Marcelo Vitali, diretor da consultoria How2Go no Brasil

Acordo UE-Mercosul amplia competitividade de exportações brasileiras e beneficia consumidores dos dois blocos, diz especialista

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Para especialista, redução tarifária, harmonização regulatória e abertura gradual de mercados criam oportunidades imediatas para frutas e ganhos estruturais para setores como agronegócio, químico e indústria

Da Redação

Brasília –  O acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul representa uma das mais amplas iniciativas de integração econômica já firmadas entre os dois blocos e deve gerar impactos relevantes tanto para empresas quanto para consumidores. Além da liberalização tarifária, o tratado prevê harmonização de regras e procedimentos, um fator considerado decisivo para a intensificação do comércio internacional. A análise é de Marcelo Vitali, diretor da consultoria How2Go no Brasil.

O executivo ainda afirma que o acordo amplia a capacidade de competição das empresas brasileiras no mercado europeu, inclusive com novas linhas de produtos. “É um acordo muito abrangente, que não trata apenas de tarifas, mas também de harmonização regulatória, o que é extremamente relevante no comércio exterior”, afirma.

Um dos efeitos mais imediatos deve ocorrer no setor de frutas frescas. Hoje, produtos brasileiros como manga e uva enfrentam tarifas para entrar na União Europeia, enquanto concorrentes de outros países já operam com isenção. “Assim que o acordo for aprovado e sancionado pelos dois blocos, a redução tarifária para frutas frescas passa a valer, o que torna a fruta brasileira mais competitiva no mercado europeu”, explica Vitali.

Ganhos relevantes para os dois blocos

A How2Go conduziu recentemente um estudo para a Federação Espanhola de Alimentos com o objetivo de mapear os setores com maior impacto potencial do acordo. A análise aponta que o agronegócio brasileiro tende a ganhar espaço, não apenas em frutas, mas também em grãos, açúcar, café e alimentos industrializados. Do lado europeu, segmentos como vinhos e lácteos devem se beneficiar de uma abertura gradual do mercado do Mercosul, com redução progressiva das tarifas de importação.

Para o especialista, o acordo não favorece apenas empresas, mas também consumidores dos dois lados. “O consumidor brasileiro tende a ter maior acesso a produtos europeus hoje altamente taxados, como vestuário, eletrônicos e perfumes. Da mesma forma, o consumidor europeu se beneficia de produtos brasileiros mais competitivos”, afirma.

Setores menos visíveis ao consumidor final também aparecem como potenciais beneficiados. É o caso da indústria química, altamente integrada em cadeias globais. “A União Europeia importa volumes relevantes de insumos químicos, e o Brasil tem empresas relevantes nesse segmento. Além da redução tarifária, a harmonização de regras e certificações pode reduzir custos e facilitar o acesso ao mercado europeu”, destaca Vitali.

Apesar da resistência de parte do setor agrícola francês, o diretor da How2Go avalia que o peso econômico desse segmento é limitado dentro do conjunto da economia europeia. “Há interesses industriais e estratégicos muito maiores em jogo. Para a União Europeia, o acordo com o Mercosul é uma alternativa importante em um cenário de reconfiguração do comércio internacional”, diz.

Nesse contexto, Vitali aponta que o acordo também abre espaço para uma diversificação de mercados por parte do Brasil, inclusive como forma de mitigar impactos recentes sobre setores industriais afetados por barreiras comerciais em outros mercados. “São processos de médio e longo prazo, mas a parceria com a União Europeia cria uma nova rota de integração comercial para os dois blocos”, conclui.

 

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