Da Redação
Brasília – A China avança sobre o mercado brasileiro de máquinas e equipamentos, elevou para 32% sua participação no segmento, evidenciando um processo contínuo de perda de competitividade do produtor nacional, com impactos diretos sobre o nível de emprego qualificado e a capacidade do país de sustentar cadeias produtivas estratégicas no longo prazo.
Com a crescente e agressiva presença chinesa, as importações desses produtos cresceram 8,3% em 2025 sobre 2024 e somaram Us$ 32,2 bilhões, novo recorde histórico para o setor. Esse movimento ampliou o déficit da balança comercial da indústria, que ultrapassou US$ 18 bilhões no ano passado, mais de 120% acima da média registrada após as crises de 2015-2016 e da pandemia.
Esses dados compõem uma radiografia do setor divulgada pela Associação Brasileira das Indústrias de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) com ampla análise sobre o desempenho do setor no ano passado e uma projeção pouco animadora para o ano que acabou de se iniciar.
Segundo a Abimaq, “as importações de máquinas e equipamentos continuam exercendo forte pressão sobre a indústria nacional. As importações já representam 46% do consumo nacional, praticamente o dobro da participação observada antes de 2014”.
China e tarifaço dos EUA geram “tempestade perfeita” para o setor
Na percepção da Abimaq, a China é a grande responsável pelo desequilíbrio revelado pelo balanço do setor no ano passado. A Associação destaca com grave preocupação “a forte predominância da China como principal origem das máquinas importadas” e avalia que esse é um processo irreversível.
Aliado ao aumento descontrolado das importações oriundas da China, a Associação identifica outro fator igualmente relevante: a queda de mais de 9% nas exportações desses produtos para os Estados Unidos, principal destino das máquinas e equipamentos brasileiros no exterior.
Com isso, sublinha a entidade, “o ambiente externo tornou-se progressivamente mais desafiador ao longo de 2025. As medidas adotadas pelo governo Trump, com aumento de tarifas de importação sobre máquinas brasileiras, não só fizeram com que as vendas para o mercado recuassem, mas também contribuíram para a redução de sua participação no total exportado pelo setor. Esse cenário de maior protecionismo, combinado com a desaceleração do crescimento global, elevou a incerteza e limitou o potencial de expansão das vendas externas, exigindo das empresas brasileiras maior esforço de diversificação de mercados”.
O forte aumento das importações acabou minimizando os efeitos do aumento de 5% nas exportações no ano passado, após a retração observada em 2024, conforme destaca a Abimaq. De acordo com a Associação, o resultado foi sustentado pelo aumento do volume exportado e pela expansão das vendas para países da América Latina e da União Europeia, com destaque para máquinas destinadas à infraestrutura, agricultura e ao setor de petróleo. Esse movimento compensou a desaceleração do mercado norte-americano e a queda dos preços internacionais.
A entidade destaca ainda que a indústria brasileira de máquinas e equipamentos encerrou 2025 com sinais de perda de fôlego no segundo semestre, após um primeiro semestre mais dinâmico. Embora o resultado anual seja positivo, com crescimento disseminado na maioria dos segmentos o comportamento recente dos principais indicadores revela um movimento de desaceleração consistente, influenciado pela política monetária restritiva, pela maior concorrência de importados e por um ambiente internacional mais adverso.
Importância da diversificação de mercados
De acordo com o balanço da Abimaq, a receita líquida total da indústria de máquinas e equipamentos somou R$ 299 bilhões em 2025, crescimento de 7,3% frente ao ano anterior. Houve resultado positivo no acumulado do ano, mas o comportamento ao longo do segundo semestre foi marcado por desaceleração, com queda de 2,8% no último trimestre em comparação ao mesmo período de 2024. O mês de dezembro registrou o terceiro resultado negativo consecutivo na comparação interanual, refletindo o arrefecimento dos investimentos sobre impacto da política monetária restritiva
Para 2026, em relação às exportações, a Abimaq projeta uma certa estabilidade de desempenho, na medida em que o cenário externo segue marcado por elevada incerteza, com desaceleração do crescimento global, aumento de medidas protecionistas e aprofundamento da guerra tarifária, em especial a partir das novas tarifas adotadas pelos Estados Unidos.
Esse ambiente limita a expansão das vendas externas de máquinas e equipamentos brasileiros e reforça a importância de estratégias voltadas à diversificação de mercados e ao fortalecimento da indústria local como forma de mitigar riscos e sustentar o crescimento no médio e longo prazo, conclui a Associação.







