Real desvalorizado e forte recessão reduzem em 38,48% as exportações da China para o Brasil

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Da Redação

Brasília – Principal parceiro comercial do Brasil, a China é também o país que mais sofre com a forte contração das importações realizadas pelo Brasil devido à desvalorização do real e a severa recessão que atinge os principais setores da economia brasileira. De janeiro a março, as compras de produtos chineses recuaram 38,48% comparativamente com idêntico período do ano passado e totalizaram pouco mais de US$ 5,949 bilhões.

Enquanto as vendas chinesas desabam, as exportações brasileiras para a China tiveram forte alta de 17,17%, totalizando US$ 6,965 bilhões. No trimestre, a balança bilateral gerou para o Brasil um superávit de US$ 1,020 bilhão.

 No primeiro trimestre de 2015, o Brasil importou mercadorias chinesas no total de US$ 9,665 bilhões. Os dados são do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).

As informações do MDIC mostram que a queda nas importações de produtos chineses nos três primeiros meses do ano atingiu tanto os semimanufaturados quanto os bens industrializados e três dos quatro itens que lideram a pauta exportadora chinesa para o Brasil tiveram queda expressiva no período.

São eles outras partes para aparelhos de telefonia/telegrafia (queda de 39,45% para US$ 248 milhões), outras partes para aparelhos receptores de radiodifusão/televisão (retração de 66,41% para US$ 124 milhões) e terminais portáteis de telefonia celular (redução de 28,39% para US$ 85 milhões).

 Entre os principais produtos vendidos pela China no primeiro trimestre de 2016, apenas se salvaram dessa forte diminuição os itens barcos-farois/guindastes/docas/diques flutuantes, principal produto exportado pela China para o Brasil e que teve um acréscimo de  23,06% para US$ 518 milhões e outras máquinas e aparelhos elétricos com função própria, que cresceram 25,35% e geraram receita no valor de US$  72 milhões.

Exportações brasileiras

Ao passo em que as exportações chinesas experimentam uma das maiores retrações dos últimos anos, as vendas brasileiras para a China seguem trajetória oposta. De janeiro a março, totalizaram US$ 6,965 bilhões, um aumento de 17,17% se comparadas com igual período do ano passado.

A alta das exportações brasileiras deveu-se, principalmente, ao aumento expressivo (+49,22) nos embarques de soja, que geraram receita no valor de US$ 2,976 bilhão, contra US$ 1,994 bilhões exportados de janeiro a março de 2015. A forte elevação nas exportações de soja compensou, com sobras, as quedas registradas nas vendas dos outros dois produtos que integram a relação dos três principais itens vendidos à China, minérios de ferro (queda de 30,90% para US$ 995 milhões) e petróleo (contração de 28,99% para US$ 633 milhões).

Aumentos bastante expressivos foram registrados também nas vendas de itens como pasta química de madeira, que subiram 21,54% e totalizaram US$ 441 milhões, de catodos de cobre refinado, com alta de 47,58% e receita de US$ 184 milhões e também nas exportações de pedaços e miudezas de galos/galinhas congelados, com alta de 29,60%, correspondendo a uma receita total de US$ 170 milhões.

 Igualmente merece ser destacado o fato de que aos poucos a China se transforma num dos maiores mercados para a carne bovina brasileira. O item não fez parte da pauta exportadora brasileira para o gigante asiático no primeiro trimestre do ano passado, mas este ano marcou forte presença gerando receita no total de US$ 150 milhões.

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