha sido menos intensa do que nos meses anteriores, o desempenho indica um início de ano marcado por pressões relevantes sobre o comércio bilateral. É importante destacar que as mudanças tarifárias anunciadas no final de fevereiro — após decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que levou ao fim das sobretaxas de 40% e 50% e à adoção de uma nova sobretaxa global de 10% — ainda não estão refletidas plenamente nas estatísticas bilaterais. Como essas medidas entraram em vigor apenas no fim do mês, seus efeitos deverão começar a aparecer no fluxo comercial a partir de março. Exportações no primeiro bimestre registram menor nível desde 2023 No acumulado de janeiro e fevereiro de 2026, as exportações brasileiras para os Estados Unidos atingiram US$ 4,9 bilhões, representando queda de 23,2% em relação ao mesmo período de 2025 — o equivalente a US$ 812 milhões a menos nas vendas. O resultado representa o menor valor para o primeiro bimestre desde 2023, refletindo a combinação entre fatores conjunturais de mercado e o impacto das medidas tarifárias que seguiram afetando parte relevante da pauta exportadora brasileira até o fim de fevereiro. Petróleo, café e produtos afetados por sobretaxas pressionam resultado A retração nas exportações em fevereiro foi influenciada pela forte queda nas vendas de petróleo bruto (-80,7%) e combustíveis derivados de petróleo (-42,2%), ambos produtos isentos de sobretaxas e com peso relevante na pauta exportadora brasileira para os Estados Unidos. O café, igualmente isento de sobretaxas desde novembro, também apresentou queda significativa, de 40% na comparação anual, contribuindo para a redução do valor total exportado no mês. Os produtos sujeitos a sobretaxas de 40% e 50% até o final de fevereiro registraram queda de 27,4% no mês, enquanto produtos impactados pelas tarifas da Seção 232, como itens de madeira, apresentaram retração ainda mais acentuada. “Os dados de fevereiro ainda não capturam os efeitos da redução das sobretaxas decorrente da decisão da Suprema Corte. Será importante acompanhar, nos próximos meses, em que medida essa mudança contribuirá para melhorar o desempenho das exportações brasileiras e o fluxo do comércio bilateral. Ao mesmo tempo, é fundamental que os governos dos dois países avancem em entendimentos para evitar novas restrições comerciais, especialmente no âmbito da investigação da Seção 301”, afirma Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil. Desempenho relativo do comércio bilateral x mundo A análise do desempenho das exportações brasileiras para os Estados Unidos em comparação com outros mercados também evidencia um cenário de desaceleração. No acumulado do ano, apenas três dos dez principais produtos exportados pelo Brasil para os Estados Unidos apresentaram desempenho superior ao observado nas exportações brasileiras para o restante do mundo: carne bovina, equipamentos de engenharia civil e celulose. Em contraste, produtos como semiacabados de ferro ou aço, petróleo bruto, aeronaves e máquinas elétricas registraram desempenho mais fraco nas vendas destinadas ao mercado americano. Déficit brasileiro no comércio bilateral se amplia As importações brasileiras de produtos americanos também registraram retração em fevereiro (-16,5%), marcando o segundo mês consecutivo de queda. Ainda assim, os Estados Unidos permaneceram entre os principais fornecedores do Brasil, embora tenham recuado para a terceira posição entre as origens das importações brasileiras, atrás de China e Coreia do Sul. A queda mais intensa das exportações em relação às importações contribuiu para a ampliação do déficit brasileiro no comércio bilateral. No acumulado de janeiro a fevereiro de 2026, o déficit do Brasil com os Estados Unidos atingiu US$ 900 milhões, aumento de 142,3% em relação ao mesmo período do ano anterior. (*) Com informações da Amcham |







