Tributação, logística, burocracia, crédito e energia pesam sobre a capacidade das empresas de competir no mercado internacional.
Da Redação (*)
Brasília – O peso invisível que acompanha a produção brasileira até o mercado internacional é o foco de um conteúdo especial da Confederação Nacional da Indústria (CNI) sobre o Custo Brasil. A iniciativa reúne entraves que encarecem a atividade econômica e mostra por que a competitividade também depende das condições oferecidas às empresas para operar.
Para quem atua no comércio exterior, essa discussão começa antes do embarque. A formação do preço envolve recursos para produzir, energia, transporte e cumprimento de exigências. Quando essas etapas ficam mais caras ou menos previsíveis, a empresa precisa rever margens, prazos e condições de negociação com o comprador.
O peso da tributação e os desafios da transição
A complexidade tributária exige das empresas atenção permanente às regras e às obrigações fiscais. Na operação internacional, a previsibilidade desse ambiente é importante para formar preços e planejar contratos sem acumular incertezas ao longo da cadeia.
A reforma tributária do consumo já foi aprovada e está em implementação. Segundo a Receita Federal, 2026 é o ano de testes da CBS e do IBS, e a vigência integral do novo modelo está prevista para 2033. Entre seus objetivos estão a simplificação, a redução da cumulatividade e a desoneração das exportações.
O desafio, portanto, está na transição e na efetivação desses benefícios. A adaptação dos sistemas e das rotinas fiscais precisa acompanhar as mudanças, enquanto as empresas continuam produzindo e atendendo seus clientes.
Gargalos logísticos no caminho da produção
A infraestrutura é outro componente destacado pela CNI. No comércio exterior, a eficiência depende da ligação entre os locais de produção, os meios de transporte e os pontos de saída das mercadorias.
Um atraso em uma dessas conexões pode exigir a revisão de toda a programação. Para o exportador, o impacto pode aparecer no frete, no tempo de espera, na armazenagem ou na dificuldade de cumprir a data negociada. A intensidade desses efeitos varia conforme a carga, a rota e as condições da operação.

Crédito e energia também entram na conta
Os juros e o custo da energia aparecem na campanha da CNI entre os fatores que pressionam a atividade produtiva. Seus efeitos alcançam tanto as despesas correntes quanto as decisões de investimento.
Uma operação pode exigir a compra de insumos e o pagamento da produção antes do recebimento pela venda. Nesse intervalo, as condições de financiamento influenciam o capital de giro. Já a energia integra o custo de produzir e pode pesar na avaliação de novos equipamentos e da expansão da capacidade industrial.
Burocracia e o tempo que custa dinheiro

No comércio exterior, a preparação documental deve acompanhar o planejamento da carga. Informações inconsistentes ou incompletas podem demandar correções e comprometer o cronograma da operação.
Reduzir a burocracia significa tornar as exigências mais claras, evitar repetição de procedimentos e melhorar a integração das informações. A eficiência precisa caminhar com a fiscalização, para que o controle seja realizado com previsibilidade e sem retrabalho evitável.

Caminhos para a competitividade global
A agenda apresentada pela CNI passa por infraestrutura, tributação, financiamento e redução da burocracia, com regras mais claras e estáveis. Para o comércio exterior, o resultado esperado é um ambiente que permita produzir, investir e negociar com maior previsibilidade.
Superar o fantasma do Custo Brasil exige continuidade. A qualidade do produto e a capacidade de conquistar clientes precisam encontrar apoio em uma operação eficiente, da fábrica ao destino internacional.

*Com informações da CNI






