Icaro Moro (*)
O bloqueio do Estreito de Ormuz representa um risco sistêmico que transcende a barreira geográfica. Mais do que a interrupção física de uma rota, o evento desencadeia um aumento nos preços do petróleo e grande impacto nos fretes globais, com atrasos e aumento dos custos. Esse ‘efeito dominó’ desestabiliza cadeias de suprimentos mesmo em rotas que não cruzam a região — como o fluxo comercial entre China e Brasil —, e impacta severamente o planejamento e os ciclos de receita dos importadores. Todo esse cenário evidencia a vulnerabilidade logística e financeira dos importadores diante da instabilidade no Oriente Médio.
Somados aos desafios logísticos, os preços dos produtos chineses exportados também tendem a sofrer reajustes significativos, ocasionados pela crise energética que este bloqueio pode desencadear no país. Como a China é a maior importadora global de petróleo e depende amplamente do fluxo proveniente do Golfo Pérsico, qualquer bloqueio em Ormuz eleva os custos de manufatura e de eletricidade no país. Esse contexto força os exportadores a repassarem a inflação de custos aos preços finais das mercadorias, encarecendo, desta forma, a maioria das importações brasileiras – visto que a China é nosso maior parceiro comercial.
Considerando este contexto, pequenas e médias empresas (PMEs), que carecem de contratos de longo prazo com preços prefixados, devem ser as mais afetadas e expostas à essa volatilidade. O impacto logístico vai além do simples atraso; navios podem ser retidos em portos aguardando autorização, elevando custos operacionais que levam fornecedores chineses a priorizar grandes compradores. Para o pequeno e médio importador, isso cria uma barreira de entrada e perda de competitividade, forçando-o a recorrer ao mercado nacional, muitas vezes mais caro.
Para mitigar esses impactos e garantir a continuidade das operações, o seguro de crédito da Sinosure (China Export & Credit Insurance Corporation) surge como uma ferramenta de resiliência financeira indispensável. Além de permitir prazos de pagamento estendidos (90 a 120 dias), preservando o capital de giro para absorver fretes inflacionados, a Sinosure oferece ao importador brasileiro uma alavancagem estratégica nas negociações: diferente de ordens de compra não asseguradas, que ficam vulneráveis a revisões constantes e alterações de preços por parte dos fornecedores diante da volatilidade, as operações com Sinosure garantem o pagamento ao exportador chinês, fazendo com que o importador ganhe maior poder de barganha para discutir preços, volumes e termos comerciais, mesmo em tempos de crise. Assim, a Sinosure deixa de ser apenas uma garantia financeira para se tornar um pilar de sustentação para parcerias de longo prazo, protegendo a liquidez e a viabilidade competitiva das empresas brasileiras frente à volatilidade global.
(*) Icaro Moro, gerente nacional de crédito à importação na Axton Global







