Estudo aponta potencial de expansão das exportações brasileiras e destaca oportunidades em sustentabilidade, inovação e investimentos com mercado de alto valor agregado
Da Redação (*)
Brasília – A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) lançou o estudo Perfil de Comércio e Investimentos – Noruega, com um panorama detalhado das relações comerciais e de investimentos entre os dois países. O levantamento evidencia que a Noruega, embora seja um mercado de menor escala em termos absolutos, apresenta elevado poder aquisitivo, estabilidade econômica e forte demanda por produtos sustentáveis e de alto valor agregado, características que ampliam seu potencial estratégico para o Brasil.
De acordo com o estudo, a pauta exportadora brasileira para a Noruega é concentrada em produtos como minério de ferro, alumínio, soja e café, além de itens ligados à indústria de base. Ao mesmo tempo, o país europeu se destaca como fornecedor relevante de produtos ligados à indústria naval, petróleo e gás, fertilizantes e tecnologias voltadas à transição energética, indicando uma relação comercial complementar entre as economias.
Segundo a Inteligência de Mercado da ApexBrasil, há oportunidades concretas para ampliar e diversificar as exportações brasileiras para o mercado norueguês, especialmente em segmentos como alimentos e bebidas, produtos sustentáveis, tecnologia ambiental e bens industriais. O Mapa de Oportunidades da Agência identifica nichos promissores que podem favorecer a inserção de empresas brasileiras em cadeias globais de maior valor agregado, com destaque para produtos com certificação ambiental e rastreabilidade.
Para Gustavo Ribeiro, gerente de Inteligência de Mercado da ApexBrasil, a Noruega se apresenta como um parceiro estratégico não apenas pelo comércio, mas também pelo perfil de investimentos. “O país é reconhecido globalmente por seu compromisso com a sustentabilidade e inovação, o que abre espaço para parcerias em áreas como energia limpa, bioeconomia e tecnologia ambiental. Nesse contexto, o Brasil pode se posicionar como fornecedor competitivo de soluções sustentáveis e produtos alinhados às exigências do mercado europeu” comentou.
Investimentos e cooperação bilateral
Se no comércio a Noruega é um parceiro ainda tímido, quando se trata de investimentos estrangeiros, o cenário não se repete. O país figura entre os principais investidores estrangeiros no Brasil, o estoque de IED da Noruega no Brasil atingiu US$12,7 bilhões em 2024. Dessa forma, a Noruega ficou na 11ª posição entre os países da Europa com investimentos no Brasil, com presença relevante em setores como energia, óleo e gás, navegação e indústria marítima. Empresas norueguesas têm participação expressiva em projetos estratégicos no país, especialmente no segmento offshore, evidenciando uma relação consolidada e de longo prazo.
Além disso, o Fundo Soberano da Noruega — um dos maiores do mundo — possui investimentos significativos em empresas brasileiras, reforçando a importância do país como parceiro financeiro e institucional. Outro destaque é a cooperação bilateral na área ambiental, com iniciativas voltadas à preservação florestal e ao desenvolvimento sustentável, que fortalecem a agenda comum entre os dois países.
Oportunidades e desafios
Apesar do potencial identificado, o estudo aponta desafios importantes para a ampliação do comércio bilateral. Entre eles estão as exigências regulatórias rigorosas do mercado norueguês, especialmente em relação a padrões ambientais e sanitários, além da necessidade de adaptação a um mercado altamente competitivo e sofisticado.
Por outro lado, essas mesmas exigências representam uma oportunidade para empresas brasileiras que investem em inovação, qualidade e sustentabilidade. Produtos com certificações internacionais, rastreabilidade e menor impacto ambiental tendem a ganhar maior espaço no mercado norueguês, alinhando-se às tendências globais de consumo responsável.
Acordo Mercosul–EFTA pode impulsionar comércio entre Brasil e Noruega
A entrada em vigor do Acordo de Livre Comércio entre o Mercosul e a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA), assinado em 16 de setembro de 2025, tende a ampliar significativamente as oportunidades de comércio entre o Brasil e países como a Noruega. De acordo com o Perfil de Comércio e Investimentos – EFTA 2025, o bloco europeu — formado por Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça — reúne mercados de alto poder aquisitivo e crescente demanda por produtos sustentáveis e de maior valor agregado, características que favorecem a inserção de empresas brasileiras.
O acordo prevê a criação de uma zona de livre comércio com cerca de 300 milhões de pessoas e um PIB agregado superior a US$ 4,4 trilhões, abrangendo não apenas o comércio de bens, mas também serviços, investimentos, compras governamentais e regulatórios. A iniciativa deve facilitar o acesso de produtos brasileiros ao mercado europeu, com concessões relevantes para itens do agronegócio — como carnes, café, frutas e sucos — e para bens industrializados, incluindo máquinas, calçados, móveis e equipamentos médicos.
A expectativa é que a redução de barreiras tarifárias e a harmonização de regras aumentem a competitividade dos produtos brasileiros e estimule a diversificação da pauta exportadora. Além do comércio, o acordo também deve fortalecer os fluxos de investimento entre as economias. Os países da EFTA já figuram entre importantes investidores no Brasil, com destaque para setores como energia, indústria e tecnologia. Com o novo marco regulatório, a expectativa é de aprofundamento das parcerias econômicas e ampliação da presença brasileira em mercados estratégicos da Europa.
(*) Com informações da ApexBrasil







