Redução das importações e aumento da produção nacional de aço podem gerar quase 20 mil novos empregos diretos no país
Da Redação (*)
Brasília – O encerramento da 36ª edição do Congresso Aço Brasil, na última quarta-feira (30), em São Paulo, foi marcado por um alerta. O Instituto Aço Brasil destacou a ameaça à cadeia metalmecânica com o avanço das importações de “aço contido”. Ou seja, o aço que vem embutido ou incorporado em produtos industrializados importados – entre eles, carros, geladeiras e outros eletrodomésticos –, que já chegam prontos ao país para o consumo ou a entrada em operação, como no caso de máquinas e equipamentos.
Esse cenário representa um desafio adicional para a indústria do aço brasileira, pois as 31 fábricas presentes em quatro das cinco regiões do país, que empregam diretamente 116 mil pessoas, passam a concorrer não só com o aço importado, mas também com produtos manufaturados estrangeiros que já incorporam aço produzido fora do país.
“A cadeia produtiva nacional está sob ataque. O mundo inteiro está tomando decisões para defender seus mercados. Estados Unidos, União Europeia e outros países estão defendendo suas indústrias diante de um cenário de excesso de capacidade. E o Brasil precisa fazer o mesmo: precisa defender o seu parque industrial”, afirmou o Presidente-Executivo do Instituto Aço Brasil, Marco Polo de Mello Lopes, acrescentando: “É importante também reconhecer que avançamos. O governo tomou medidas importantes, fortaleceu os instrumentos de defesa comercial e isso já começou a dar resultado. Mas ainda estamos muito longe do patamar histórico”.
Aço embutido nas importações, a nova ameaça
“A pressão externa está mudando de forma. Não é só o aço que chega diretamente ao Brasil. O aço também está entrando dentro de outros produtos que importamos. Você fecha uma porta e essa pressão aparece em outros pontos da cadeia”, explica Marco Polo.
Mesmo com os avanços recentes, o país deve fechar 2026 cm cerca de 4,9 milhões de toneladas de laminados importados, ou seja, mais que o dobr da média histórica, de 2,2 milhões. O executivo, no entanto, acredita que, se o país conseguir recuperar o mercado interno e criar um ambiente mais favorável à produção nacional, o ano de 2027 pode ser de retomada para a indústria brasileira do aço. Segundo o Instituto, o aumento da produção de aço tem potencial para gerar quase 20 mil empregos diretos no país, lembra Marco Polo.
O executivo acrescenta que é preciso olhar para a cadeia como um todo: manter e aprimorar a defesa comercial, acelerar os processos antidumping e fechar as brechas que vão surgindo. “Avançamos, mas precisamos fazer mais. E defesa comercial não significa fechar o Brasil às importações. Significa garantir condições justas de competição”, defende.
Agenda de longo prazo para país ter indústria forte
No encerramento do Congresso Aço Brasil, André B. Gerdau Johannpeter, presidente do Conselho Diretor do Instituto Aço Brasil e presidente do Conselho de Administração da Gerdau, defendeu uma agenda de longo prazo para fortalecer a competitividade da indústria nacional e afirmou que o Brasil tem condições de competir com a China. O executivo ressaltou que o cenário é difícil, mas não significa que o setor deva recuar. “Dá para competir, mas precisamos encontrar as condições e os meios. Não podemos aceitar que o Brasil não tenha uma indústria forte”, disse.
Johannpeter destacou que o país reúne vantagens como minério de alta qualidade, disponibilidade de sucata, água, energia renovável e um mercado de 218 milhões de consumidores. “Temos que juntar as lideranças das entidades com o governo e fazer esse trabalho. A nossa indústria vai sobreviver”, concluiu.
(*) Com informações do Instituto Aço Brasil







