Recuo no volume era esperado após recorde em 2024 e menor disponibilidade de café no ano passado;
Tarifaço dos EUA potencializou a queda e americanos perderam a liderança no ranking de principais destinos dos cafés do Brasil em 2025;
Receita recorde refletiu a qualidade elevada do produto brasileiro e as maiores cotações médias no mercado internacional
Da Redação (*)
Brasília – De acordo com o relatório estatístico mensal do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), o país embarcou, para 121 destinos, 40,049 milhões de sacas de 60 kg de todos os tipos do produto nos 12 meses de 2025, o que implica declínio de 20,8% em relação ao ano anterior. Apesar da queda em volume, a receita cambial, de US$ 15,586 bilhões, foi recorde anual, apresentando crescimento de 24,1% ante 2024.
Esse desempenho foi alcançado com as 3,133 milhões de sacas exportadas em dezembro do ano passado (-20,2% frente a dez/24), que renderam US$ 1,313 bilhão (+10,7%) ao país. Já no acumulado do primeiro semestre da safra 2025/26, o Brasil remeteu 20,610 milhões de sacas ao exterior, com receita de US$ 8,054 bilhões, performance que corresponde a um declínio de 21,3% em volume, mas incremento de 11,7% em valor na comparação com o intervalo de julho a dezembro de 2024.
O presidente do Cecafé, Márcio Ferreira, comenta que a diminuição no número de sacas exportadas já era aguardada em 2025, principalmente após os embarques recordes registrados um ano antes. “Exportamos um volume histórico em 2024, reduzindo o montante de café armazenado no país, e a safra do ano passado foi impactada pelo clima, combinação que culminou na limitação da disponibilidade do produto”, explica.
Tarifaço e infraestrutura defasada
Ele completa que outros fatores também influenciaram a performance, como as tarifas de 50% impostas pelos EUA para importar o produto brasileiro. “Nos quase quatro meses de vigência do tarifaço sobre todos os tipos de café do Brasil, entre o começo de agosto e o fim de novembro – vale lembrar que o solúvel ainda segue taxado –, nossos embarques aos norte-americanos despencaram 55%, majoritariamente afetados por essas taxas. Além disso, como a tributação sobre o café solúvel não foi retirada, o declínio nas exportações desse produto para os Estados Unidos continua se acentuando”, revela.
A defasagem na infraestrutura portuária do país aumenta a lista de adversidades que os exportadores de café enfrentaram em 2025. “Apesar dos recordes de exportação anunciados pelas autoridades públicas, a falta de estrutura adequada para cargas conteinerizadas nos portos brasileiros gerou um prejuízo de R$ 61,467 milhões a nossos associados no acumulado do ano passado até novembro – dados mais recentes serão divulgados em breve – devido a custos extras com armazenagens adicionais, pré-stacking e detentions, que são resultados do atraso e das alterações de escalas dos navios”, afirma Ferreira.
De acordo com dados do Boletim Detention Zero, elaborado pela startup ElloX Digital em parceria com o Cecafé, 55% dos navios enfrentaram atrasos ou alterações de escalas na média mensal de 2024 até novembro, o que fez com que 613,4 mil sacas — 1.859 contêineres — por mês, também no cálculo médio desses 11 meses, não conseguissem embarques para o exterior.
No tocante ao recorde obtido com a receita cambial, Ferreira aponta o cenário mercadológico internacional e os constantes investimentos dos produtores brasileiros como principais motivadores.
“Tivemos médias mensais de preço maiores em 2025 e nossos cafeicultores, bem-organizados, mantêm seus investimentos em tecnologia, inovação e qualidade, o que eleva o patamar dos cafés do Brasil e, consequentemente, o seu valor. Não à toa, somos a única origem do mundo que consegue exportar para mais de 120 países, respondendo por mais de um terço do market share global”, aponta.
PRICIPAIS DESTINOS
Com a aquisição de 5,409 milhões de sacas, a Alemanha assumiu a liderança entre os maiores importadores dos cafés do Brasil no ano passado, apesar de o volume implicar queda de 28,8% na comparação com 2024. Esse montante representou 13,5% de todos os embarques brasileiros do produto efetuados em 2025.
Os Estados Unidos, usualmente líderes desse ranking, desceram à segunda posição no ano passado, como reflexo do declínio observado no período de vigência do tarifaço. Os norte-americanos importaram 5,381 milhões de sacas em 2025 – 13,4% do total –, com queda de 33,9% frente aos 12 meses de 2024.
Fechando o top 5, aparecem a Itália, com a importação de 3,149 milhões de sacas e recuo de 19,6%; o Japão, com 2,647 milhões de sacas e alta de 19,4%; e a Bélgica, com 2,321 milhões de sacas e baixa de 47%.
Refletindo a menor disponibilidade de café após as exportações recordes em 2024 e uma safra impactada pelo clima no ano passado, entre os 10 maiores importadores do produto brasileiro, além do Japão, somente a Turquia, sexta posição com a aquisição de 1,555 milhão de sacas (+3,3%), e a 10ª colocada China, com 1,123 milhão de sacas (+19,5%), conseguiram ampliar suas compras em 2025.
(*) Com informações do Cecafé







