Especialista elenca o que é essencial para empreendedores expandirem globalmente
Da Redação
Brasília – O cenário de internacionalização para empresas brasileiras registrou um avanço significativo na última década. Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) analisados pelo Sebrae, o volume de pequenos negócios exportadores saltou de 5,4 mil em 2014 para 11,4 mil em 2024. O movimento, embora estratégico para o crescimento, exige rigor metodológico e adaptação tecnológica para mitigar riscos operacionais.
Pensando nisso, René Abe, CEO Brasil da Tensec, fintech global de serviços financeiros cross-border, elencou cinco passos essenciais para os empreendedores que desejam internacionalizar o seu negócio. Confira:
- Adaptação cultural e mapeamento de mercado
A internacionalização bem-sucedida requer mais do que a simples tradução de materiais de comunicação. Especialistas alertam que cada país possui uma cultura de negócios distinta e exigências regulatórias específicas que podem não estar explícitas em contratos. O mapeamento prévio de riscos culturais e operacionais é apontado como etapa obrigatória antes do início das operações físicas ou digitais em novo território.
- Estruturação jurídica e fiscal internacional
A base da expansão reside na conformidade tributária. Isso inclui o estudo profundo dos regimes fiscais locais, a análise de acordos de bitributação para evitar bitributação desnecessária e a proteção de propriedade intelectual por meio do registro internacional de marcas. Contratos transparentes, que atendam simultaneamente à legislação brasileira e à do país de destino, são fundamentais para garantir a segurança jurídica da operação.
- Modernização dos meios de pagamento
Um dos maiores gargalos da internacionalização tradicional era a dependência exclusiva do sistema SWIFT — que, apesar de robusto, costuma apresentar custos elevados e baixa agilidade para pequenas e médias empresas.
Atualmente, o mercado oferece modelos alternativos via fintechs e instituições financeiras locais. Empresas como a Tensec exemplificam essa transição, utilizando integração digital para permitir transações cross-border rastreáveis e transparentes, em conformidade com as normas regulatórias de cada país. A adoção dessas soluções modernas resulta em custos mais previsíveis e menor burocracia em comparação ao modelo bancário tradicional.
- Gestão de câmbio e automação de conformidade (Compliance)
A exposição à volatilidade cambial é uma constante na internacionalização. O uso de mecanismos de proteção (hedge) e o monitoramento rigoroso das taxas são recomendados para preservar as margens de lucro. Além disso, a tecnologia tem sido aliada no cumprimento de normas de KYC (Know Your Customer) e AML (Anti-Money Laundering), automatizando processos de verificação que evitam o bloqueio de recursos e problemas com órgãos reguladores internacionais.
- Resiliência e visão de longo prazo
Diferente da expansão nacional, o retorno sobre o investimento na internacionalização tende a ter um ciclo mais longo. O sucesso da operação está atrelado à construção de reputação e ao respeito estrito às normas locais. Especialistas reiteram que, embora a inovação tecnológica reduza distâncias e otimize processos, a sustentabilidade do negócio global depende da combinação entre planejamento ético e capacidade de adaptação às barreiras iniciais.







