Chile oferece 1,7 mil oportunidades para produtos brasileiros com tarifa zero, mostra estudo da ApexBrasil

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Estudo da ApexBrasil aponta potencial em máquinas, equipamentos, alimentos e produtos industriais em mercado que importou US$ 93 bilhões em 2025

Da Redação (*)

Brasília – Empresas brasileiras encontram no Chile um mercado próximo, aberto e com condições diferenciadas de acesso. Novo estudo da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) identificou 1.757 oportunidades comerciais para produtos do Brasil no país, especialmente em máquinas e equipamentos, produtos químicos, alimentos, artigos manufaturados e segmentos ligados à mineração, energia e infraestrutura.

O Perfil de Comércio e Investimentos – Chile apresenta o panorama de uma das economias mais abertas e competitivas da América Latina. Em 2025, o país registrou Produto Interno Bruto (PIB) de US$ 357,4 bilhões e importou aproximadamente US$ 93 bilhões em produtos de diferentes mercados.

Acesse o estudo

A relação comercial com o Brasil também é expressiva. O intercâmbio bilateral movimentou US$ 11,8 bilhões em 2025, enquanto as exportações brasileiras para o Chile alcançaram US$ 7,2 bilhões, crescimento de 7,8% em relação ao ano anterior. O Brasil é atualmente o terceiro maior fornecedor do mercado chileno, atrás apenas de China e Estados Unidos.

Entre os principais produtos brasileiros exportados estão petróleo bruto, carne bovina, veículos para transporte de mercadorias, carne suína, autopeças, veículos rodoviários e carnes de aves. A pauta é relativamente diversificada: os três principais grupos de produtos representam cerca de 40,9% dos embarques brasileiros ao país.

Alguns segmentos vêm ampliando sua participação. As exportações brasileiras de carne bovina, por exemplo, cresceram 41,6% em 2025, se comparado com o ano anterior. Produtos industriais, especialmente aqueles relacionados aos setores automotivo e de infraestrutura, também vêm apresentando bom desempenho.

Mineração e energia abrem novas frentes para empresas brasileiras

Das 1.757 oportunidades comerciais mapeadas pela ApexBrasil, parte relevante está concentrada em máquinas e equipamentos de transporte, produtos químicos, artigos manufaturados, produtos alimentícios, equipamentos médicos, móveis, autopeças, produtos elétricos e instrumentos de medição e controle.

O estudo aponta potencial especialmente para equipamentos elétricos, instrumentos de medição, bombas industriais e sistemas de refrigeração e climatização, além de produtos e serviços relacionados à infraestrutura energética e à mineração.

Esse cenário está diretamente ligado ao perfil da economia chilena. Maior produtor mundial de cobre e segundo maior produtor de lítio, o Chile concentra investimentos em setores estratégicos para a transição energética. Projetos relacionados à exploração desses minerais, além da expansão da energia solar, eólica e do hidrogênio verde, ampliam a demanda por máquinas, equipamentos, componentes industriais e serviços especializados.

Para as empresas brasileiras, esse movimento representa oportunidades tanto para ampliar a presença em setores nos quais o Brasil já possui participação relevante quanto para avançar em segmentos de maior valor agregado.

Tarifa zero amplia competitividade dos produtos brasileiros

Além da proximidade geográfica, o acesso ao mercado é um dos principais diferenciais do Chile para os exportadores brasileiros. Desde 2015, todos os produtos brasileiros exportados ao país contam com tarifa de importação zero, resultado dos compromissos estabelecidos no Acordo de Complementação Econômica nº 35 (ACE 35).

A relação comercial ganhou novos instrumentos com o Acordo de Livre Comércio Brasil–Chile, em vigor desde 2022, que incorporou temas como serviços, compras governamentais e facilitação de comércio. O Chile também não aplica atualmente medidas de defesa comercial contra produtos brasileiros.

Nos últimos anos, novas aberturas de mercado ampliaram as possibilidades para o agronegócio nacional. Desde 2023, o Chile autorizou a entrada de produtos brasileiros como abacate, mamão, alimentos para animais, carne suína, material genético de aves, caprinos e ovinos.

Investimentos reforçam integração entre Brasil e Chile

A integração econômica entre os dois países também avança por meio dos investimentos. O Chile é o segundo maior investidor sul-americano no Brasil e, em 2024, o estoque de investimentos chilenos no país chegou a US$ 10,4 bilhões, o maior valor já registrado.

Os recursos estão presentes principalmente em setores como varejo, papel e celulose, alimentos e infraestrutura. Entre os grupos chilenos com atuação no Brasil estão Cencosud, CMPC e Coca-Cola Andina.

Entre os anúncios recentes de maior porte está o investimento de US$ 4,7 bilhões da CMPC em um novo projeto de celulose no Rio Grande do Sul, reforçando a dimensão da relação econômica entre os dois países para além do comércio de bens.

O Perfil de Comércio e Investimentos – Chile reúne dados sobre comércio exterior, oportunidades para produtos brasileiros, acesso a mercado e investimentos, oferecendo informações para empresas interessadas em ampliar ou iniciar sua atuação no país.

(*) Com informações da ApexBrasil

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