Fábrica BYD na China/Divulgação

Especialista projeta alta nas importações para 2026 com consolidação da China como principal fornecedor

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Especialista explica como funciona o processo e destaca que preços mais baixos e maior variedade de itens impulsionam o crescimento do setor

Da Redação (*)

Brasília – De acordo com dados recentes do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, as importações brasileiras devem variar entre US$ 270 bilhões e US$ 290 bilhões em 2026. Os números refletem um movimento mais amplo: em um cenário de cadeias globais mais integradas e de maior pressão por eficiência de custos, importar passou a fazer parte da estratégia de empresas que buscam competitividade, previsibilidade de abastecimento e ampliação de portfólio.

Esse avanço se conecta diretamente ao fortalecimento das relações comerciais entre Brasil e China, principal origem das importações nacionais. Em 2025, as compras brasileiras provenientes do país asiático somaram US$ 70,9 bilhões, alta de 11,5% comparativamente com o ano anterior, e recorde histórico, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

Na avaliação de Luis Muller, fundador da Asia Source Brasil, primeira franquia de importação do Brasil, esse movimento acompanha uma mudança de mentalidade. A rede atua conectando empresas brasileiras a fornecedores globais e estruturando operações de comércio exterior de ponta a ponta. Segundo o executivo, o crescimento das importações está ligado à busca por preços mais competitivos e maior variedade, mas, principalmente, à profissionalização do processo.

À medida que o volume importado cresce, também aumenta o interesse de empresários por entender como, de fato, funciona o processo. Apesar de ser uma prática consolidada no comércio internacional, dúvidas relacionadas à tributação, à burocracia e aos riscos logísticos ainda são recorrentes, especialmente entre empresas que nunca importaram ou que tiveram experiências pontuais sem planejamento adequado.

Processo de importação e previsibilidade

Nesse ponto, Muller observa que boa parte das incertezas nasce da falta de compreensão sobre as etapas envolvidas. Ele explica que a importação segue um fluxo técnico previsível, composto por fases interligadas, que começam muito antes da compra do produto. “O primeiro passo é a análise de viabilidade, etapa em que são avaliados custos de aquisição, tributos, despesas logísticas, câmbio e preço final nacionalizado. Sem essa análise, a operação perde referência de custo e margem”, esclarece o profissional.

A correta classificação fiscal da mercadoria aparece como um dos pilares do processo, pois define a carga tributária incidente. Para Muller, erros nessa etapa comprometem toda a operação. “A classificação fiscal não é um detalhe burocrático. Ela determina imposto, margem e conformidade. Quando o NCM é definido sem critério técnico, o risco deixa de ser exceção e passa a ser regra”, afirma.

Superada essa fase, entram as decisões contratuais e logísticas, como a escolha do Incoterm, do modal de transporte e do fornecedor internacional. Aqui, a validação do parceiro na origem se torna decisiva. A Asia Source, por exemplo, atua com auditorias de fábrica, verificação de capacidade produtiva e análise de histórico de exportação, práticas que reduzem significativamente a exposição ao risco. Muller costuma resumir esse ponto de forma direta: “não é o preço que define uma boa importação, mas a segurança da cadeia”.

Com o fornecedor homologado, a operação avança para a formalização contratual, contratação do frete internacional e do seguro de carga, além da emissão dos documentos de embarque. O acompanhamento logístico garante rastreabilidade da mercadoria até a chegada ao Brasil. Segundo o fundador da Asia Source, quando existe controle da carga do início ao fim, com seguro e documentação alinhados, o risco operacional se torna residual.

Na etapa final, ocorre o desembaraço aduaneiro, momento em que a mercadoria é nacionalizada. Embora essa fase seja frequentemente associada à burocracia, ela segue procedimentos padronizados. “A burocracia assusta quem não conhece o fluxo. Para quem trabalha com cronograma e planejamento tributário, ela é apenas mais uma etapa do projeto”, conclui Muller.

(*) Com informações da Asia Source Brasil

 

 

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