Durante a Brazil Week, em Toronto, delegação brasileira apresenta potencial brasileiro a negociadores canadenses para expandir participação do país em um mercado que importa mais de US$ 500 bilhões ao ano.
Da Redação (*)
Brasília – O governo brasileiro e o setor produtivo intensificaram nesta semana as tratativas para a conclusão do Acordo de Livre Comércio entre o Mercosul e o Canadá. Durante a Brazil Week, realizada em Toronto, autoridades e empresários debateram estratégias para diversificar a pauta de exportações e ampliar a presença de produtos e investimentos brasileiros no mercado canadense, que atualmente importa mais de US$ 500 bilhões anuais. Hoje, a fatia do Brasil nesse mercado é de apenas 1,3%.
A urgência em finalizar o tratado comercial foi o tema central das discussões bilaterais. O presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), Laudemir Müller, que lidera a delegação nacional no evento, destacou o empenho em estreitar laços com a contraparte canadense, que tem suas tratativas conduzidas por Aaron Fowler, Diretor-Chefe de Negociação do Acordo Mercosul–Canadá.
“A ideia é, principalmente, acelerar, criar um bom ambiente para que o Acordo Mercosul-Canadá possa ser finalizado logo”, afirma. “O contexto geopolítico atual, marcado pela instabilidade nas cadeias globais e pelas recentes tarifas impostas pelo atual governo dos Estados Unidos a ambos os países, reforça a necessidade de diversificação”. Segundo o presidente da ApexBrasil, o cenário gera nova oportunidade tanto para o comércio quanto para investimentos.
Agronegócio, orgânicos e o valor da sustentabilidade
Em 2025, o comércio bilateral entre os países somou US$ 10,4 bilhões, mas as exportações do Brasil continuam altamente concentradas, com ouro e alumina representando mais de 65% do total vendido ao país norte-americano. A conclusão do acordo tarifário tem como meta abrir espaço competitivo para produtos de maior valor agregado.
A estratégia comercial mira a expansão das vendas de carne bovina de alta qualidade, frutas, orgânicos e itens naturais da sociobiodiversidade amazônica. A base dessa expansão é a complementaridade econômica: o Canadá é um fornecedor estratégico de fertilizantes, enquanto o Brasil consolida-se como potência global em agricultura tropical.
Transição energética e processamento de minerais críticos
O setor industrial, com foco na cadeia de minerais críticos, forma o outro pilar de possibilidades. Essenciais para a transição energética global — cuja demanda deve quadruplicar até 2040 —, esses recursos têm no Brasil um de seus maiores expoentes mundiais, com destaque para a segunda maior reserva global de terras raras.
A recém-sancionada Política Nacional para Minerais Críticos estabelece segurança jurídica e estabilidade para atrair o capital estrangeiro. O objetivo é romper com o modelo restrito à extração mineral bruta e focar no processamento tecnológico.
O Canadá, que abriga o principal polo de financiamento à mineração do mundo, demonstrou receptividade. “Eles estão muito interessados naquilo que o Brasil quer, que é construir no Brasil uma indústria de processamento e de agregação de valor dos minerais críticos e dos minerais raros, que a nossa legislação acabou de trazer”, explica Laudemir Müller. “Eu acho que isso é uma grande oportunidade, eles têm alto interesse, e o Canadá pode ser um grande parceiro para desenvolver essa indústria no Brasil”.
Expansão além das commodities
O esforço em Toronto também envolve captar uma fatia maior do capital canadense. Apesar de ser o terceiro maior destino de investimentos diretos estrangeiros no mundo, o Brasil recebe atualmente apenas 1% dos mais de C$ 2,4 trilhões que o Canadá mantém investidos no exterior.
Para reverter esse quadro, a ApexBrasil articula parcerias que vão além da indústria pesada e do agronegócio, englobando tecnologia para agricultura (AgriTech), economia criativa, produção de games, desenvolvimento de softwares e o setor audiovisual. A delegação brasileira reforça que a previsibilidade oferecida por uma matriz elétrica com cerca de 90% de fontes renováveis e a confiança mútua consolidada entre as duas nações formam a base segura para essa integração econômica de longo prazo.
(*) Com informações da ApexBrasil







