Os números impressionantes que fazem da China, com ampla margem de folga, o maior parceiro comercial do Brasil

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Semestre foi marcado por recordes no comércio de petróleo, minério de ferro, carne bovina e carros eletrificados. Em diversos casos, as exportações de um único produto para a China superaram as vendas totais do Brasil para importantes parceiros comerciais

Da Redação (*)

Brasília – Desde o início da série histórica do comércio exterior brasileiro, em 1997, o intercâmbio entre o Brasil e um de seus parceiros comerciais jamais apresentou números tão expressivos quanto aqueles ligados às trocas comerciais com a China. De janeiro a junho deste ano, as exportações brasileiras para o gigante asiático cresceram 22% e somaram US$ 58,3 bilhões, enquanto as importações aumentaram 8% para US$ 38,5 bilhões.

No período, as trocas comerciais com os chineses geraram para o Brasil um superávit de US$ 19,8 bilhões, correspondentes a 47% do saldo positivo de todas as vendas externas do país nos seis primeiros meses do ano.

Segundo dados do Comex Vis, a plataforma de estatísticas do comércio exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), as exportações para a China seguem trajetória sem paralelo entre os outros grandes parceiros comerciais do Brasil.  De janeiro a junho, as exportações para os Estados Unidos tiveram uma retração e 16%; para a União Europeia, a queda foi de 4,5% e, em relação à Argentina, os embarques brasileiros despencaram 17%.

CCBC aponta os destaques no comércio com a China

•  As exportações do Brasil para a China no primeiro semestre atingiram recorde de US$ 58,3 bilhões para o período, assim como as importações, que chegaram à máxima histórica de US$ 38,5 bilhões.

•  A China foi o principal destino das exportações brasileiras, com participação de 31,6%, quase o triplo do valor exportado para os Estados Unidos, que ficaram em segundo lugar. O país asiático também liderou as importações do Brasil com fatia de 27%, praticamente o dobro da participação americana.

•  O Brasil teve saldo positivo de US$ 19,8 bilhões com a China no primeiro semestre. O superávit com o país asiático respondeu por 47% do saldo positivo de todas as transações do Brasil com o mundo, que chegou a US$ 42,4 bilhões.

•  As exportações de petróleo do Brasil para a China no primeiro semestre chegaram ao recorde de US$ 15,1 bilhões, o equivalente a mais que o dobro das exportações gerais do Brasil para a Argentina (US$ 7,3 bilhões). As tensões no Oriente Médio, de onde tradicionalmente vem a maior parte do petróleo importado pela China, favoreceram a posição do Brasil como uma alternativa estável e confiável no fornecimento do produto. Nesse contexto, março, abril e junho de 2026 registraram os maiores faturamentos mensais das exportações de petróleo do Brasil para a China na série histórica iniciada em 1997.

•  As exportações de soja para a China aumentaram 7% no semestre, atingindo US$ 20,2 bilhões – valor que supera as vendas gerais do Brasil para os EUA (US$ 17,4 bilhões).

•  As exportações brasileiras de carne bovina para a China atingiram US$ 4,8 bilhões no primeiro semestre, um recorde para o período, superando as vendas gerais do Brasil para a Espanha (US$ 4,6 bilhões). A salvaguarda às importações de carne bovina imposta por Pequim no início do ano fez disparar os embarques dos produtores brasileiros para o país até o atingimento da cota, que foi praticamente preenchida em junho.

•  As exportações de minério de ferro para a China alcançaram US$ 9,2 bilhões, alta de 9,4% em relação ao primeiro semestre de 2025. A cifra é mais do que o triplo do valor das exportações gerais do Brasil para o Japão no mesmo período (US$ 2,9 bilhões).

•  As importações de veículos eletrificados chineses, incluindo elétricos, híbridos e híbridos plug-in, somaram US$ 5,35 bilhões no primeiro semestre – mais que o dobro das importações gerais do Brasil vindas da França (US$ 2,6 bilhões). As compras foram impulsionadas pela antecipação de embarques antes da elevação da tarifa de importação para 35%, em vigor desde o início de julho. As compras de carros eletrificados avançaram de forma ininterrupta mês a mês desde março.

(*) Com informações do CCBC

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